André Giusti - foto: Luana Lleras
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Ainda sobre faróis ao dia

Nos tantos anos em que atuei como repórter no jornalismo, fiz a cobertura de vários acidentes automobilísticos, muitos nas estradas, e foram incontáveis aqueles com mortos ou pessoas que ficaram para sempre sequeladas. Nunca, mas nunca mesmo, ouvi de algum motorista envolvido nesses acidentes, e mesmo de qualquer policial responsável por registrar a ocorrência, que [...]

Nos tantos anos em que atuei como repórter no jornalismo, fiz a cobertura de vários acidentes automobilísticos, muitos nas estradas, e foram incontáveis aqueles com mortos ou pessoas que ficaram para sempre sequeladas.

Nunca, mas nunca mesmo, ouvi de algum motorista envolvido nesses acidentes, e mesmo de qualquer policial responsável por registrar a ocorrência, que a tragédia aconteceu porque um dos carros trafegava, em plena luz do dia, de faróis apagados e não pode ser visto pelo outro, ou outros motoristas, envolvido na colisão.

Sem tanta vontade de escrever sobre o assunto, há dias remoo essa desculpa esfarrapada, debochada de um estado insaciavelmente arrecadador, que quanto mais leva de nós em imposto ou multa, menos nos entrega em serviços básicos e direitos.

Mas aí li nessa reportagem do Congresso em Foco (link no final) sobre as pontes na BR-080 – rodovia aberta na ditadura militar para ligar o Distrito Federal ao Amazonas – e resolvi escrever, já nem tanto sobre a obrigação dos faróis à luz do dia, mas sobre o fato de que neste país o estado mergulhou num mar tão fantástico de cinismo e hipocrisia, assemelhando-se àquele doente mental que, a cada dia mais débil, fica totalmente isolado em sua própria realidade doentia e desconectada.

http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/pontes-de-toras-de-arvore-na-floresta-amazonica/

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