André Giusti - foto: Luana Lleras
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Carrossel, do SBT: inocência e pureza na TV

Não me parece tarefa fácil escolher uma boa programação diária de TV para as crianças de hoje em dia. Como pai, procuro fugir da obviedade de canais a cabo como o Disney channel, na minha opinião mais preocupado em condicionar as cabeças dos pequenos para assistirem, quando grandes, às obviedades produzidas para os adultos nos [...]

Não me parece tarefa fácil escolher uma boa programação diária de TV para as crianças de hoje em dia.

Como pai, procuro fugir da obviedade de canais a cabo como o Disney channel, na minha opinião mais preocupado em condicionar as cabeças dos pequenos para assistirem, quando grandes, às obviedades produzidas para os adultos nos outros canais pagos.

Deixá-los expostos à hemorragia dos telejornais e à vulgarização do ser humano ou as receitas de mau ‘caratismo’ exibidas pelas novelas não é, definitivamente, o rumo para se construir uma sociedade melhor. Também não tenho como opção certos desenhos animados capazes de pôr medo até nos adultos.

É claro, sempre há o caminho recomendável dos livros, mas assisir televisão é necessário por que já faz parte da nossa cultura. É até difícil de acreditar, levando-se em conta o nível geral da programação de hoje em dia, principalmente da TV aberta, mas se trata sim de um meio que pode contribuir positivamente para a formação moral de uma pessoa.

E por incrível que pareça, é na TV aberta, mais precisamente no SBT do senhor Sílvio Santos, cuja preocupação maior não parece ser com a qualidade da programação, que encontrei algo condizente com os valores que procuro ter e passar para as minhas filhas.

A novela Carrossel fala de amizade, solidariedade, companheirismo e respeito (aos professores, aos mais velhos, aos animais), sem mostrar a criança como ser infantilizado e, de uma certa forma, imbecilizado.

É claro que a produção passa longe do que se faz no Projac, e os atores, entre eles a maioria dos adultos, certamente não receberão prêmios pelas atuações, mas não me parece que na Globo ou na Record exista alguém dando aula de dramaturgia no ar.

O mais importante é que roteiro e texto levam para as crianças que estão em casa outras crianças, espertas, ativas, engraçadas, preservando o que, na vida real, têm de melhor: a pureza, a inocência, isso mesmo que tantos programas de TV parecem lutar para roubar delas.

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Comentários (6)

  1. Denise Giusti -

    Muito bom texto e real! Assisti alguns capítulos com minhas sobrinhas pequenas, e concordo contigo sobre o que passa o enredo da novela! Rememora programas que assisti, até mesmo já adolescente, como Vila Sesámo, Sítio do Pica-pau amarelo, e um bem antigo mesmo, Teatrinho Troll.

  2. Cláudia Navegantes -

    Concordo com você, André! Minha filha gosta muito e já assisti alguns capítulos com ela. É bem infantil, me lembra algumas novelas e séries da minha época de criança… Vila Sésamo, A Patota, Meu Pé de Laranja Lima, etc.

  3. Maressa Omena -

    Parece tão simples… Pensamos que é preciso um formato milagroso para que a TV se torne educativa e atraente ao mesmo tempo, mas carrossel – sucesso absoluto de audiência na minha geração – está aí para provar o contrário. A dublagem era horrorosa, os diálogos prosaicos, não havia efeitos especiais e, no entanto, ESTÁ SENDO REFILMADO!
    Esta semana visitei o Festival Internacional de Televisão no Teatro Oi Futuro RJ com uma expectativa, admito, extremamente ingênua. Achei que fosse encontrar formatos criativos, conteúdo bem pensado e pessoas falando sobre mudanças profundas e pertinentes no tubo. Em vez disso, vi muita discussão sobre o que interessa para os donos dos grandes canais: interatividade, comportamento do telespectador, como dobrar audiência, novos formatos de financiamento e distribuição… Neste último tópico, um dado que me chamou muita atenção: mais de 70% das pessoas assistem a programação do canal pelo Tablet EM CASA! Ou seja, as pessoas querem controlar (mesmo que minimamente) o que veem. Querem decidir quando e como vão assistir a algo. E outro dado ainda mais instigante: Cada vez mais telespectadores participam de campanhas de Crowdfunding para financiar um determinado conteúdo televisivo, como na experiência da série “Mad Men”. O roteirista propôs o programa, os internautas aprovaram, pagaram adiantado e “Mad Men” foi responsável por dobrar o faturamento da emissora de TV.
    Seria o fim da Era “Homer Simpson” de audiência passiva? Será que, algum dia, poderemos controlar não só o formato, mas também o conteúdo do que assistimos? Ou vamos sempre esbarrar nas desculpas da cultura de massa: “É isso que o povo gosta de assistir”… Será?
    (Desculpa o texto proliiiiiiiiiiixo, mas achei curioso a questão incomodar mais gente na mesma semana)
    Abraço!

  4. raquel -

    É isso mesmo. A TV, como a internet é um meio pelo qual podemos ter acesso a coisas boas ou ruins. É gritante a diferença entre os seriados da Disney channel e a novela Carrossel. A começar pelas gargalhadas da sonoplastia. Parabéns pelo texto, como sempre bem escrito.

  5. Raymundo Júnior -

    André,
    Muito bacana o seu texto e nele, tem muito do que penso!
    Hoje, os pais estão a reboque da Globo, ou seja, antigamente os pais tinham uma programação educacional para os seus filhos, mas agora, ficam correndo atrás de tentar explicar aos filhos, os absurdos que aquela emissora coloca desde o “Vale a Pena Ver de Novo”, Malhação e por aí vai! A tal da novela das 8 então, vai numa delegacia com os seus filhos que eles vão ver algo mais apropriado!
    Chega a ser ridículo! E ainda tem uns idiotas que defendem isto!
    Grande abraço,
    Raymundo Jr.

  6. Rodrigo Santos -

    Assisti alguns capítulos com meu filho mais novo e tive a mesma impressão!

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