André Giusti - foto: Luana Lleras
voltar para o início do blog

Artistas e intelectuais se reúnem para discutir cultura em Brasília.

O governo dos panetones conseguiu ser tão ruim para a cultura do Distrito Federal quanto foi para a ética na política e a moralidade na administração pública. Como se não bastasse a ausência de uma política cultural, ainda permitiu o sucateamento dos espaços para a música, o teatro e as artes plásticas. Na literatura, o [...]

O governo dos panetones conseguiu ser tão ruim para a cultura do Distrito Federal quanto foi para a ética na política e a moralidade na administração pública. Como se não bastasse a ausência de uma política cultural, ainda permitiu o sucateamento dos espaços para a música, o teatro e as artes plásticas. Na literatura, o incentivo permanece resumido à tal bolsa de produção literária, ou algo com nome semelhante, um projeto de espírito burocrático, fruto de outros governos igualmente sem compromisso com a cultura, em que a seleção e a publicação de bons livros com o dinheiro público não parece ser o verdadeiro objetivo.

Os bons espaços que o DF tem – mais especificamente Brasília – estão aos cuidados do Governo Federal: Museu da República, CCBB e Centro Cultural da Caixa. O Teatro Nacional Cláudio Santoro, nossa referência de grandes esptáculos, patina em uma reforma mais comprometida com o discurso do que com a efetividade. O Espaço Cultural Renato Russo nos parece bem menos ativo do que já foi, e deveria ser. A Feira do Livro do ano passado envergonhou a cidade, mais parecia um grande atacadão de papelarias. Isso para não falarmos das cidades satélites, onde a população – em especial os jovens – poucas vezes, ou nunca, recebeu os bons ventos da cultura, que varrem a poeira da ignorância e da alienação. É inaceitável que Ceilândia, segunda maior cidade do DF, não tenha cinema, um que seja. No Gama, o único teatro que havia está fechado há anos e virou sabe-se lá o quê. Depois a classe-média Brasiliense, que tem a mais alta renda per capita do país, não entende porquê está cercada de um cinturão de violência e tensão social.

Ao menos quem vive de fazer cultura no DF acordou para a situação. Hoje, às 20h, artistas e intelectuais fazem a primeira das reuniões do Movimento Viva Arte. O endereço é o Açougue Cultural T-Bone, na 312 norte, um espaço que há mais de dez anos promove não apenas a cultura, mas a democratização da cultura. Para se ter uma idéia, com patrocínio da Petrobrás, mas acima de tudo com muita vontade e criatividade, o T-Bone encerrou 2009 colocando para tocar, em plena rua, a Orquestra de Viena. O espetáculo lotado encerrou o calendário de 2009, provando que a tese mercantilista da grande mídia de que o povo só gosta do que é ruim é bastante discutível.

Estarão hoje lá no T-Bone nomes como o cineasta e documentarista Vladimir Carvalho, o jornalista Gadelha Neto, o jornalista e escritor Paulo José Cunha, o maestro e professor do departamento de música da UnB, Jorge Antunes e o ator Murilo Grossi. Para o escritor Vicente Sá, porta-voz  do movimento, o DF precisa de uma política cultural séria e acessível a todos. “O movimento nasceu da necessidade dos artistas locais de conseguir acesso à cultura na cidade. Brasília é uma cidade que tem como marca a riqueza de artistas e criadores que precisam apenas de condições para mostrar seu trabalho. Vamos agir em prol de uma discussão do que deve ser feito para valorizar e agregar a classe artística de Brasília e de todo o Distrito Federal”.

Se você acha que cultura é bem mais do que Cláudia Leite e dupla sertaneja brega tocando na Esplanada, apareça hoje lá no T-Bone. Detalhes no site do açougue: www.t-bone.org.br .

Tags:

Gostou, compartilhe:

Comentários (0)

Deixe o seu comentário!