André Giusti - foto: Luana Lleras
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A Brasília de Conceição Freitas resiste

O resto do país talvez não imagine, mas uma lei do silêncio mal formulada está encurralando os bares que tocam música ao vivo em Brasília. Imposta por uma Câmara Legislativa anacrônica e sem idoneidade e aplaudida por uma classe média que só deveria existir de segunda a sexta, de 8h a 17h, dentro do pobre [...]

Foto Ana Maria de Souza

Foto Ana Maria de Souza

O resto do país talvez não imagine, mas uma lei do silêncio mal formulada está encurralando os bares que tocam música ao vivo em Brasília.

Imposta por uma Câmara Legislativa anacrônica e sem idoneidade e aplaudida por uma classe média que só deveria existir de segunda a sexta, de 8h a 17h, dentro do pobre mundinho de sua repartição pública, a tal lei do silêncio opera a favor de quem alega defender o sossego, mas atenta contra quem deseja morar em uma cidade viva e alegre.

É uma incalculável ajuda à fama que Brasília possui em todo o Brasil de ser uma terra chata e sem nada para fazer, onde o tédio reina ao lado de sua esposa, a monotonia.

Mas há quem seja carne de pescoço e reaja a isso. É o caso da Conceição Freitas, lenda do jornalismo na cidade em forma de avião. Ou borboleta, como pregava o criador de seus traços.

Vítima de um desses irracionais cortes de pessoal que a imprensa vem promovendo nos últimos anos, Conceição está tomando conta da banca de jornal da emblemática 308 sul, a quadra modelo de Brasília, onde Lúcio Costa desenhou tudo o que queria que existisse na cidade.

De jornalista a “jornaleira”, minha colega de profissão está vendendo livros na banca, além de revistas e outros presentinhos que lembrem a cidade. Eu mesmo consegui um espaço honroso em uma das prateleiras – ao lado de Lúcio Costa e Maria Clara Arreguy – e “estacionei” um de meus livros de contos (A Liberdade é Amarela e Conversível) e uma coletânea sobre Brasília (50 anos em seis), em que tenho o prazer de dividir as páginas com Nicolas Behr, José Rezende Jr., Liziane Guazina, Nanda Barreto e Pedro Biondi.

No último sábado, 16, Conceição juntou um bando de jornalistas e escritores, ou só jornalistas ou só escritores (muito cuidado quando esse tipo de gente se junta), para um bate papo pra lá de agradável na calçada da banca, ao som de sax e violoncelo. É claro que rolou um selfie coletivo de classe, tirado pelo Tino Freitas.

Se cada jornalista que for demitido em Brasília tiver uma ideia parecida com a da Conceição, a cidade estará, para sempre, livre da caretice que a assola.

Foto Giustipress

Foto Giustipress

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Comentário (1)

  1. Ana Maria -

    Gente interessante, música boa, livros ótimos, ambiente acolhedor… Que tarde deliciosa de sábado!

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