André Giusti - foto: Luana Lleras
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Disco-de-vinil-2

Vi em algum lugar que já saiu uma lista com os 75 melhores discos de 2016.

É mais uma dessas listas feitas a partir sabe-se lá de que critérios, adotados por quem não temos a menor ideia de quem seja e com finalidades e objetivos ainda mais desconhecidos.

Mas o grande problema dessas listas nem é ignorarmos suas origens e reais intenções.

O que mais me angustia em todas elas são dois pontos.

O primeiro é que pelo menos eu desconheço no mínimo a metade dos selecionados, o que me faz me sentir um ignorante estúpido desconectado na era da informação.

E o segundo, até mais justificável, é que com a vida que se leva, se fôssemos realmente, de verdade, tentarmos escutar os melhores discos de todos os anos, ainda estaríamos na lista de 1982.

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Repdrodução

Não entendam como reflexão espiritualista o que vou dizer. Muito menos religiosa.

Mas vendo a foto de Sérgio Cabral de frente, corpo inteiro e perfil para identificação no presídio – como qualquer outro preso – me ocorre que certos poderes, como o próprio poder, não nos são concedidos para proveito próprio.

Riqueza, inteligência, liderança, cultura são instrumentos postos em nossas mãos para que contribuamos com o todo, nunca para o benefício individual.

A fatura disso tudo, me parece, é fomentar a melhoria do coletivo.

Caso contrário, isso que é dado a alguns e os destaca na multidão de seus iguais será tomado em algum momento, de alguma forma, com um duro aviso de que não era nosso, era só emprestado com finalidade e para uso nobres.

Dúvidas?

Vejam a foto do Cabral.

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Pop Sapiens

Pop Sapiens

Meu conterrâneo e velho camarada na lida da reportagem, Jorge Eduardo, possivelmente o melhor texto da imprensa da capital do país, diz que quando a esquerda ganha é democracia; quando perde, é golpe, manipulação e fascismo.

Pelo conjunto de suas últimas postagens, percebo que meu colega de profissão se refere à eleição de Marcelo Crivella no Rio. Reconheço que na derrota, há na esquerda, em algumas ocasiões, choro semelhante ao da torcida do Botafogo.

O bispo se tornará alcaide da cidade maravilhosa por vontade democrática da maioria dos responsáveis pelos votos válidos. Concordo.

Mas só tenho a acrescentar que a vontade da maioria pode carregar sim muito preconceito, e  que boa parte dessa maioria pode ser racista, machista e homofóbica, além de não estar nem aí para garantias constitucionais, como, por exemplo, a liberdade de culto religioso.

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Giustipress

Giustipress

Samambaia, Distrito Federal. A beleza da solidão e do abandono da manhã cinza.

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planeta aurora

planeta aurora

Por acaso, alguma coisa mudou na Lua? Está maior, mais próxima da Terra?

A não ser que isso tenha acontecido, me parece que a tão badalada ‘ super lua’, nome que inventaram  de uns tempos pra cá, nada mais é que a boa e velha (e linda) lua cheia do sertão, das montanhas e do litoral; das histórias de amor e de lobisomem; dos namorados e dos pretos velhos; dos terraços e das encruzilhadas.

Que a novidade da “mudernidade” me desculpe, mas vou continuar chamando minha namorada para tomarmos vinho e ouvirmos blues à luz da lua cheia.

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Pai, segura minha bolsa pra eu ir ao banheiro.

Giustipress

Giustipress

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Asa Norte, Brasília, DF Giustipress

Asa Norte, Brasília, DF
Giustipress

Grafite 2 Grafite 3

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passarosdevidro.wordpress.com

passarosdevidro.wordpress.com

Já não era de agora que Antognioni Patrese desconfiava seriamente de que Maria Ismália não era mesmo uma pessoa de verdade, ou seja, alguém de osso carne pele músculo que nasce cresce morre e faz no intervalo disso o que for possível.

Era muito encantamento pra serem de gente normal o mistério doce do olhar vivaz e os cabelos meio em desalinho trazendo sempre ideia de vento em praia vazia.

Até que Mardochil, o sábio de bolso que Antognioni trazia consigo para esclarecer dúvidas sobre as cores dos caleidoscópios, confirmou a pulga que morava atrás da orelha do outro.

Maria Ismália realmente não nascera de um ventre humano, fruto de conluio carnal entre homem e mulher. Ela é personagem de um livro infanto-juvenil de muito sucesso nos anos 60, lido em todas as escolas de normalistas.

Ela era moça simples e bela, que tratava com justiça, pelo nome e com sorriso o homem da carroça, a preta que engomava roupas, o negrinho tísico, vendedor de garrafas, arrimo de família.

Lia histórias para crianças pobres e dava comida aos bichos doentes. Nas horas vagas falava de poesia e tocava piano para as flores, melhorando o canto dos pássaros.

Até que um dia, uma menina esqueceu o livro aberto e pegou no sono. Curiosa, Maria Ismália escapou da página em que a leitura fora interrompida e veio ver a vida aqui fora.

Quando tentou voltar, a menina havia fechado o livro e guardado na estante.

A edição se esgotou, o escritor morreu, a editora faliu, e apesar do sucesso, nunca mais outra edição.

Dizem que nem no sebo se encontra.

Desde então, Maria Ismália vive por aí, eterna e encantada como era na história, fazendo do mundo seu grande livro.

 

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boy playing a guitar

gol

Não fazia a mínima ideia do que era colofão. Até que o Eduardo Lacerda e o Ricardo Escudeiro me pediram um para o meu primeiro livro de poemas – Os Filmes em que Morremos de Amor -, que já tá lá no forno da Patuá. A página da editora ( http://www.editorapatua.com.br/), explica que colofão é um texto que “deve relacionar uma experiência particular do autor com o livro e com a proposta da editora, a de que livros são amuletos”.

Me empolguei com a ideia e acabei escrevendo dois. Eles lá que escolham um.

1.
E como desde a década de 90, por ocasião de uma namorada difícil de conquistar, Melquíades Anatole não escrevesse sequer um único verso, já não mais se considerava poeta. Até que Mardochil, seu sábio de bolso para situações de baixa estima, soprou-lhe no melhor ouvido: “Sabe aquela batida de trivela que você deu na tampinha de refrigerante outro dia na porta da funerária?” Sim, Melqui se lembrava. “Pois é, só os poetas conseguem bater de trivela numa tampinha de refrigerante, fazendo com que ela levante voo e entre na gaveta, entre o asfalto e o chassi do carro, triscando o pneu traseiro como se fosse trave. E ainda comemorar achando que foi realmente gol”.

2.
Num domingo chuvoso de 1985, aos 17 anos completos, Anastácio Jochen Mass convenceu-se de que jamais seria guitarrista, devido à total inépcia para fazer vibrar as cordas do instrumento. Subir o Himalaia de joelhos lhe seria mais palatável que algum dia solar Starway to Heaven. Até que Mardochil, seu sábio de bolso para situações de baixa estima, apareceu-lhe pela primeira vez e recomendou: “Escreva poesia!”. Sem entender, Jochen desprezou o conselho: “Eu quero fazer barulho, poesia não faz barulho…”, ao que o sábio redarguiu de bate pronto: “Faz sim! Dependendo de quem ouça, faz muito barulho. Faz tanto barulho, que é capaz de deixar o sujeito sem dormir”.

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As Forças Desarmadas

Por ocasião de feriado de sete de setembro, postei no feici búqui que meu desfile do Dia da Independência seria com trabalhadoras, campoenses, médicos, professoras e por aí vai.

Nada contra os militares, mas até hoje não entendo porque, sendo a pátria e sua independência (?) lugar e conquista de todos, porque, então, apenas um estrato da sociedade deve estar representado na marcha comemorativa?

Bem, mas não é sobre isso que quero falar.

Encerrei o post daquele dia avisando que meu desfile seria o das forças desarmadas, e é aí que entra o que tenho a dizer.

As Forças Desarmadas foi um dos belos livros de contos que li em minha vida, ainda bem jovem, mas o curioso é que só cheguei a essa conclusão algum tempo atrás, já bem mais pros 50 do que pros 40.

O autor, Júlio César Monteiro Masrtins, apresentava um pequeno programa sobre livros e literaturea na primeira rádio em que trabalhei em minha vida profissional, ainda como estagiário, a Estácio FM.

Em uns dez ou doze contos (não lembro bem, não tenho mais o livro na estante, apenas em minha lembrança), Júlio César apresenta uma visão crítica da juventude da época – primeira metade da década de 80 -, perdida nas drogas e no tal vazio existencial da falta do que e de quem amar, oprimida pela agonizante ditadura militar e já escravizada pela indústria cultural.

Acho que o livro tem um cheiro de Caio Fernando Abreu, grande influência da época. Se por acaso você aceitar minha dica e se interessar em ler, diga depois se achou o mesmo.

Júlio César Monteiro Martins escreveu mais livros. Lembro que li outros dois, mas me passaram em branco.

Fiquei anos sem ter e procurar notícias dele. E sem lembrar de As Forças Desarmadas.

Até que, há não muito tempo, soube pela internet que fora viver na Itália ainda nos anos 90, me parece.

E que falecera em 2014.

Impactado pela notícia, o nome do livro pulou automaticamente de velhos fichários mentais, trazendo pela mão seu conteúdo e seu valor.

Saiu do ostracismo de minha memória de meia idade para desfilar na avenida chamada Livros da Minha Vida.

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