André Giusti - foto: Luana Lleras
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Blog Televendas & Cobrança

Blog Televendas & Cobrança

Na última terça-feira, com pouco mais de um minuto de abertura do sistema para adesão ao plano de demissão voluntária e aposentadoria do Banco do Brasil, já havia quase 700 funcionários inscritos.

Segundo quem presenciou esses primeiros instantes, ao clicarem no ícone que confirmava a adesão, as pessoas gritavam de alegria. Como se grita quando o filho nasce, quando o time é campeão.

Quem está de fora, acaba enxergando nessa explosão de felicidade um momento breve que parece resumir o sentimento de toda uma vida, de 20, 30 anos dentro de uma empresa.

“Eu optei por isso para ter estabilidade, não ser mandado embora, ter um bom salário em dia, para pagar com folga minhas contas todos os meses”, muitos dizem. “Agora, me aposentando, vou ser feliz”, outros complementam.

Ao longo de décadas de trabalho, formulando estratégias para a conquista de espaço no sanguinário mercado financeiro ou finalizando relatórios com encaminhamentos inexequíveis para questões insolúveis, estariam quantos bons médicos, dentistas, arquitetos, bailarinos, músicos, atores, advogados, assistentes sociais?

Quanto poderia ter sido, e não foi. Por opção. Por escolha. E há de se pensar, numa análise de quem está de fora, por medo.

E no rastro disso, não é exagero conjecturar: quantas sessões de terapia, quantos filhos postos de lado, quantos episódios de alcoolismo, quantos casamentos desfeitos e quantos outros que se desfizeram sem acabar.

Muitos de nós, a maioria, talvez, somos prisioneiros de uma cultura patriarcal/matriarcal que vira escravidão ao longo da vida: é preciso ter, pagar, amealhar e garantir para deixar de herança aos escravinhos que poremos no mundo, que a exemplo de nós devem viver abrindo mão dessa coisa que gasta energia, toma tempo, que é tentar ser feliz.

Pelo menos até a aposentadoria.

 

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Rodrigo Gurgel

Rodrigo Gurgel

1 – Depois que você desliga o computador e entra no banho, vem à cabeça aquele parágrafo inteiro que você tentou durante uma hora e não conseguiu escrever.

2 – Quando sua namorada perguntar se você vai escrever, nunca diga que vai. Diga que vai tentar, porque escrever é um negócio tão imprevisível, que na verdade a gente nunca sabe se vai conseguir.

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Disco-de-vinil-2

Vi em algum lugar que já saiu uma lista com os 75 melhores discos de 2016.

É mais uma dessas listas feitas a partir sabe-se lá de que critérios, adotados por quem não temos a menor ideia de quem seja e com finalidades e objetivos ainda mais desconhecidos.

Mas o grande problema dessas listas nem é ignorarmos suas origens e reais intenções.

O que mais me angustia em todas elas são dois pontos.

O primeiro é que pelo menos eu desconheço no mínimo a metade dos selecionados, o que me faz me sentir um ignorante estúpido desconectado na era da informação.

E o segundo, até mais justificável, é que com a vida que se leva, se fôssemos realmente, de verdade, tentarmos escutar os melhores discos de todos os anos, ainda estaríamos na lista de 1982.

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Repdrodução

Não entendam como reflexão espiritualista o que vou dizer. Muito menos religiosa.

Mas vendo a foto de Sérgio Cabral de frente, corpo inteiro e perfil para identificação no presídio – como qualquer outro preso – me ocorre que certos poderes, como o próprio poder, não nos são concedidos para proveito próprio.

Riqueza, inteligência, liderança, cultura são instrumentos postos em nossas mãos para que contribuamos com o todo, nunca para o benefício individual.

A fatura disso tudo, me parece, é fomentar a melhoria do coletivo.

Caso contrário, isso que é dado a alguns e os destaca na multidão de seus iguais será tomado em algum momento, de alguma forma, com um duro aviso de que não era nosso, era só emprestado com finalidade e para uso nobres.

Dúvidas?

Vejam a foto do Cabral.

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Pop Sapiens

Pop Sapiens

Meu conterrâneo e velho camarada na lida da reportagem, Jorge Eduardo, possivelmente o melhor texto da imprensa da capital do país, diz que quando a esquerda ganha é democracia; quando perde, é golpe, manipulação e fascismo.

Pelo conjunto de suas últimas postagens, percebo que meu colega de profissão se refere à eleição de Marcelo Crivella no Rio. Reconheço que na derrota, há na esquerda, em algumas ocasiões, choro semelhante ao da torcida do Botafogo.

O bispo se tornará alcaide da cidade maravilhosa por vontade democrática da maioria dos responsáveis pelos votos válidos. Concordo.

Mas só tenho a acrescentar que a vontade da maioria pode carregar sim muito preconceito, e  que boa parte dessa maioria pode ser racista, machista e homofóbica, além de não estar nem aí para garantias constitucionais, como, por exemplo, a liberdade de culto religioso.

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Giustipress

Giustipress

Samambaia, Distrito Federal. A beleza da solidão e do abandono da manhã cinza.

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planeta aurora

planeta aurora

Por acaso, alguma coisa mudou na Lua? Está maior, mais próxima da Terra?

A não ser que isso tenha acontecido, me parece que a tão badalada ‘ super lua’, nome que inventaram  de uns tempos pra cá, nada mais é que a boa e velha (e linda) lua cheia do sertão, das montanhas e do litoral; das histórias de amor e de lobisomem; dos namorados e dos pretos velhos; dos terraços e das encruzilhadas.

Que a novidade da “mudernidade” me desculpe, mas vou continuar chamando minha namorada para tomarmos vinho e ouvirmos blues à luz da lua cheia.

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Pai, segura minha bolsa pra eu ir ao banheiro.

Giustipress

Giustipress

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Asa Norte, Brasília, DF Giustipress

Asa Norte, Brasília, DF
Giustipress

Grafite 2 Grafite 3

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passarosdevidro.wordpress.com

passarosdevidro.wordpress.com

Já não era de agora que Antognioni Patrese desconfiava seriamente de que Maria Ismália não era mesmo uma pessoa de verdade, ou seja, alguém de osso carne pele músculo que nasce cresce morre e faz no intervalo disso o que for possível.

Era muito encantamento pra serem de gente normal o mistério doce do olhar vivaz e os cabelos meio em desalinho trazendo sempre ideia de vento em praia vazia.

Até que Mardochil, o sábio de bolso que Antognioni trazia consigo para esclarecer dúvidas sobre as cores dos caleidoscópios, confirmou a pulga que morava atrás da orelha do outro.

Maria Ismália realmente não nascera de um ventre humano, fruto de conluio carnal entre homem e mulher. Ela é personagem de um livro infanto-juvenil de muito sucesso nos anos 60, lido em todas as escolas de normalistas.

Ela era moça simples e bela, que tratava com justiça, pelo nome e com sorriso o homem da carroça, a preta que engomava roupas, o negrinho tísico, vendedor de garrafas, arrimo de família.

Lia histórias para crianças pobres e dava comida aos bichos doentes. Nas horas vagas falava de poesia e tocava piano para as flores, melhorando o canto dos pássaros.

Até que um dia, uma menina esqueceu o livro aberto e pegou no sono. Curiosa, Maria Ismália escapou da página em que a leitura fora interrompida e veio ver a vida aqui fora.

Quando tentou voltar, a menina havia fechado o livro e guardado na estante.

A edição se esgotou, o escritor morreu, a editora faliu, e apesar do sucesso, nunca mais outra edição.

Dizem que nem no sebo se encontra.

Desde então, Maria Ismália vive por aí, eterna e encantada como era na história, fazendo do mundo seu grande livro.

 

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