André Giusti - foto: Luana Lleras
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A escola como celeiro das revoluções

Talvez existam coisas acontecendo neste país capazes de dar alento a nossa esperança cansada pelo aguardo centenário de mudanças. Pelo que parece, ocorrem paralelamente ao silêncio que os jornais geralmente fazem em relação a fatos que despertem otimismo. Feito minhocas que trabalham ocultas fertilizando a terra, essas coisas podem estar acontecendo, tocadas por gente que, [...]

Talvez existam coisas acontecendo neste país capazes de dar alento a nossa esperança cansada pelo aguardo centenário de mudanças.

Pelo que parece, ocorrem paralelamente ao silêncio que os jornais geralmente fazem em relação a fatos que despertem otimismo. Feito minhocas que trabalham ocultas fertilizando a terra, essas coisas podem estar acontecendo, tocadas por gente que, até sem se dar conta, carrega tijolos de um planeta melhor.

Nos últimos dias, o jornal Correio Braziliense divulgou dois projetos em curso nas escolas públicas do Distrito Federal.

Em um deles, alunos do ensino médio promovem uma campanha para que as pessoas se conscientizem da importância que existe em cada um melhorar a vida em sociedade (acesse o link da matéria em PDF abaixo). A campanha utiliza a arte como veículo de suas mensagens, baseadas no folclórico Gentileza, andarilho das ruas do Rio 30 anos atrás. Uma das frases da campanha explica claramente qual sua proposta em relação ao comportamento das pessoas: existe tudo, existe o outro. Talvez o conceito da campanha pareça um tanto abstrato, mas sua aplicação depende muito mais da boa vontade de nossas ações do que de nosso entendimento intelectual.

Outro projeto possui um alvo concreto: ensinar aos estudantes do fundamental e do médio o que é a Lei Maria da Penha. O objetivo de inserir o conteúdo no aprendizado interdisciplinar é também bastante claro: que as crianças e os jovens não tolerem mais a violência doméstica, seja contra a mãe, os irmãos ou eles próprios.

As duas campanhas começam a formar cabeças que certamente passarão a alfinetar uma sociedade acostumada ao egoísmo e ao individualismo, oprimida pela violência e pelos abusos dos mais fortes.

Com um otimismo que não é exagerado, podemos pensar que há pequenas revoluções em curso, revoluções silenciosas, alegres, calcadas no conhecimento e na mudança de atitudes, revoluções que, nesse caso específico do DF, acontecem no lugar ideal para se começar a transformar o mundo: a escola.

crianças na escolaCorreio

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