André Giusti - foto: Luana Lleras
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formoney.com.br

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O técnico português Paulo Souza tomou um pé na bunda da medíocre e fascista (sim, quem apoia fascista fascista é) diretoria do Flamengo.

Sai pela porta dos fundos da história do clube mais popular do país levando R$ 7 milhões de indenização.

Enquanto isso, em milhões e milhões de casos Brasil afora, quem não está na estatística do desemprego está ralando e dando o sangue na precariedade de subempregos ou então se sujeitando à já costumeira pejotização, em que todos os deveres são do trabalhador e todos os direitos são do patrão.

Se levar um chute no traseiro, mesmo sendo trabalhador talentoso, aplicado e dedicado ganha, no máximo, um muito obrigado, e às vezes nem isso, enquanto um técnico de futebol que mal consegue fazer com que seu time chute a gol embolsa um verdadeiro prêmio de loteria, com o qual eu, por exemplo, decretaria minha aposentadoria.

Por mais que gostemos de futebol (a cada ano, gosto menos, só minha relação com o Flamengo é que mantém vivo meu interesse pelo assunto), não dá para achar normal ou aceitável uma distorção desse tipo, uma verdadeira inversão de valores, ainda mais numa terra em que 33 milhões de pessoas estão sendo goleadas pela fome.

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Dois belíssimos discos.

O primeiro, um dos melhores álbuns que escutei nos últimos anos.

Simplesmente esplêndido.

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O segundo é o disco novo do Marillion, sempre uma ótima banda de se ouvir.

Recomendo os dois.

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Gostar dele já foi contra cultural.

Hoje parece que não é mais tão bem-visto.

É que chega um pessoal, que impõe sua verdade como a verdade universal (bem à moda dos neo pentecostais), e diz “você não pode mais gostar disso “, e veladamente te ameaçam com um cancelamento silencioso.

Bem, quem quiser pode começar.

Eu continuo me amarrando no cara.

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Os Possesos

Acabei de ler o livro mais recente do Leonardo Almeida Filho, sobre quem já escrevi por ocasião de Grande Mar Oceano, obra que caiu no meu gosto.

Talvez Os Possessos não seja a viagem literária do romance anterior do LAF, viagem extremamente prazerosa para o aquele leitor que realmente gosta de sorver a literatura em detalhes de estilo.

O que quero dizer é que li este novo livro muito mais como ser político e cidadão temeroso com os rumos do país do que propriamente como leitor literário (existe esse tipo?).

O personagem é um professor universitário e escritor, desgostoso com os rumos que o Brasil decidiu, por maioria, tomar nos últimos anos.

Ele tem muito de cada um de nós, adeptos da democracia e respeitadores da opinião diferente, da ideologia diversa, desde que esta, claro, não atente contra a vida, a liberdade de expressão e o direito de cada um viver como quer e como bem entende (e com quem bem entende).

Mas para quem gosta, há também boa literatura no livro.

O personagem principal ainda faz traduções de poemas – o que garante a densa e elegante poesia do LAF nas páginas – e escreve crônicas para um jornal.

Essas crônicas, aliás, são um dos pontos altos da obra, e falam de um jeito tão especial de uma Copacabana que, mesmo com sua neurose e caos, dão vontade de voltar correndo pro Rio.

O “cada um de nós” que citei acima, precisa ler Os Possessos, para continuarmos atentos, mas existe uma outra categoria que, a meu ver, precisa ainda mais.

São os isentões, que em 2018 defenderam o voto nulo, sem querer enxergar a clara diferença que existia entre o que foi posto para escolhermos.

Precisam ler para não repetirem a grande enrascada em que meteram o país.

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iPOD

Quando comprei o Ipod, em 2008, me senti o cara mais high-tech do pedaço.

Imaginem só: meus cerca de mil CDs cabendo no meu bolso.

Hoje, 14 anos depois, a Apple anunciou a aposentadoria do mágico aparelhinho que me fez sair do século 20 em termos de música.

Já não há mais revolução nele, apenas um futuro no museu.

E, enquanto lia a notícia, minha vida foi passando pelos meus ouvidos.

AM FM

3 EM 1

Vitrola

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Motoboy

A cada entrega piora a conduta dos motoboys no trânsito em Brasília.

Não há mais contramão para eles, calçada e ciclovia viraram pista e parar na faixa de pedestre, uma conquista da cidade, só se a pessoa já estiver atravessando na frente.

Ultrapassar pela direita há tempos é procedimento padrão.

A esquerda passará a mão na cabeça deles, alegando que os motoboys são explorados pelos aplicativos de entrega, como se exploração trabalhista concedesse passaporte para desrespeitar as leis do trânsito e, consequentemente, o direito dos outros.

A direita dará de ombros, desde que seu pedido seja entregue no tempo estimado.

E ninguém falará que é necessário educação no trânsito para esses rapazes, que na maioria esmagadora dos casos só parecem ter aprendido a se equilibrar na moto e colocá-la para andar como se quisessem voar.

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Foto de Rui Pizarro

Foto de Rui Pizarro

A foto em destaque é de meu amigo, o jornalista Rui Pizarro.

Mostra o amanhecer em Brasília

Pelo o que ele diz em sua postagem, foi tirada no início deste mês, abril.

É belíssima, mas me preocupa, e muito.

Se eu não dissesse o mês, mesmo quem mora aqui há vários anos seria capaz de apostar com tranquilidade que essa foto é de algum dia na virada de agosto para setembro, quando a seca na capital do país tranforma todos nós em amendoins torrados.

Embora hoje, dia 6, esteja um pouco mais fresco, o fato que há mais de uma semana um forte calor, acompanhado de ar seco, atinge a cidade, tudo muito estranho para esta época do ano, quando se já não chove mais tanto quanto no verão, ainda preserva umidade elevada e temperatura pelo menos amena.

E não é o que temos visto, ou sentido.

Mas é claro que o importante é derrubar árvore, floresta para fazer pasto e garantir a picanha pro churrasco da rapaziada, afinal, essa história de aquecimento global é coisa de comunista que quer tranformar o Brasil em Cuba.

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Ontem fui comprar desodorante e quando pedi o que costumo usar, a moça disse que ele havia sido “descontinuado”.

Após a pontada que senti no estômago por causa da palavra que ela usou, perguntei, só para me certificar: “Ele deixou de ser fabricado? É isso?”.

Ao que ela, desconfiada, disse sim.

Talvez eu esteja um pouco pessimista hoje, afinal, é 2ª feira de manhã, mas às vezes dá uma sensação de que esse país piora em tudo a cada dia, inclusive no jeito de as pessoas falarem.

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Ideias para onde passar o fim do mundo

Estive com João Almino uma única vez, em uma bienal do livro de Brasília, exatamente dez anos atrás.

Aliás, esta bienal candanga ocorreu mais uns dois anos, se não me falha a memória, sendo que a última edição parecia mais uma feira de papelaria do que um evento literário.

Nesta primeira mediei um debate do qual Almino tomou parte.

Foi extremamente simpático e gentil comigo (acho que me escutava/assistia em meus tempos de âncora de rádio e TV) e, desde então, me prometi conhecer sua obra.

Levei uma década para pagar a promessa, e comecei com Ideias Para Onde Passar o Fim do Mundo.

A elegância no trato João Almino levou para estas páginas, ambientadas em um lugar que o autor conhece bem: a capital do país.

A partir de uma fotografia, o autor dá vida a personagens que aparecem nela e cria uma narrativa envolvente e lisérgica, descrevendo tipos de uma Brasília histórica que nem sei se existe mais, uma cidade bem mais cosmopolita do que a atual provinciana.

É uma cidade real, de pessoas reais com seus traumas, seus dramas, seus desejos e desenganos, descrita em um livro que é uma ótima oportunidade para que o resto do Brasil saiba que existe uma Brasília para além dos escândalos e desmandos.

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Dragão da inflação

Ontem comprei um produto cujo quilo, há duas semanas, custava pouco mais de R$ 49.

Agora passa de R$ 58.

A maquininha aqui me diz que são 20% de aumento.

Por pior que seja a inflação da pandemia, do Putin ou do facismo neoliberal tupinimquim ela não chega a esse percentual em 15 dias.

Já ouvi de um político com experiência em governos que o pior da inflação é sua cultura, ou seja, é um tal de “tá tudo aumentando, eu vou aumentar também” estipulando parâmetros um tanto aleatórios na cadeia produtiva.

Nela, cada peça (produtor/intermediário/vendedor) dessa engrenagem parece criar sua própria inflação, com base em índices particulares e em cálculos engendrados pelo caráter, de modo geral duvidoso, de nossos empresários e comerciantes.

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