André Giusti - foto: Luana Lleras
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café

Vale um viva a iniciativa dessa franquia de cafeterias de resgatar o bom e velho brasileiríssimo café coado, dando ao freguês uma alternativa à ditadura do café expresso, que na maioria das vezes é servido demasiadamente quente e ralo, uma caricatura mal feita do original italiano.

Em tempo: não estou ganhando nada pela propaganda. Nem um cafezinho sequer.

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www.marinelacarniato.com

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Não adianta ser – ou se dizer – progressista e não ter caráter, hombridade.

Pouco vale defender as minorias, postar contra o machismo, o racismo e atacar o Bolsonaro, se você faz intriga, se você apunhala por trás os que convivem contigo, seja em que esfera for.

Não adianta ser contra o impeachment, por exemplo, e puxar o tapete do colega de trabalho, o que é uma espécie de golpe de estado no âmbito privado.

Uma postura tida como socialmente progressista requer moral (o que você faz sem ninguém ver) e não apenas ética (o que você faz quando todo mundo está vendo).

Em último caso, vale mais a pena conviver com um conservador, um reacionário, mas que tenha caráter.

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www.postais.net

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Existem coisas que parecem à toa mas que são maiores e mais importantes que coisas que parecem grandes e importantes. Não sei se você entendeu, mas é isso aí mesmo.

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www.youtube.com

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Meu grande Marcelo Bebiano me diz que no Rio está fazendo clima de montanha.

Ser carioca é mais do que nascer no Rio, é um estado de espírito permanente.

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g1.globo.com

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Acho que com o passar do tempo essas festas de fim de ano vão perdendo o brilho e a graça.

Há um determinado momento da vida, que não sei precisar qual, em que começamos a ter dificuldade de respirar os tais ares de esperança trazidos pelo fim de ano.

Talvez sejam as perdas as responsáveis por isso.

Afinal, é muito pai e mãe que morre na vida da gente (às vezes, filhos também), é muito amigo querido há anos morando longe, é muito divórcio, muito namoro feliz que acabou de repente.

E por mais que haja reposição de peça (netos, novos amigos e amores) as perdas se acumulam e parece que passam o ano todo esperando para pesarem ainda mais em dezembro, no meio de tanta rua cheia, de tanta loja entupida, de tanta confraternização forçada, de tanta caridade feita como convenção e satisfação à sociedade.

Então, depois de uma certa idade, quando chega dezembro, no fundo o que a gente quer mesmo é que janeiro comece logo, despachando pra longe essa irritante obrigação de estarmos felizes e esperançosos.

Ps1: Essa caridade anual, com data marcada pra dezembro, também me cansa.

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caroldaemon.blogspot.com

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Há um momento na vida de um casal que acontece geralmente aos fins de semana e com frequência maior nestas festas de fim de ano.

É aquele momento maravilhoso em que os dois estão bebendo vinho (ou cerveja) na mesa e ela então se levanta falando “amor, vou na cozinha pegar a comida”.

Você, solicito, mas na verdade sem fazer qualquer movimento de se levantar, pergunta se ela quer ajuda, e ela responde “não, amor, pode ficar aí bebendo”.

É bom que não se enxergue aí qualquer machismo e muito menos submissão feminina.

Na frase condescendente dela, há uma entrelinha, mais clara que o que foi dito: “a louça é sua, querido”.

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Há algum tempo elas não eram publicadas no meu blog. Com a volta da chuva ao Planalto Central, elas agora passam o dia cruzando esse céu de Brasília, que não cabe em si mesmo de tão imenso. É só tirar um pouquinho a cabeça dos problemas, que certamente uma nuvem dessas vai te roubar os olhos e levar tua alma com ela.

Setor de Autarquias Federais Sul, 4/12, 19h26

Setor de Autarquias Federais Sul, 4/12, 19h26

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www.revistaovies.com

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Sou um cara nascido e criado no subúrbio carioca, reduto bem conservador e preconceituoso, embora a imagem fanfarrona propalada pelas novelas – e que realmente existe na vida real – leve a crer que não.

No subúrbio, brancos e negros convivem, mas não é incomum você ouvir que “fulano é um preto de alma branca”, com aquele tom atenuante, como se cor de pele fosse crime ou definisse caráter, hombridade.

Não tenho lembranças de, aonde nasci, um casamento entre um negro e uma branca, ou uma negra e um branco, ser tomado como fato totalmente comum. Sempre há alguma, ou várias caras de espanto, para não dizer viradas em expressões de mal disfarçada desaprovação.

Fora isso há sempre uns – ou muitos – se referindo de forma pejorativa ao “filho da desquitada”, ao neném posto no mundo “por aquela safadinha que deu antes do casamento” ou àquele “rapaz afeminado, aquela bichinha, que tanto desgosto dá ao pai”.

E isso não é uma particularidade do subúrbio do Rio de Janeiro. A discriminação, no Brasil, é como a própria beleza natural do país: abrange toda sua geografia.

Para quem ainda estranha tanta manifestação racista, homofóbica e machista na rede social, gostaria de lembrar que feici búqui e companhia apenas mostram com amplitude e em tempo real o que os nichos geográficos – tais como meu subúrbio – sempre guardaram em seus domínios.

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rafaellira.zip.net

rafaellira.zip.net

O episódio envolvendo o Chico Buarque me faz imaginar que esta geração que tem entre 20 e 30 anos simplesmente não sabe conviver com a democracia.

Muito pelo contrário.

A despreza, isso quando não a insulta.

Parece que esses meninos e meninas, que por ironia nasceram justamente nos anos em que o país recuperou o direito de dizer o que pensava, consideram conspiração comunista qualquer posição contrária à que eles defendem.

Se eles soubessem quanta gente morreu ou ficou traumatizada para que eles pudessem simplesmente achar e pensar qualquer coisa livremente, sem medo de choque elétrico nos bagos ou no bico dos seios.

Mas não sabem.

Como não sabem respeitar a diferença de opinião.

E não respeitam porque não sabem ouvir não, e nunca souberam por que nunca escutaram.

E aí, a geração antecessora, ou seja, pais e mães dos malcriados “reacionarinhos”, precisa fazer mea culpa, porque afinal ouvir um não se aprende em casa, ainda fazendo cocô nas fraldas.

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refletiresentir.blogspot.com

refletiresentir.blogspot.com

Confesso total preguiça de mandar mensagens de natal. Só mesmo os mais íntimos me movem neste esforço.

A mesma preguiça admito em ler votos generalistas de boas festas e feliz ano novo.

Para quem não entendeu o “generalistas”, explico que se trata daquelas mensagens com texto padrão, pasteurizado, enviadas pelo uatizáp para todos os contatos quando faltam dez, quinze minutos para a meia-noite do dia 24.

Tanto faz se é nosso melhor amigo ou o encanador que foi uma única vez à nossa casa uns dois anos antes: todos recebem a mesma mensagem, e o carinho particular que reservamos a essa e àquela pessoa acaba não se manifestando, fica perdido num conjunto de palavras opacas e triviais, cujo objetivo me parece apenas o de cumprir uma formalidade social.

Acho que é tão ruim ou ainda pior do que se esquecer de desejar bom natal e feliz ano novo.

Pior até do que ter preguiça de mandar mensagens.

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