André Giusti - foto: Luana Lleras
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Algo errado nos templos, igrejas, centros e terreiros

Poucos sabem que sou sujeito religioso. Se me perguntarem, falo sobre o assunto com naturalidade, mas não tenho talento nem paciência para tentativas de converter o próximo. Aos chatos insistentes na pregação, ofereço minha adaptação às palavras do próprio Cristo: Ide e pregai (Mas não enchei o saco)! Criado em família espírita, permaneço estudando a [...]

Poucos sabem que sou sujeito religioso.

Se me perguntarem, falo sobre o assunto com naturalidade, mas não tenho talento nem paciência para tentativas de converter o próximo.

Aos chatos insistentes na pregação, ofereço minha adaptação às palavras do próprio Cristo: Ide e pregai (Mas não enchei o saco)!

Criado em família espírita, permaneço estudando a doutrina trazida ao mundo por intermédio do professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, conhecido como Allan Kardec.

Mas o faço em casa, distante dos centros espíritas que já frequentei, por não concordar com a maneira retrógrada, monótona e alienada, fora da contextualização do mundo atual com que o Espiritismo é levado às pessoas nesses lugares. Ao menos em Brasília, onde moro, tem sido assim.

O afastamento efetivo se deu ano passado, por ocasião das eleições.

Não aceitei que a Federação Espírita Brasileira (sem fazer campanha política, por favor, entendam!) não tenha em momento algum se manifestado alertando aos adeptos da doutrina que diversos pontos da plataforma política e do discurso de determinado candidato eram frontalmente contrários aos ensinamentos de Jesus.

Diocese de Sete Lagoas

Diocese de Sete Lagoas

Em resumo, não aceitei (e não aceito) que um cristão, no meu caso particular, os espíritas, tenha votado nesse candidato.

E votaram, muitos votaram, tanto é que fui execrado de vários grupos de zap do meio espírita com o velho argumento covarde e conivente com a opressão de que “aqui não é lugar para se discutir política”.

Quando na verdade a discussão não era sobre política.

Era sobre valores; cristãos, inclusive.

Agora a Folha de São Paulo traz pesquisa informando que entre os evangélicos a aprovação ao governo chega a 42%.

31% dos católicos, umbandistas e candomblecistas ouvidos consideram o governo ruim ou péssimo.

O percentual de reprovação mais alto está entre os que não possuem religião: 47% acham o governo ruim ou péssimo.

Os espíritas, como sempre, não são citados.

Olhando a pesquisa e casando-a com minha experiência recente, começo a concluir que não as religiões, mas seus líderes e doutrinadores nos templos, igrejas, terreiros e centros talvez não estejam transmitindo corretamente a mensagem de amor ao próximo que todas elas trazem em seus ensinamentos.

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