André Giusti - foto: Luana Lleras
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www.revistaovies.com

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Sou um cara nascido e criado no subúrbio carioca, reduto bem conservador e preconceituoso, embora a imagem fanfarrona propalada pelas novelas – e que realmente existe na vida real – leve a crer que não.

No subúrbio, brancos e negros convivem, mas não é incomum você ouvir que “fulano é um preto de alma branca”, com aquele tom atenuante, como se cor de pele fosse crime ou definisse caráter, hombridade.

Não tenho lembranças de, aonde nasci, um casamento entre um negro e uma branca, ou uma negra e um branco, ser tomado como fato totalmente comum. Sempre há alguma, ou várias caras de espanto, para não dizer viradas em expressões de mal disfarçada desaprovação.

Fora isso há sempre uns – ou muitos – se referindo de forma pejorativa ao “filho da desquitada”, ao neném posto no mundo “por aquela safadinha que deu antes do casamento” ou àquele “rapaz afeminado, aquela bichinha, que tanto desgosto dá ao pai”.

E isso não é uma particularidade do subúrbio do Rio de Janeiro. A discriminação, no Brasil, é como a própria beleza natural do país: abrange toda sua geografia.

Para quem ainda estranha tanta manifestação racista, homofóbica e machista na rede social, gostaria de lembrar que feici búqui e companhia apenas mostram com amplitude e em tempo real o que os nichos geográficos – tais como meu subúrbio – sempre guardaram em seus domínios.

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rafaellira.zip.net

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O episódio envolvendo o Chico Buarque me faz imaginar que esta geração que tem entre 20 e 30 anos simplesmente não sabe conviver com a democracia.

Muito pelo contrário.

A despreza, isso quando não a insulta.

Parece que esses meninos e meninas, que por ironia nasceram justamente nos anos em que o país recuperou o direito de dizer o que pensava, consideram conspiração comunista qualquer posição contrária à que eles defendem.

Se eles soubessem quanta gente morreu ou ficou traumatizada para que eles pudessem simplesmente achar e pensar qualquer coisa livremente, sem medo de choque elétrico nos bagos ou no bico dos seios.

Mas não sabem.

Como não sabem respeitar a diferença de opinião.

E não respeitam porque não sabem ouvir não, e nunca souberam por que nunca escutaram.

E aí, a geração antecessora, ou seja, pais e mães dos malcriados “reacionarinhos”, precisa fazer mea culpa, porque afinal ouvir um não se aprende em casa, ainda fazendo cocô nas fraldas.

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refletiresentir.blogspot.com

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Confesso total preguiça de mandar mensagens de natal. Só mesmo os mais íntimos me movem neste esforço.

A mesma preguiça admito em ler votos generalistas de boas festas e feliz ano novo.

Para quem não entendeu o “generalistas”, explico que se trata daquelas mensagens com texto padrão, pasteurizado, enviadas pelo uatizáp para todos os contatos quando faltam dez, quinze minutos para a meia-noite do dia 24.

Tanto faz se é nosso melhor amigo ou o encanador que foi uma única vez à nossa casa uns dois anos antes: todos recebem a mesma mensagem, e o carinho particular que reservamos a essa e àquela pessoa acaba não se manifestando, fica perdido num conjunto de palavras opacas e triviais, cujo objetivo me parece apenas o de cumprir uma formalidade social.

Acho que é tão ruim ou ainda pior do que se esquecer de desejar bom natal e feliz ano novo.

Pior até do que ter preguiça de mandar mensagens.

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nonoahistoria.blogs.sapo.pt

nonoahistoria.blogs.sapo.pt

Um sujeito dizendo ao outro na fila do restaurante a quilo:

- Eu não me rebelei quando era jovem, não é depois de velho que vou me rebelar.

Vontade de entrar na conversa e sacudi-lo:

- Nunca é tarde, cara! Nunca é tarde!

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www.papodecinema.com.br

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O exercício do poder é uma excelente oportunidade de aprendizado.

Ele oferece a chance de ouro de a pessoa aprender, antes de mais nada, que é igual a todas as outras que a cercam, mesmo que suas responsabilidades sejam realmente maiores.

No rastro disso, há outras coisas a serem assimiladas, ensinadas de graça pela vida.

Esperar, entender que o mundo não pode parar por causa de uma necessidade nossa, ainda que ela seja grande e urgente, e sempre pedir por favor e perdão são algumas delas.

Pena que poucos poderosos parecem reconhecer – e aproveitar – a oportunidade da lição.

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Retrocesso

O Eduardo Cunha é uma espécie de lama da Samarco (Vale) contaminando ainda mais o rio sujo e doente da política brasileira.

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Reprodução Face Book

Reprodução Face Book

Eu tiraria minhas filhas dessa escola na hora.

Até porque nenhuma delas, embora louras de olhos azuis, têm cabelo liso.

Mas é claro que o recado não é para o cabelo cacheado das minhas filhas, brancas.

Infelizmente, é para o cabelo das meninas negras.

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Quando eu vou entrar ao ao vivo na TV, eu ligo pras minhas filhas assistirem.

Quando há matéria minha no rádio, mando o link para elas ouvirem.

Quando lanço livros ou publico contos em revistas, sempre reservo um exemplar para elas.

As três são parte da razão que tenho em produzir as coisas que verdadeiramente amo, e o orgulho de que elas vejam o que o pai produz é uma espécie de combustível que alimenta meu trabalho, seja em qual for o campo.

Ao ler essa notícia, meu coração está em pedaços ao imaginar que a estupidez humana pode roubar o prazer de um pai mostrar ao filho do que é capaz, provar ao pequeno (eles sempre serão pequenos) o seu valor.

E em solidariedade a este homem aí da reportagem, eu ofereço o meu coração de pai. Em pedaços.

http://extra.globo.com/casos-de-policia/prestes-se-formar-em-direito-soldador-lamenta-morte-de-filho-fuzilado-por-pms-nao-vai-nem-me-ver-de-beca-18196262.html#ixzz3tAIzXeL4&f

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Bruna Fantti/Folhapress

Bruna Fantti/Folhapress

É difícil não pensar que neste carro, no lugar daqueles cinco jovens, poderiam estar outras pessoas: as que já foram capas das revistas semanais como exemplos a serem seguidos nos diversos campos em que atuam, mas que se descobriu que seus lugares, no noticiário, são realmente as páginas policiais. Ao contrário dos cinco jovens negros e pobres, contra os quais não se levanta uma prova que os incrimine, apenas a que os inocenta: estavam indo lanchar para comemorar o aumento de salário de um deles. Salário de frentista.

Não vou citar nomes, não por medo de processo. É que não caberiam no texto e muito menos no carro.

Pensar que os verdadeiros algozes da vida nacional é quem poderiam estar naquele humilde Fiat Pálio na noite escura da periferia não é apenas um absurdo.

É ceder, por exemplo, à pena de morte não oficializada, um dos muitos falsos “encantos” da estupidez humana em nosso país, que historicamente é aplicada, por exemplo, apenas aos frentistas inocentes que gostam de passear com os amigos.

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Desde que li essa reportagem hoje de manhã, estou me perguntando, de estômago revirado, pra quê nosso dinheiro paga, por meio de impostos, gente como esta, que faz concurso público para ser bandido com a farda de agente do estado.

Invariavelmente as vítimas são negros e humildes, do subúrbio.

Desta vez, não deu nem para arranjar, às pressas, aquela versão padrão, que todos que foram repórteres de Polícia conhecem: a de que os mortos tinham envolvimento com o tráfico, o que já manchou a memória de tanta gente que morreu inocente.

Alguma hipótese dessa atrocidade ser cometida em Ipanema ou Leblon contra ocupantes de um BMW ou de um Audi?

Os reaças, e que acham direitos humanos coisa de mulherzinha ou de homem sensível demais, vão escarnecer de mim.

Eu mantenho meu pensamento:

O Brasil é um país segregacionista, racista, violento e discriminatório em sua violência.

http://extra.globo.com/casos-de-policia/cinco-jovens-sao-fuzilados-dentro-de-carro-na-zona-norte-do-rio-18174696.html?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_content=fuzilados&utm_campaign=Extra

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