André Giusti - foto: Luana Lleras
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A recompensa

Há três meses, desde a Bienal do Livro de Brasília, venho “esquecendo” exemplares de meus livros em locais públicos. Largo exemplares em cafés, bares, pontos de ônibus, aeroporto, shopping-center. Qualquer um que passe em local de movimento é leitor em potencial de um livro meu abandonado. Na contracapa, colo uma etiqueta avisando que quem encontrar [...]

Há três meses, desde a Bienal do Livro de Brasília, venho “esquecendo” exemplares de meus livros em locais públicos.

Largo exemplares em cafés, bares, pontos de ônibus, aeroporto, shopping-center. Qualquer um que passe em local de movimento é leitor em potencial de um livro meu abandonado.

Na contracapa, colo uma etiqueta avisando que quem encontrar deverá fazer o mesmo depois de ler. A brincadeira, que não é minha nem é nova, é uma forma de fazer o livro circular em um país que certamente possui mais agências de automóveis do que livrarias.

Isso tem me feito viver experiências interessantes.

Hoje um exemplar foi resgatado por um sujeito calçando chinelo de dedo, bermuda e camisa de um time de futebol. Ele pegou o livro e começou a folhear. Para isso, colocou debaixo do braço o jornal popular que trazia (sim, colegas autores, há muitos leitores além dos que viajam de avião e assinam a Folha de São Paulo).

Foi do início ao final do livro e voltou. Deteve-se no início e começou a leitura. Embarcamos juntos no mesmo ônibus, eu tendo o cuidado de sentar dois bancos atrás para poder observá-lo. Meu trajeto de casa ao trabalho dura quinze minutos, e foram quinze minutos em que pude atestar a fidelidade de um leitor. Ele não desgrudou os olhos de meu livro, nem os solavancos do ônibus foram capazes de lhe roubar a atenção. Se continuou naquele ritmo, a essa altura já deve estar próximo das últimas páginas.

Desci do ônibus com a vontade recompensadora de persistir e continuar escrevendo para todos, sejam os que vão de ônibus, carro, a pé, avião ou bicicleta, mas que em comum têm o livro a mover pensamento e imaginação.

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Comentários (2)

  1. Raymundo J C. Jr. -

    André,
    Que bacana!
    Educação e cultura são tão importantes como alimento e saúde!
    No seu lugar, eu estaria muito orgulhoso pelo belo exemplo!
    Um filme me impressionou muito: “A corrente do Bem”, que conta a história de um jovem que crê ser possível mudar o mundo a partir da ação voluntária de cada um.
    Eu acredito nisto!
    Parabéns!
    Abraço
    Raymundo Jr.
    Asa Norte

  2. Raymundo J C. Jr. -

    André,
    Que bacana!
    Educação e cultura são tão importantes como alimento e saúde!
    No seu lugar, eu estaria muito orgulhoso pelo belo exemplo!
    Um filme me impressionou muito: “A corrente do Bem”, que conta a história de um jovem que crê ser possível mudar o mundo a partir da ação voluntária de cada um.
    Eu acredito nisto!
    Parabéns!
    Abraço
    Raymundo Jr.
    Asa Norte

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