André Giusti - foto: Luana Lleras
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Arte: Gurulino 115 norte Brasília - Df

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Giustipress

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É de se supor, com uma boa margem de convicção, que Tony Ramos jamais imaginou que o frigorífico do qual foi garoto propaganda enfiava pela nossa goela abaixo papelão e outras impropriedades de digestão difícil.

O tempo e a própria conduta nas vidas pessoal e profissional do ator vão se encarregar de desfazer qualquer mal estar inicial, mas é inegável que fica ao menos um leve arranhão de imagem nesses primeiros momentos pós revelação do escândalo.

É o mesmo caso de Fátima Bernardes.

Pelo que me recordo, Faustão fez propaganda de um carro chinês que começava a dar defeito logo que o comprador dobrava a esquina da concessionária.

Cidinha Campos, deputada e famosa radialista no Rio, posou na TV falando das maravilhas de um condomínio no litoral, cujas casas, pelo que também lembro, nunca foram entregues.

Baita prejuízo de imagem, que nos dois casos até acabou diluído por causa das asneiras que ele fala semanalmente na TV, e por causa da conduta política dela na eleição para prefeito no ano passado ao apoiar a candidatura de um sujeito que batia na mulher.

Definitivamente situações diferentes de Tony Ramos e Fátima Bernardes.

Anunciar bife da Friboi ou presunto da Seara deve melhorar consideravelmente as finanças no fim do mês, mas o absurdo revelado pela operação da Polícia Federal deve servir de alerta para quem tem imagem (boa) a zelar, porque a cada dia que passa, infelizmente, a desconfiança sobre tudo e todos deve ser usada como precaução inicial nesse país.

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Beto Barata/PR

Beto Barata/PR

Lamentáveis as declarações do presidente Michel Temer por ocasião do Dia Internacional da Mulher. Se tivesse ficado calado, como se houvesse ignorado a data, teria lucrado mais.

Com os modos polidos com que costuma falar, Michel Temer reservou à mulher o único papel que a ela cabe no universo no qual certamente o presidente foi criado. Universo este que é o mesmo de quem o sustenta politicamente e de quem fez de tudo para que saísse quem estava antes no lugar que ele ocupa agora.

O que se poderia esperar de um Presidente da República no Dia Internacional da Mulher em pleno século 21, num país de tantas (ainda) desigualdades de gênero? Que ao menos se esforçasse para condenar a violência contra as mulheres, que falasse, mesmo que rapidamente, sobre as diferenças salariais, por exemplo.

Nenhuma letra sobre nada do que é realmente significativo quando o assunto é a mulher na sociedade atual.

Pra piorar, mandaram a primeira dama balbuciar também algumas palavras. Chegou a falar de realidade e intolerância, conforme deve ter sido ensaiado, mas daquela maneira bem insossa, que lhe é peculiar. Mas é compreensível. A cada mil países no mundo, dois no máximo devem ter uma primeira dama feito Michelle Obama.

Quando li o discurso presidencial, citei mentalmente Renato Russo: “Voltamos a viver como há dez anos atrás…”, mas de imediato me lembrei que dez anos atrás tínhamos um país pujante, como minha geração, nascida na ditadura militar, jamais viu.

Na verdade, voltamos a viver como 50 anos atrás.

Presidente, com todo respeito, pegue sua esposa e volte pra sua casa, para que o país possa primeiro retornar ao século 21 e depois tentar caminhar em direção ao futuro.

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Há muitos anos eu não chorava no cinema, acho que desde O Filho da Noiva, há quase 15 anos.

E ontem voltei a chorar. Chorar copiosamente, e por muito esforço não solucei.

E chorei porque o filme te faz sentir, quase que na carne e como se fosse tua, a dor do personagem.

Chorei porque o filme não dá lição piegas de superação e nem receitas encantadas para tal, mas porque mostra que não superar uma situação é sim, tantas e tantas vezes, algo muito normal e extremamente humano, que não nos faz pior do que ninguém.

E antes que eu me esqueça, independentemente de eu não ter visto os outros candidatos, Casey Aflleck deve realmente ter merecido o Oscar de melhor ator.

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Informal e Ilegível

Informal e Ilegível

- Você é carioca, né?
- É, sou…
- Gosta de samba, óbvio…
- Não, não gosto…
- Ué, ruim da cabeça, doente do pé?
- É, talvez, a primeira opção, principalmente…
- Aha ha ha!
- …he he he…
- Mas de carnaval você gosta, claro!
- Também não, nem um pouco…
- Mas carioca que não gosta de carnaval??????
- Pra você ver, né?
- Mas alguma escola de coração você tem…pra qual você torce?
- Pra todas…
- Pra todas???????
- É, pra todas deixarem de existir…
- …
- …
- Então, tá. Tchau.
- Valeu.

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Eu, Daniel Blake

É provável que quem não viu não consiga mais assistir a Eu, Daniel Blake, Palma de Ouro em Cannes, em 2016. Até semana passada ele andou em um ou outro cinema escondido aqui ou ali. Hoje procurei na programação aqui em Brasília, mas já não encontrei.

É pouco provável também que o NetFlix vá exibir. Em todo o caso, vamos torcer para que algum distraído funcionário da programação do canal não perceba que o filme é uma porrada no sistema no qual o NetFlix tá grudadinho.

A história se passa na Inglaterra e é sobre dois desempregados: um viúvo e uma mãe solteira, com dois filhos. Não pensem em filme de amor, porque de cor de rosa não há nada.

Eu, Daniel Blake mostra na tela a crueldade com que o mercado financeiro age na Europa. Em outras palavras, é a versão “quer que eu desenhe?” do que os banqueiros impuseram, nos últimos anos, aos trabalhadores do velho mundo via governos liberais e servos do mercado.

Te é familiar essa situação? Pois é, nada de diferente do que sempre fizeram no terceiro mundo.

Em nome das tais contas públicas, a burocracia estúpida do estado mata os mais necessitados a mando do mercado financeiro.

No caso do filme, mata ou manda para a prostituição.

Porque o importante é o lucro dos bancos, batizado pelos noticiários de equilíbrio fiscal.

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Giustipress

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- O Cara ali falou que não acredita em você, tá ligado?

Deus olhou.

- Qual é a dele? – perguntou.

- Sei lá, vive de boa…

- Como assim de boa?

- Sei lá, não faz fofoca, não é traíra, não diz uma coisa e faz outra pelas costas…

- Sei…

- Outro dia pagou um lanche pro engraxate que não tinha escovado um sapato. Comprou também remédio pra tia sem perna que fica na esquina pedindo…

- Sei…

- Ele não contou não. Eu que vi e tô te dizendo. Ele é de boa, só diz que você não existe, que não fez nada disso aí que dizem…

Deus pensa. Aí fala.

- Olha, tenho que resolver o caso de um padre que abusava das crianças atrás da igreja. Tem também o pastor que tomou a aposentadoria da velhinha cega, e o presidente de centro espírita que fala em caridade, mas não lava nem a louça pra mulher…

- Sei. E aí?

- Deixa o cara pra lá, tô preocupado se ele acredita em mim não. Tenho mais o que fazer, tá ligado?

- Podicrê. Valeu, Deus!

- Valeu. E se liga você também, fica esperto.

- …

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O Camundongo

O Camundongo

Você que não mora em Brasília, ou sequer a conhece, talvez não saiba que ela não é exatamente uma repartição a céu aberto.

Antes de ser capital do país, é uma cidade.

Com gente morando.

E onde há gente, há problemas.

E um deles, em Brasília, parece ser a vontade inabalável de parte da sociedade, incluindo o estado, de torná-la a capital nacional, quiçá mundial, da chatura e da caretice.

O portal Metrópoles noticia hoje que uma chilena foi presa no metrô de Brasília porque estava cantando (http://www.metropoles.com/distrito-federal/chilena-e-presa-apos-cantar-em-estacao-do-metro-df ). Seguranças deram-lhe uma espécie de chave de braço não porque ela estava fazendo arruaça, depredando o patrimônio, roubando outros passageiros, mas porque estava cantando.

Música no metrô, que mundo afora e mesmo no Brasil torna estações locais menos inóspitos, é proibido por decreto em Brasília.

Duas semanas atrás, o mesmo portal noticiou que em um prédio de uma quadra nobre as crianças eram proibidas de brincar na portaria.

Moradores que se recusam a viver numa cidade morta foram para baixo desse prédio (aqui chamam de bloco) e fizeram manifestação com palhaços, brincadeiras de roda e coisas afins. Parece que deram jeito na insensatez do estatuto do condomínio.

Mais conhecida talvez seja a Lei do Silêncio, que proíbe música ao vivo nos bares.

Admito em alguma parte a razão das pessoas que moram junto a esses lugares, mas quem pode viver num lugar em que não se ouve um som de violão, uma voz afinada atravessando a noite?

Neste caso, até o momento pelo menos, nada de consenso, nada de um meio termo, apenas a construção da chatice e da caretice.

Brasília, a capital do país, acusada injustamente de ser a culpada pela cultural e enraizada roubalheira nacional, é uma cidade que adoece mentalmente a passos largos.

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