André Giusti - foto: Luana Lleras
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Algo além da caserna

Em um primeiro momento, o silêncio (até agora) de Michel Temer sobre as declarações inoportunas do comandante do Exército acerca do julgamento de hoje no STF me lembraram da nulidade de José Sarney em seu último ano de governo. Com a popularidade lá no dedão do pé, a exemplo do atual mandatário do país, Sarney [...]

temer22

Em um primeiro momento, o silêncio (até agora) de Michel Temer sobre as declarações inoportunas do comandante do Exército acerca do julgamento de hoje no STF me lembraram da nulidade de José Sarney em seu último ano de governo.

Com a popularidade lá no dedão do pé, a exemplo do atual mandatário do país, Sarney não fedia nem cheirava para a nação. Uma declaração de Mailson da Nóbrega, então ministro da Fazenda, fazia muito mais eco na época.

Ainda num primeiro momento, a mudez de Temer me sugeriu medo mesmo, cagaço do falar grosso das fardas e coturnos.

Mas não, rapidamente mudei minha interpretação.

Acho que Temer mandou o ministro Raul Jungman, chefe da segurança na área federal, dar uma justificativa protocolar em nome do governo sobre essa tentativa de intimidação que partiu da esfera superior da caserna.

TCU-MichelTemer-RenanCalheiros-EliseuPadilha-RaimundoCarreiro-SergioLima-14dez2016

Tenho pra mim que o general mór falou com a anuência do Presidente da República, que é, inclusive, o chefe das Forças Armadas, como reza a própria Constituição que os militares dizem tanto fazer valer.

Anuência ou mesmo determinação, fazendo com que a tentativa de intimidação ao STF tenha na verdade origem em instâncias bem superiores aos quarteis.

Do contrário, que chefe admitiria uma declarações dessas sem dar um tapa na mesa e dizer em bom português “cala a boca que quem manda aqui sou eu!”

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