André Giusti - foto: Luana Lleras
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Casamento feliz pode ser o que acaba

Existem casamentos que acabaram, mas que foram bem mais felizes do que outros que alcançaram as bodas mais graduadas. É preciso cautela na hora de ligarmos automaticamente a notícia de um divórcio à certeza de um fracasso. Por que será que não deu certo? É a pergunta instintiva. Calma lá. Vivi intensamente 12 anos de [...]

Fonte: www.vidabrasil.com.br

Fonte: www.vidabrasil.com.br

Existem casamentos que acabaram, mas que foram bem mais felizes do que outros que alcançaram as bodas mais graduadas.

É preciso cautela na hora de ligarmos automaticamente a notícia de um divórcio à certeza de um fracasso.
Por que será que não deu certo? É a pergunta instintiva.

Calma lá.

Vivi intensamente 12 anos de um casamento, dos quais ao menos 10 foram felizes, embora não tenha existido mar de rosas, expressão dos mais antigos (e nunca o há na vida a dois). Então, Como posso desprezar uma década de felicidade? Como posso achar que dez anos da minha existência “não deram certo”?

O problema é que assim como a tristeza, a felicidade também acaba, feito um domingo de sol, feito as férias de verão. Só que o fim da linha não anula o trajeto.

Escrevo isso ao ler a notícia de que numa certa cidade do interior – não lembro agora qual – 70% dos homens traem as esposas. Com outros homens. Os números são de agências de detetives particulares. As esposas colocam os investigadores no rastro dos maridos, descobrem tudo…e os casamentos continuam, afinal, em pleno século 21, a imagem perante a sociedade e a escravidão ao maldito “o que os outros vão dizer” valem mais do que a paz da verdade, inclusive sobre a opção sexual. Imagino, aliás, com boa dose de certeza, que essa cidade é apenas uma mostra do que ocorre país afora.

Conheço casais que sustentam a fachada de família feliz com a leniência de um para com a vida paralela do outro, e tantas vezes dos dois para com as vidas “secretas” de ambos.

O divórcio é dolorido, dói bem mais do que dizem por aí. Mas ele pode nos resgatar da mentira, da fachada, da escravidão da imagem de família Doriana para consumo do resto da família e da sociedade. E a gente, apenas nós sabemos, lá no fundo, que não somos felizes quando mentimos para nós mesmos.

Eu e minha ex-mulher recusamos a mentira, primeiramente por amor às nossas filhas, e depois em nome da verdade (feliz) que vivemos por dez anos.

Tenho orgulho de mim mesmo por isso, mesmo motivo pelo qual a admiro muito.

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