André Giusti - foto: Luana Lleras
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Poë d sol 2

Pör do sol

Brasília Tarde Pontão

Cõrrego do Urubu

Foto Ana Maria de Souza

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Chuveirinho

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Meus primeiros poemas datam de meus quinze, dezesseis anos.

Quando você começa a escrever poesia, é normal que imite autores que lê e admira. E eu imitava descaradamente os poetas românticos.

Verdes e imaturos, meus primeiros poemas eram uma falsificação grosseira de Castro Alves e Álvares de Azevedo, de quem, até hoje, tenho decorado a Lira dos Vinte Anos.

No meu também incipiente universo de leitor, eu não enxergava na poesia, até os dezesseis anos, nada que não carregasse a extravagância, a dor e as desgraças amorosas do século 19 e suas tabernas, bordeis e teatros.

Até que aos 17 me caiu nas mãos Drops de Abril. Mais do que o título, me chamou a atenção o nome do autor.

Corria o lendário ano de 1985, quando o país era embalado pelo som das guitarras (Rock in Rio, Legião estourando, Barão decolando, etc). E quando li Chacal pela primeira vez, foi como se ouvisse o som de uma guitarra distorcida.

Reconheci naqueles versos soltos, livres, sem normas e etiquetas acadêmicas, a verdade da minha geração, que, começando a respirar os ventos da redemocratização, tinha ( e sempre teria) bastante do ranço dos anos 70, que tanta inspiração levou ao poeta um tantão de anos mais velho do que eu.

Ele falava de pisar na grama, deitar, rolar, tirar o sapato na festa, ligar pra namorada do orelhão da esquina. E isso era muito eu, era muito todos nós que tínhamos 17 anos.

Lendo Chacal, eu descobri que não vivia em 1800 e tanto, mas sim naquela eufórica e ao mesmo tempo fatigada década de 1980. Minhas musas não frequentavam os balcões do Municipal, mas sim os bailes da Tijuca, os bares do Leblon e da Gávea.

Lendo Chacal, eu confirmei o que havia descoberto ouvindo meus discos e rádios como a mitológica Fluminense FM: eu não queria ser poeta, eu queria ser guitarrista, eu queria fazer barulho.

Pro bem da humanidade, começando pela minha vizinhança, meu pai não me deu uma guitarra.

Então, me sobraram a poesia e a literatura de uma forma geral.

Mas não é por isso que desisti de fazer barulho. Quando escrevo – acreditem! -, dentro de mim eu toco tal como um Angus Young e canto feito Bono Vox e Renato Russo.

E foi lendo Chacal que aprendi que dava pra fazer poesia como quem faz um pouco de Rock’n Roll.
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Ainda tem uma gota de futebol brasileiro ou já acabou?

pt.depositphotos.com

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André Oliveira/flickr

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No país da intolerância à opinião contrária, a liberdade de expressão obteve uma vitória expressiva no Supremo Tribunal Federal.

Todos os nove ministros presentes à sessão desta quarta-feira (10) decidiram que biografado e muito menos a família dele precisam autorizar a publicação de um livro sobre sua vida.

9 x 0, uma goleada a favor da democracia. Uma brasa, mora?

A decisão do STF vai impedir que a sociedade seja privada, como foi durante certo tempo, de ler, por exemplo, A Estrela Solitária, de Ruy Castro, sobre a vida de Garrincha. Um espetáculo de livro.

Parece que finalmente vamos saber o que Paulo César de Araújo conta sobre Roberto Carlos em Detalhes, o polêmico livro que praticamente ninguém conseguiu ler, pois a exemplo do que fez com o livro de Ruy, a Justiça preservou o Rei de que passagens obscuras sobre sua vida subissem ao palco iluminado da informação e do conhecimento público.

Como fã de Roberto em seus discos dos anos 60 e 70, quero sim muito saber como, afinal, ele perdeu parte da perna, uma coisa sobre a qual ele nunca se manifestou, mas que, apesar de seu silêncio, é notória como marcou sua vida. O que, aliás, não era para menos.

Submeter a publicação de uma biografia ao famoso ou à família dele é a mesma coisa que um jornalista submeter sua matéria à autoridade sobre quem ele está escrevendo.

Aos famosos que se incomodarem com suas biografias, há o caminho dos tribunais. Entrem na Justiça contra o autor, para que desminta o que por ventura for mentira. Isto, inclusive, está mais do que previsto na decisão do STF.

Com a decisão do STF, será bem simples não correr o risco de ser biografado: é só não se tornar famoso.

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Fonte www.companhiadasletras.com.br

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Fonte www.humaniversidade.com.br

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Há exatamente 13 horas ele postou aqui no feici búqui uma brincadeira com os torcedores do time adversário.

Treze horas. Pouco mais da metade um dia.

Agora, pela caixa de mensagens particulares, recebo a informação de que ele morreu esta madrugada. Uma complicação qualquer, decorrente de uma pneumonia, travou o coração e pôs o ponto final em sua vida. Sua conta continua, até que algum parente a encerre. Ou não, mantendo-a viva feito sua lembrança.

Por mais que seja nossa única certeza, a morte terá sempre o poder de nos puxar o tapete, de tirar a cadeira na hora em que vamos sentar.

E em tempos de redes sociais, parece que quando é de repente, torna-se estupidamente mais repentina.

Postou ontem. Morreu de madrugada.

Nos dias de hoje, passar da vida para a morte pode ser tão rápido quanto publicar alguma coisa na rede social.

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Ser pai de - piscina

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Fonte vsegurosconsultoria.blogspot.com

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O cenário é o estacionamento de um dos melhores colégios de Brasília e provavelmente do país. O estacionamento fica ao lado, ocupa um terreno do mesmo tamanho do terreno do colégio, e precisa ser assim, afinal são cerca de seis mil alunos.

O nível do ensino é proporcionalmente inverso ao nível de gentileza que os pais e responsáveis adotam dentro do estacionamento.

Tente sair de uma vaga em horários de entrada e saída dos alunos. É tarefa mais difícil do que as provas do próprio colégio.

Com milhares de alunos, a fila de carros que se forma é gigantesca. Luz de ré acesa, movimento do carro deixando claro qual é a intenção do motorista, mas ninguém para, ninguém cede a vez, mesmo que haja um gesto de mão pedindo clemência.

Outro dia, no estres de conseguir sair da vaga, um motorista ouviu do outro, que não lhe deu passagem: a preferência é minha, mostrando que na sociedade de hoje preferência é mesmo mais importante que gentileza. Como se o filho de um não fosse colega do filho do outro, como se no dia seguinte quem nega a passagem não fosse precisar que alguém lhe cedesse a vez.

A falta de coletivismo incentiva atitudes que em nada melhoram a situação. O pai de um aluno meteu o dedo na cara de um motorista de van escolar, que também lhe negara passagem, e disse aos berros: você serve pra transportar gado, e não criança. O banzé pode não se justificar, mas não deixa de ser compreensível.

No estacionamento dessa escola, é de se perguntar por que os pais gastam tanto dinheiro com a formação dos filhos, se o básico, o que é de graça, eles não dão: a educação para que respeitem e considerem o próximo, o semelhante.

Ali, naquele lugar, nunca se fez tão necessária a reflexão: que filhos vamos deixar para o mundo?

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Reprodução

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Ganhei Apontamentos de História Sobrenatural de meu velho pai quando eu tinha 15 anos.

É uma idade perigosa para se ler poesia. Você pode ser capturado por ela e nunca mais ser devolvido ao mundo dos certos, sensatos, coerentes e ponderados.

Foi o que aconteceu comigo.

Além de ter 15 anos, eu provavelmente estava apaixonado, pois jamais me esqueci deste poema, chamado O vento.

“Havia uma escada que parava de repente no ar
Havia uma porta que dava para não se sabia o quê
Havia um relógio onde a morte tricotava o tempo

Mas havia um arroio correndo entre os dedos buliçosos dos pés
E pássaros pousados na pauta dos fios do telégrafo

E o vento!

O vento que vinha desde o princípio do mundo
Estava brincando com teus cabelos…”

Mário Quintana tinha um quê bem latente de misticismo, mas que no geral passava longe da religiosidade e distava muito, mas muito mesmo, do esoterismo. Também por este aspecto – o místico – ele me conquistou de cara.

Mas o determinante para que se torna-se meu poeta favorito (ele ganha apenas por meio corpo de Drummond e Leminsky, mas ganha) foi seu jeito. Quintana não era poeta apenas porque escrevia. Era poeta porque vivia como poeta, e poesia é algo muito além de escrever. Poesia é a forma como se olha a vida, e pra isso nem é necessário escrever uma linha.

Além desse lado docemente fantasmagórico, Quintana era divertido em seus poemas, irônico, debochava da sociedade de uma modo quase infantil, tamanha a pureza com que fazia isso.

E era romântico, um romantismo totalmente oposto à pieguice e ao romantismo enjoativo feito glacê de bolo.

Quintana faz parte não apenas do meu mundo de leitor, ele habita até hoje meu mundo de homem, de pessoa.

Desde que li o poema acima, o vento do princípio do mundo esteve sempre brincando com os cabelos de todas as mulheres que amei.

Reprodução

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Fonte www.allposters.com.br

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É óbvio que ninguém gosta de alguém por que quer gostar. Se fosse assim, não haveria sofrimento, muito menos dupla sertaneja.

A gente gosta porque gosta, e em boa parte dos casos não consegue a explicação.

Mas quem sabe o tempo e as cicatrizes nos ajudem a entender que é melhor gostarmos de uma pessoa que se pareça conosco naquilo que temos de bom, que tenha ao menos algumas das nossas (poucas ou muitas) qualidades.

Evitemos, depois de tanta ladeira e trilha acidentada, nos envolvermos justamente com quem possui alguns (ou quase todos) dos nossos defeitos, principalmente os piores.

Procuremos querer aqueles ou aquelas que, a exemplo de nós, gostem de lua derramada em espelho d’água, ou que se lembrem com exatidão do perfume da mata na estrada para Ouro Preto de manhã cedo.

Fujamos, por experiência acumulada, de quem se assemelha a nós naquilo que temos de pior, sejam as inseguranças, os ciúmes descabidos, os complexos de superioridade ou inferioridade, as mesmas invejas.

A possibilidade de as coisas darem certo no primeiro caso é real, mesmo que ainda não tenhamos comprovado, porque, quem sabe, nunca encontramos alguém que se irmane a nós em nosso lado bom da força.

No segundo caso, as hipóteses de sucesso são quase nulas.

E disso nós sabemos muito bem, a ponto de podermos evitar.
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O Encontro Marcado

Quando eu li O Encontro Marcado pela primeira vez, eu tinha apenas 15 anos.

Reli-o outra vez aos 17 e uma terceira, já adulto, com 20 e tantos, o que me provou que, na primeira leitura, eu não tinha maturidade suficiente para entender o principal romance de Fernando Sabino e um dos mais importantes da literatura brasileira no século 20.

Mas por incrível que pareça, a primeira vez que devorei a história angustiada de Eduardo Marciano foi a mais marcante para mim.

Eduardo é o próprio Fernando na juventude e isso nunca foi segredo, do mesmo modo que a plataforma dos outros personagens, amigos de Eduardo, são Hélio Pellegrino, Oto Lara Resende e Paulo Mendes Campos, amigos da vida toda do autor.

Certo trecho do livro fala sobre as derrotas, que a vida é feita delas, bem mais, muito mais do que as vitórias. Um desses personagens – não lembro agora qual – é categórico ao dar a garantia a Eduardo Marciano: “Na vida, perdemos sempre”.

Aquilo calou fundo em mim, pois à época eu vivia, pelo que me lembro, a primeira das minhas decepções amorosas, e aos 15 anos elas são sempre maiores do que realmente são. E o livro se tornou eterno para mim por este e por outro motivo: assim como Eduardo Marciano, eu era candidato a escritor, e toda aquela agrura do personagem, em seu embate com a literatura, já fazia parte também de mim, embora eu sequer soubesse, e muito menos entendesse.

Nos últimos meses, procurei sem sucesso, folheando o livro, esse trecho especificamente, para reproduzi-lo aqui no blog e retomar novamente essa seção, chamada Livros da Minha Vida. Até parece que ele se perdeu nas páginas amareladas pelo tempo.

Mas se não reencontrei essa parte do livro, não há problema. Sua mensagem ficou na minha memória feito marca de canivete em tronco de árvore, até porque após demissões, divórcio e mortes a comprovei ao logo da vida: perdemos sempre, em todos os campos, em todas as idades, e mesmo que não saibamos exatamente porque, seguimos sempre tentando recomeçar.
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