André Giusti - foto: Luana Lleras
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Brasil, pela dor e pelo sofrimento

É de se elogiar – e muito – a atitude da diretora da Academia de Dança Clássica de Brasília Norma Lillia. Prestes a levar para o principal teatro da cidade um espetáculo com nada menos que 300 crianças e adolescentes, voltou atrás e cancelou a apresentação, mesmo que após meses de exaustivos ensaios e da [...]

É de se elogiar – e muito – a atitude da diretora da Academia de Dança Clássica de Brasília Norma Lillia.

Prestes a levar para o principal teatro da cidade um espetáculo com nada menos que 300 crianças e adolescentes, voltou atrás e cancelou a apresentação, mesmo que após meses de exaustivos ensaios e da frustração do elenco.

Se no passado tantos outros produtores culturais houvessem feito o mesmo, é provável que centenas de pessoas estivessem vivas, inclusive os jovens de Santa Maria.

Explico.

Norma constatou que o imponente Teatro Nacional de Brasília não possui as condições necessárias para garantir a segurança do público e dos artistas, ainda mais quando se trata de menores de idade. Entre outros problemas, há fios soltos nos camarins.

De acordo com os jornais, Norma ouviu dos responsáveis por liberar a apresentação que o espetáculo poderia ocorrer, pois seria possível arrumar “um jeitinho”.

A diretora, então, se recusou a caminhar do velho e viciado modo de tocar esse país, inclusive quando se trata da vida das pessoas.

Não é exagero pensar que ela pode ter evitado uma tragédia maior que a da boate gaúcha.

É o Brasil começando a aprender como no geral todos nós aprendemos: através da dor e do sofrimento.

Menos mal.

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Comentário (1)

  1. Hugo Giusti -

    É isso André, valeu a citação!
    Por bem ou por mal, teremos que aprender a ter consideração e responsabilidade para com o próximo.

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