André Giusti - foto: Luana Lleras
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A Justiça do Tiririca.

Vivemos em um país que às vezes parece querer resolver as coisas na base das atitudes extremas. Lembra um pouco aquele tipo de  pais que, reprimidos na infância, deixam os filhos mandarem e desmandarem em casa. Para coibir a demonstração de preferência da mídia por determinado candidato, a Justiça Eleitoral estabeleceu regras rígidas para a [...]

Vivemos em um país que às vezes parece querer resolver as coisas na base das atitudes extremas. Lembra um pouco aquele tipo de  pais que, reprimidos na infância, deixam os filhos mandarem e desmandarem em casa.

Para coibir a demonstração de preferência da mídia por determinado candidato, a Justiça Eleitoral estabeleceu regras rígidas para a cobertura da campanha eleitoral. Infringir essas normas é encrenca na certa para o jornalista e órgãos de imprensa. Algumas exigências são pertinentes. Como a imprensa brasileira não aprendeu a não ser tendenciosa, é providencial que se exija o mesmo tempo de cobertura para os candidatos aos cargos majoritários.

O problema é que tanto cuidado acabou por tolher o direito de crítica. Nós, jornalistas que lidamos diariamente com a campanha eleitoral, estamos pisando em ovos na hora de falar de A,B ou C. Se dissermos que fulano promete algo que não poderá cumprir, somos passíveis de receber sei lá que tipo de punição, pois isso não ficou muito claro, pelo menos para mim. Se lembrarmos que sicrano é suspeito de ter embolsado aquela verba pública e que agora se apresenta como guardião da probidade, é provável a dor de cabeça para o nosso lado.

Mas enquanto a lei nos obriga a uma cobertura medrosa nessas eleições, a mesma Justiça que acena com essa lei permite o circo no horário eleitoral gratuito. Determinado candidato a deputado anuncia que quer se eleger para arrumar a vida de todo mundo, começando pela família dele. Por sua vez, o palhaço Tiririca – ícone trash do lixão dos anos 90 – também anuncia suas pretensões eleitorais, e para isso faz do horário eleitoral apenas mais um quadro de suas apresentações pelo interior do Brasil.

Então é de se supor que, a partir do ridículo constrangedor de Tiririca e candidatos afins, no entendimento da Justiça a cobertura crítica a favor do esclarecimento da sociedade merece vigilância e repressão se for o caso, mas o deboche com a cara do eleitor, esse é isento de fiscalização e rigor.

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