André Giusti - foto: Luana Lleras
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A cumplicidade do twitter

Um acidente no final da noite deste domingo matou na hora uma mulher de 45 anos e a filha dela em uma das principais rodovias que cortam o Distrito Federal (http://migre.me/951ZJ). Sobre o motorista causador da tragédia, recai a mesma suspeita de tantas outras tragédias no trânsito desse país: ele estaria dirigindo bêbado. Por causa [...]

Um acidente no final da noite deste domingo matou na hora uma mulher de 45 anos e a filha dela em uma das principais rodovias que cortam o Distrito Federal (http://migre.me/951ZJ).

Sobre o motorista causador da tragédia, recai a mesma suspeita de tantas outras tragédias no trânsito desse país: ele estaria dirigindo bêbado.

Por causa da insensatez de nossa lei maior, não quis fazer o teste do bafômetro e não fez, afinal a Constituição Federal não permite que alguém produza provas contra si mesmo.

Linda frase; terrível a realidade.

A responsabilidade de quem morre vítima de um motorista alcoolizado não é apenas dele próprio. Há o estado que não educa desde cedo para a segurança no trânsito e que não fiscaliza como deveria; há a propaganda maciça ligando a bebida à felicidade, principalmente a erótica, mas pouco se importando em alertar sobre as responsabilidades de quem bebe; e há também a total falta de regulamento nas mídias sociais.

Outro dia discuti, via twitter, com um usuário que avisava sobre pontos de blitz do Detran com bafômetro em locais de Brasília. Os avisos são postados em tom de utilidade pública, da mesma forma que as campanhas que abraçam causas em prol de desabrigados ou doentes. Como se fosse mesmo uma causa pela vida, como se a morte não espreitasse o caminho de quem bebe e dirige. E foge de uma blitz porque foi avisado.

E é justo que se pergunte se o motorista que ontem matou mãe e filha no dia das mães não recebeu pelo celular um ‘tweett’ informando que não deveria passar por tais e tais lugares.

Pode não ter acontecido ontem, pode, por milagre, não ter acontecido nunca, mas é inegável o potencial que o usuário de rede social, agindo dessa maneira, possui de se tornar cúmplice da destruição de uma família.

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Comentários (2)

  1. raquel -

    Como em outro texto que você escreveu, muitas vezes as pessoas não se dão conta do que estão fazendo nas redes sociais.

  2. Raymundo J. C. Jr. -

    É uma triste realidade André!
    Sou daqueles que não via mal algum tomar uma (01) taça de vinho num restaurante, acompanhamento um belo jantar numa sexta-feira qualquer, entretanto, face ao estado de guerra que se tornou o transito de Brasília e do Brasil, aceitei sem o menor problema abrir mão deste raro prazer!
    Se o sacrifício é este!? Não vejo problema algum em benefício, principalmente, dos nossos jovens, que quando não morrem se tornam pacientes eternos do Hospital Sarah!
    Infelizmente, a tecnologia neste caso está contribuindo contra a nossa população, àquela, que deseja ver os filhos crescidos, formados e com saúde. E o que é pior, às vezes, ou muitas vezes, os que bebem e causam os acidentes, matam terceiros que não tem nada a ver com isto!
    Tudo é uma questão de educação, falta de educação, que muitos pais teimam em não dar aos seus filhos!
    Temos que salvar esta nova geração, ou seja, os pais não podem beber e dirigir e ainda, dizer aos filhos que não tem problema algum. Com que moral, um dia, poderão orientar os próprios filhos!?
    Abraço
    Raymundo Jr.
    Asa Norte

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