André Giusti - foto: Luana Lleras
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É impressionante como a imprensa brasileira dá pouco destaque ao Papa Francisco, especialmente quando seus discursos abordam aspectos sociais e econômicos.

Aos conservadores e reacionários João Paulo II e Bento XVI era dado sempre espaço, mesmo que eles não trouxessem em suas declarações e discursos nenhuma novidade sobre suas posições atávicas em relação à sociedade.

Nunca vi um Papa levar ao mundo, de maneira tão clara, crua e genuína as ideias que o Cristo pregou, e que foram deturpadas ao longo da história pelos interesses dos poderosos.

Esse discurso foi feito ontem, quarta-feira de cinzas, abertura da quaresma, e onde encontramos ele nos sites dos grandes jornais?

Tudo bem, Francisco, você não precisa da mídia para se fazer entender.

Sua mensagem será captada pelo coração dos justos.

Continue assim.

Abaixo, o link de uma das poucas matérias feitas sobre o discurso do Papa na abertura da quaresma.

http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/papa-pede-que-terra-e-dinheiro-voltem-a-ser-para-todos

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www.camilapaier.com.br

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A moça me conta que quando passou no concurso para o banco foi trabalhar em agência, no atendimento.

Logo descobriu que era o que gostava de fazer.

Gostava de atender pessoas, de resolver o problema delas, de ajudá-las.

Gostava de gente, de conviver com gente.

Quando foi transferida de cidade, surgiu a oportunidade de crescer na empresa, de chegar à diretoria.

Mas ela não queria.

Queria continuar na agência, resolvendo problemas de pessoas.

O marido reclamou, disse que ela não poderia perder essa chance de crescer, de ser mais, de ganhar mais e ser ainda mais feliz.

Mas ela já era bem feliz na agência porque ajudava pessoas, porque gostava de gente.

O marido disse que ela não poderia continuar com menos, continuar sendo menos dentro do banco.

E ela aceitou crescer no banco, chegar à diretoria.

Mas nunca mais foi tão feliz quanto era na agência.

Resolvendo os problemas das pessoas.

Coitada dela, das pessoas que não tiveram mais a sua ajuda.

Mas, acima de tudo, coitado do marido e da sociedade, que acham que a gente nunca pode ser feliz ganhando menos e sendo menos.

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pordentrodamidia.com.br

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1 – Porque é carnaval, lembro-me de uma história sobre João Saldanha, contada por sua enteada Maria Flávia Penna. Ele achava que era muito fácil fazer rima em samba enredo, era só pegar o nome da avenida onde fica o Sambódromo do Rio, a Marquês de sapucaí, e meter lá pelo meio da letra um ti ti ti, um sapoti, um fi fi fi. “Queria ver se a avenida se chamasse Almirante Cochrane…”, dizia o velho João.

2 – Liberdade, teu nome (também) é bicicleta.

www.planetasustentavel.abril.com.br

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A exposição ComCiência está em cartaz no CCBB Brasília / inroutes.com

A exposição ComCiência está em cartaz no CCBB Brasília / inroutes.com

A exposição ComCiência, da artista plástica australiana Patrícia Piccinini, é impactante em vários aspectos.

Por motivos óbvios, o aspecto visual é o primeiro deles.

O segundo impacto, bem mais suave, é quando percebemos que aos poucos fomos envolvidos pelo amor e doçura expressos nos traços perfeitos dessas estranhas criaturas.

Onde deveríamos sentir repulsa, palpita a ternura – mesmo que ainda tomada de estranhamento -, porque, embora feitas de material sintético, as esculturas transmitem vida. Muita vida. Devido à exatidão dos traços, nem é preciso tanta imaginação assim para considerarmos que elas respiram e podem se virar para nós a qualquer momento, sorrindo e dizendo algo.

O outro impacto é quando sabemos que uma das intenções da artista foi denunciar práticas como racismo e xenofobia.

O choque ocorre porque, num primeiro momento, não cabe em nossa cabeça qualquer ligação entre aquelas formas perturbadoras e esses tipos de posturas abomináveis.
Mas isso é só num primeiro momento, pois logo logo a gente percebe a relação direta entre a expressão das figuras e o recado pretendido pela artista.

O último impacto, ao menos no meu caso, é sentido no final da exposição, e permanece por várias horas depois. E é ele o mais perturbador. É quando a gente fica sabendo que a exposição também se propõe a discutir pesquisas e mutações genéticas.

E depois que passa a vontade de rir porque lembramos da lenda da figura do cheester e da carne do hambúrguer do MaCdonald’s, sobrevêm receio, angústia.

É que a ficha cai e a gente para pra pensar se em algum dia, em alguma sala secreta de algum laboratório, tudo isso que inspirou Patrícia Piccinini já não aconteceu, acontece e vai acontecer muito mais.

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LEONARDO ARRUDA/ www.metropoles.com

LEONARDO ARRUDA/ www.metropoles.com

O que mais dói nem é a imagem do corpo do pai assassinado em um assalto na porta do colégio dos filhos, enquanto esperava para pegá-los na cidade do Guará, a uns 20 minutos de Brasília (sim, pra espanto da TV Globo, há coisas que não acontecem apenas no Rio de Janeiro).

Pelo que os jornais deram, o homem havia pego o carro novo na concessionária pela manhã, e depois foi buscar os filhos, uma menina do ensino fundamental e um rapaz do ensino médio.

Com essa informação, não é difícil imaginar o pai anunciando aos filhos, no café da manhã: “Vou pegar vocês de carro novo!”, e a ansiedade feliz dos dois, principalmente do rapaz, que está em uma idade em que automóvel representa muita coisa, inclusive masculinidade. É claro, no dolorido flash que nos passa pela cabeça, a mãe também sorri, satisfeita com sua família em paz.

A dor maior deixa de ser a imagem em si, fruto da estupidez, o corpo estendido sob o lençol branco. O que machuca muito – principalmente quem é pai, e se põe no lugar de modo automático – é justamente a quebra dessa ansiedade feliz e sua troca abrupta pelo choque da notícia da tragédia e seu imediato sucessor, o desespero.

O que dói mais é saber o quão foi tortuoso para esse menino e essa menina, em segundos, precisarem entender que não iriam mais voltar para a casa no carro novo do pai. Que não irão mais a lugar algum com o pai, nem no carro novo, nem de avião, trem, foguete, espaçonave, tapete mágico. Apenas, certamente, em pensamento e nos sonhos mais sentidos.

Como sempre, uma imagem possui muito mais significados além daquele que uma fotografia se limita a mostrar.

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Giustipress

Giustipress

Caro dono do pássaro amarelo chamado calopsita, que eu nem sabia que era uma espécie de pássaro.

É com imensa alegria que digo que ele foi para o lugar aonde ele está sendo o que deveria ser desde que nasceu: livre.

Torço muito, mas muito mesmo, que nem você nem qualquer outro criador ponha as mãos nele novamente.

É claro que vão dizer que pássaro de gaiola morre quando foge ou é solto.

Eu nunca vi prova dessa teoria, propalada geralmente por quem coleciona gaiolas ocupadas.

Além do mais, em cativeiro ele também morreria mais dia menos dia, mas preso e triste, com a casa toda achando que o canto dele é de alegria e não de desespero.

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Giustipress

Giustipress

Assumo minha paixão por automóveis.

Especialmente os esportivos.

Se italianos ou alemães, ainda mais.

Em caso hipotético e distante de riqueza, admito que não me furtaria a ter um BMW Z4. Me contento com muita felicidade em meus rolezinhos no meu Puma GTS 1978.

Adoro vinhos, especialmente os europeus, e devido à paixão pela minha ascendência, nutro devoção especial pelos italianos. Acho que os vinhos alimentam principalmente a alma.

Adoro comida, restaurantes bem servidos, camisetas descoladas e meus estilosos tênis all star.

Mas tenho uma quase certeza de que nada me acrescenta mais do que música e literatura.

Quando termino de ouvir bons discos ou ler grandes livros, sempre brota em mim a convicção de que depois deles sou uma pessoa melhor e que tenho algo de melhor a dividir com o mundo.

Penso que os dois – discos e livros – justificam algum apego ao materialismo.

Crente na vida após a morte, se no último minuto de minha existência me fosse dada a possibilidade de levar para o plano invisível algo de palpável que possuí neste planeta confuso, eu diria sem titubear, roubando o pequeno trecho da letra da canção de Zé Rodrix e Tavito: meus discos e livros.

E nada mais.

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Foto Ana Maria de Souza

Foto Ana Maria de Souza

O resto do país talvez não imagine, mas uma lei do silêncio mal formulada está encurralando os bares que tocam música ao vivo em Brasília.

Imposta por uma Câmara Legislativa anacrônica e sem idoneidade e aplaudida por uma classe média que só deveria existir de segunda a sexta, de 8h a 17h, dentro do pobre mundinho de sua repartição pública, a tal lei do silêncio opera a favor de quem alega defender o sossego, mas atenta contra quem deseja morar em uma cidade viva e alegre.

É uma incalculável ajuda à fama que Brasília possui em todo o Brasil de ser uma terra chata e sem nada para fazer, onde o tédio reina ao lado de sua esposa, a monotonia.

Mas há quem seja carne de pescoço e reaja a isso. É o caso da Conceição Freitas, lenda do jornalismo na cidade em forma de avião. Ou borboleta, como pregava o criador de seus traços.

Vítima de um desses irracionais cortes de pessoal que a imprensa vem promovendo nos últimos anos, Conceição está tomando conta da banca de jornal da emblemática 308 sul, a quadra modelo de Brasília, onde Lúcio Costa desenhou tudo o que queria que existisse na cidade.

De jornalista a “jornaleira”, minha colega de profissão está vendendo livros na banca, além de revistas e outros presentinhos que lembrem a cidade. Eu mesmo consegui um espaço honroso em uma das prateleiras – ao lado de Lúcio Costa e Maria Clara Arreguy – e “estacionei” um de meus livros de contos (A Liberdade é Amarela e Conversível) e uma coletânea sobre Brasília (50 anos em seis), em que tenho o prazer de dividir as páginas com Nicolas Behr, José Rezende Jr., Liziane Guazina, Nanda Barreto e Pedro Biondi.

No último sábado, 16, Conceição juntou um bando de jornalistas e escritores, ou só jornalistas ou só escritores (muito cuidado quando esse tipo de gente se junta), para um bate papo pra lá de agradável na calçada da banca, ao som de sax e violoncelo. É claro que rolou um selfie coletivo de classe, tirado pelo Tino Freitas.

Se cada jornalista que for demitido em Brasília tiver uma ideia parecida com a da Conceição, a cidade estará, para sempre, livre da caretice que a assola.

Foto Giustipress

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www.deliciasdereceitas.com.br

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- Eu não sei escrever versos, então…

Ela disse, se desculpando mesmo sem motivo, enquanto colocava sobre a mesa a travessa oval de espaguete ao sugo, a fumaça subindo ao teto, o aroma parecendo que ganharia a janela para alcançar os quatro cantos do mundo.

- Tudo bem, querida. Existem várias formas de se fazer poesia. A sua é cozinhar.

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http://www.adorocinema.com/

http://www.adorocinema.com/

Ao público em geral, um aviso: “Spotlight, segredos revelados” não é um filme sobre abuso sexual cometido por padres contra crianças.

Definitivamente, o mote do filme é apenas isso, um mote, e fica em segundo plano, embora em um e outro momento nos cause indignação e revolta.

Aos jornalistas, um outro aviso: é um filme sobre nossa profissão, que nele é retratada com suas mazelas e emoções, mas acima de tudo mostrada com sua verdadeira função e da forma como realmente deve e precisa ser exercida, ou seja, como instrumento de defesa dos interesses da sociedade. E apenas e simplesmente isso: defesa dos interesses da sociedade, de ninguém mais além da sociedade.

É filme obrigatório para os alunos de jornalismo, porque mostra como nosso ofício é maravilhoso, inigualável quando feito com gana, como amor, com paixão, mas acima de tudo com responsabilidade, comprometimento com a verdade dos fatos e com ética, inclusive da empresa jornalística.

Assistam e comparem com as aulas da faculdade e com o estágio que vocês fazem durante seis horas de segunda a sexta. Vejam em que ponto as coisas estão erradas em sua formação profissional e tentem mudá-las, mesmo que aos poucos, e começando pela própria conduta de vocês.

Mas é filme obrigatório também para os profissionais, inclusive os que já têm anos de formados.

Se para estudantes e focas apresenta uma forma acertada de se exercer o jornalismo, para nós, cascudos e rodados em redações e plantões de fim de semana e feriados, sejam de rádios, TV’s, impressos ou eletrônicos, Spotlight nos refresca a memória.

Ele nos lembra que nossa tarefa diária vai muito, mas muito mais além do encargo burocrático de se limitar a ouvir apenas dois lados de uma história, ou ainda dar-nos por satisfeito porque conseguimos passar a informação em tempo real antes do colega que está sentado ao nosso lado na coletiva.

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