Agachou-se junto ao carro e encostou uma das faces na lateral da carroceria de fibra de vidro, bem no final da traseira. Sorria tirando uma linha do modelo.
Nunca conseguiu explicar por que sentia no peito aquele imenso vazio que vinha desde a adolescência. Até para si disfarçava, mas por dentro procurava algo que não conseguia saber o que era.
– Toledo, é Brasília! Atende aqui.
Tibúrcio, secretário de redação, levantou o fone preto acima da cabeça, sinalizando onde estava naquele imenso mundo de grandes mesas apinhadas uma junto à outra.
Eu nunca fecharei a porta da geladeira com o pé em Brasília
Foi escrito em meus primeiros meses na capital do país. É formado por duas novelas, entre elas a que dá o título ao livro. Em tudo, um fio condutor: a solidão com a qual o Planalto Central abençoa quem chega a Brasília sem conhecer nada nem ninguém.
O cenário, basicamente, ainda é o Rio de Janeiro, e a tônica ainda é a do livro anterior. Foi um dos primeiros títulos da Coleção Rocinante, da 7Letras. Destaque para os contos Álcool & Nicotina, Inocente, Senhor e Maverick V8.
Reúne dez dos meus primeiros contos, quando descobri no gênero minha verdadeira forma literária, até então restrita à poesia. Voando pela noite (até de manhã) foi finalista do Prêmio Jabuti em 1997.
Essas histórias não são exatamente inéditas. A maior parte saiu na internet e em publicações, mas não entraram em nenhum de meus livros porque acabaram não se encaixando em alguns critérios, entre os quais o da própria qualidade.
Produzi poemas de forma febril nos anos 80 e na virada para os 90. Tenho dois livrinhos independentes, um de 1986 e outro de 88, vendidos em meio a muita farra de mesa em mesa nos bares do Rio.