André Giusti - foto: Luana Lleras
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Brasilienses no espelho.

Aos 50 anos Brasília ganha um livro que a coloca frente a frente com suas origens Por Alexandre Pilati.   Aproveitando as comemorações dos 50 anos de Brasília, foi lançado o quarto volume da Coleção Brasilienses. Desde 2004, a coleção tem apresentado à cidade o perfil de nomes expressivos da cultura da Capital Federal. O primeiro [...]

Aos 50 anos Brasília ganha um livro que a coloca frente a frente com suas origens

Por Alexandre Pilati.

 

Aproveitando as comemorações dos 50 anos de Brasília, foi lançado o quarto volume da Coleção Brasilienses. Desde 2004, a coleção tem apresentado à cidade o perfil de nomes expressivos da cultura da Capital Federal. O primeiro volume, intitulado Eu engoli Brasília, de autoria de Carlos Marcelo Carvalho, mostrou a obra e a vida do poeta Nicholas Behr. O segundo volume, lançado em 2006, com texto do jornalista Sérgio de Sá, conta a história de um dos principais nomes da música de raiz brasileira, o violeiro Roberto Corrêa. No terceiro volume, de 2008, foi a vez do fotógrafo e arquiteto carioca Luis Humberto, radicado em Brasília desde 1961. Todas essas personalidades estão entre as mais atuantes no meio cultural de Brasília e já fazem parte de nosso patrimônio histórico e artístico.

No quarto volume: o nosso “quarteto fantástico”

Os Criadores tem textos de Carlos Marcelo, Graça Ramos, Ligia Cademartori e Sérgio de Sá. Os autores escrevem sobre quatro importantes personagens da história de Brasília: Athos Bulcão, Burle Marx, Lucio Costa e Oscar Niemeyer. O livro conta ainda com um poético ensaio fotográfico de Ricardo Labastier e prefácio do cineasta Vladimir Carvalho. Diferentemente dos outros volumes da série, este número da coleção Brasilienses contempla personalidades que não estão mais vivas. A professora Lígia Cademartori se debruça sobre a obra do artista plástico Athos Bulcão e afirma que ela mostra o que há de mais exposto e mais secreto em Brasília. Segundo ela, a obra de Athos é como um espírito de Brasília, “está em toda parte e pode não ser vista” se o passante estiver desatento. Já Graça Ramos, que assina o texto sobre Burle Marx, acentua a preocupação do paisagista em equilibrar com o verde a aridez da capital planejada. Ela analisa o método de criação de Burle Marx e também a importância da presença dos seus jardins na cidade. O jornalista Sérgio de Sá, em seu texto sobre o arquiteto Oscar Niemeyer, aprofunda-se na complexidade do perfil do criador dos principais monumentos de Brasília, procurando mostrar as contradições do seu trabalho. Assim, o texto cria um efeito de distanciamento que não revela nem rejeição absoluta nem louvação irracional ao trabalho do arquiteto. Por fim, o jornalista Carlos Marcelo, no texto sobre Lucio Costa, mostra como as lembranças e vivências íntimas do urbanista acabaram se transformando em elementos fundamentais da ideologia urbana do Plano Piloto.

Declaração de amor e saudade

Este volume da Coleção Brasilienses, portanto, nem bem é lançado e já entra para a história das letras da capital. A partir dos perfis humanos de seus criadores, vai formando para o leitor uma Brasília de carne e osso, pensada por gente de verdade, mas que se transformou em uma cidade monumental, sob a marca do concreto. Não deixa de ser uma declaração de amor aos criadores de uma cidade que é tão desacreditada Brasil a fora, tomada como capital da corrupção e dos privilégios. É também um retrato da saudade de uma Brasília que, antes de ser real, era ainda um belo sonho na mente de seus criadores pioneiros.

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Comentários (2)

  1. André Giusti Autor do post -

    Oi, Ângela. A tendência é a gente se apaixonar. Tomara que você fique.
    Baccio e abraccio.

  2. Angela Giorgio -

    Brasilia p/ mim ainda e’ um miste’rio!
    As vezes amo, outras odeio…
    Dizem que em 2 anos a gente se apaixona e nao quer mais sair….Seeeeeeeeera???

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