André Giusti - foto: Luana Lleras
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A contralongevidade

A escola em que minhas filhas estudam permite que a comemoração dos aniversários seja feita no intervalo das aulas. Não há como negar o lado econômico e prático dessa história. Poupa-se o dinheiro com o aluguel do espaço e do investimento nas pequenas mega produções que se tornaram as festas infantis. Sem falar que a [...]

A escola em que minhas filhas estudam permite que a comemoração dos aniversários seja feita no intervalo das aulas. Não há como negar o lado econômico e prático dessa história. Poupa-se o dinheiro com o aluguel do espaço e do investimento nas pequenas mega produções que se tornaram as festas infantis. Sem falar que a presença de convidados é garantida, pois da outra forma chama-se 20 para que cinco compareçam, entre outros motivos pela dificuldade que as pessoas têm de conviver e se “freqüentarem” nos dias de hoje.

O problema é que a gurizada sai da escola pelo menos uma vez por semana entupida de balas, chicletes e empanzinada de docinhos e salgadinhos, na maioria das vezes do tipo que faz cem metros rasos numa piscina de óleo fervente. Então, em casa, são duas óperas: a primeira é fazer com que as pequenas comam o que realmente interessa para o crescimento, e a segunda é dispensar no lixo ao menos a metade de toda aquela porcariada colorida, para que eu não gaste no dentista com elas o que a mãe do coleguinha economizou na festa.

Já que a indústria decidiu que não é suficiente sair da festinha apenas com um chapeuzinho e uma língua de sogra, como era na minha infância, que tal apenas um pouco de criatividade das mães que organizam as tais lembrancinhas da festa? Um brinquedo bem besta ou um livrinho bem simples podem substituir essa montanha de açúcar e esse mar de química que as crianças invariavelmente levam para a casa após cantar parabéns para os amiguinhos.

Nos últimos anos, os avanços da ciência e da medicina elevam cada vez mais nossa estimativa de vida. Já é cada vez mais possível – e até provável, dependendo do caso – morrer com 80 ou até 90 anos. O problema é que cultuando o açúcar e submissos ao ataque da indústria do colesterol – Mac’s e etc – talvez estejamos na contramão da longevidade, jogando pela janela o árduo trabalho de médicos e cientistas.

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Comentários (4)

  1. Raquel Madeira -

    Muito bem escrito, como sempre. É muito difícil remar contra essa maré açucarada e mais ainda fazer diferente. Mas é importante questionar, reclamar e agir de outra forma. Muita gente vai no piloto automático e nem se dá conta do mal que está fazendo para os seus filhos.

  2. Denise Giusti -

    Sugiro aos pais conscientes que conversem com a direção da escola para levar a todos os outros pais a maneira melhor de se fazer tais festinhas, que as crianças não recebam esses doces todos e quem sabe mesmo um livrinho de lembrancinha que com certeza será bem educativo motivando à leitura.

  3. Fabiana -

    Gostei muito da sua colocação. Minha infância e parte da adolescência foi em uma fazenda, assim eu não aprendi a gostar de fast food. Hoje gozo de uma saúde de ferro (é raro o dia que eu tenha dor de cabeça) sei que tudo isso é devido à minha alimentação que de certa forma foi muito bem educada. Tenho visto muita gente obesa e com problemas de saúde o que essas pessoas não conseguem enxergar é que somos aquilo que comemos. Não recomendo ninguém a ser natureba e a comer coisa macrobióticas e sem sabor, mas cuidar da alimentação não é só uma questão de estética é uma questão de saúde física também. Se as crianças continuarem a comer essas porcarias que vc citou, penso que em poucos anos o Brasil vai ficar igual aos EUA com a maioria da população obesa.

  4. sócio -

    Pior não é isso. Pior é quando a festa tem como tema futebol e a mãe acha que todo mundo é flamengo. Aí nosso inocente filho carrega bandeira, chaveiro, bola e, pasmem, uma camisa! Penso que um choque alto de glicose não seria mais benéfico para a criança nestes casos onde o bom senso despenca vida abaixo.

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