André Giusti - foto: Luana Lleras
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Bacurau e o emocional nacional

Bacurau escarafuncha várias das mazelas brasileiras. O filme fala de armamentismo, eugenia, preconceito, discriminação, desprezo do brasileiro pelo brasileiro e subserviência da elite branca ao imperialismo, do qual se julga parte mas por quem é vista da mesma forma como ela própria vê o Brasil de Minas para cima. Faz ainda referências sutis ao despreparo [...]

Adoro Cinema

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Bacurau escarafuncha várias das mazelas brasileiras.

O filme fala de armamentismo, eugenia, preconceito, discriminação, desprezo do brasileiro pelo brasileiro e subserviência da elite branca ao imperialismo, do qual se julga parte mas por quem é vista da mesma forma como ela própria vê o Brasil de Minas para cima.

Faz ainda referências sutis ao despreparo da Polícia e outras bem diretas ao parasitismo da politicagem regional para com o povo miserável.

Mostra uma reação pra lá de compreensível de quem é subjugado, explorado e humilhado nesse país há mais de cinco séculos.

Uma reação que chega a dar vontade de comemorar da poltrona refrigerada do cinema.

Mas é um filme muito violento, que faz os de Tarantino parecerem filmes da Xuxa.

São duas horas de cenas bastante impactantes em um país já tão massacrado pela barbárie do tráfico, das milícias e da Polícia.

Saímos do cinema exauridos pelo baque de tanta brutalidade, pensando se não haveria outra maneira de tocar nessas mazelas sem tanta bala e tanto sangue, e acabamos por concluir – sem invalidar o filme – que Bacurau se afasta de sua pertinência (que é imensa) entrando na prática atual do ódio contra o ódio, algo que está esgarçando o emocional nacional.

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