André Giusti - foto: Luana Lleras
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A picardia de Luarlindo e o fim do JB

Recomendei no faceBook e no twitter a leitura da coluna de Joaquim Ferreira dos Santos em O Globo desta segunda-feira falando sobre o último dia do Jornal do Brasil. Lembrando o fim da edição impressa do JB, Joaquim enumerou diversos jornalistas que ajudaram a fazer a história daquele que foi, certamente, o melhor e mais [...]

Recomendei no faceBook e no twitter a leitura da coluna de Joaquim Ferreira dos Santos em O Globo desta segunda-feira falando sobre o último dia do Jornal do Brasil. Lembrando o fim da edição impressa do JB, Joaquim enumerou diversos jornalistas que ajudaram a fazer a história daquele que foi, certamente, o melhor e mais importante jornal da imprensa brasileira por diversos fatores, que vão desde o conteúdo ao tratamento gráfico.

Conheci alguns dos jornalistas citados, e entre eles um me é particularmente inesquecível, primeiramente pelo nome, e depois por uma história contada sobre ele, que se verdadeira – e quem contava era fonte confiável – terá sido a própria piada criada na vida real, a história de boteco que ninguém inventou, que aconteceu de fato, mas que ganhou ares de piada e vive pelos botecos como se nascida deles.

Luarlindo Ernesto era repórter de Polícia do JB, e depois de O Dia, se bem me lembro. Era daquela geração que aprendeu o ofício da reportagem perguntando e observando – e não lendo release – o mundo cão das delegacias e presídios. Conta a história que Luarlindo estava na audiência de conciliação com a ex-mulher, quando a juiz virou-se para ela e disse “Minha senhora, eu vou lhe dar três salários mínimos de pensão”. O Astuto repórter, mantendo a reverência que convém perante um magistrado, mas com o talento de quem não perde a piada, feita de preferência com a própria desgraça, levantou o dedo polegar em apoio: “Muito bem, meritíssimo, quando eu puder, eu lhe ajudo”.

Lembrando dessa história, e remetendo à pasteurização do trato com a informação nos dias de hoje, me vem a sensação de que junto com a JB, também foi para o túmulo algo essencial aos jornalistas.

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Comentários (3)

  1. André Giusti Autor do post -

    A Última Hora certamente teve importância histórica e jornalística que é páreo à do JB, mas não teve o “time” de jornalistas do ” jornal da Condessa”.

  2. sócio -

    Isso é do tempo que os jornalistas escreviam, o correio funcionava, a máquina de escrever era amiga das noites, a pesquisa era feita em livros (mas como?),

  3. Eduardo -

    A crônica do Joaquim Ferreira dos Santos é linda. Curioso que, aqui na banca perto de casa, o JB acabou umas três semanas antes da data prevista.

    Anteontem alguns jornalistas fizeram manifestação na Cinelândia reclamando do fim do JB. Sim, é triste, mas o jornal já não era mais o mesmo há muitos anos. Sobreviver daquela maneira não era digno do seu passado.

    Muitos grandes jornais morreram antes do JB: A Noite, o Correio da Manhã, o Última Hora… Nenhum deles tem, pra mim, o mesmo significado do JB. Mas deve ser uma questão de geração…

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