André Giusti - foto: Luana Lleras
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viminas.com.br

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As vidraças fumê espelhadas dos prédios modernosos de Brasília estão matando passarinhos.

Eles devem achar que a paisagem que vêem pela frente durante o voo é real e não uma imagem refletida.

Então, o choque é inevitável, e muitas vezes em alta velocidade.

Está aumentando a frequência com que se acha aves mortas no chão, com ferimentos, sempre perto de prédios com esse tipo de vidraça.

Então resolvi tocar no assunto porque afinal acho pássaros mais bonitos (úteis e importantes) que vidraças fumê espelhadas.

Pela atenção, obrigado.

Flickr

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Brendan Smialowski/AFP

Brendan Smialowski/AFP

A falta de uma visão plural sobre o pais governado pelo twitter fez com que Pelé/futebol voltasse a ser a 1ª coisa que se fale ou que venha à cabeça quando o assunto é Brasil.

É muita volta ao passado em tão pouco tempo.

É patético e deprimente o retrocesso.

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ainstem.wordpress.com

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Na última 6ª feira meu combalido celular bateu a cassuleta.

Levou um tombo (mais um) e agora tomará de vez seu destino final, que, espero não seja o de sujar mais o planeta.

Por uma série de contingências, acabei ficando ‘ “incomunicável” durante exatas 24 horas.

De início, veio aquela sensação de estar no filme O Náufrago, do Tom Hanks. Sem o Tom Hanks.

Bateu também gosto de que eu estava nu em plena Avenida Rio Branco, procurando um jornal pra esconder as partes.

Só que lá pelo meio da tarde de sábado percebi que estava era me sentindo bem.

Muito bem, aliás, com mãos vazias e olhos liberados para prestar atenção às cores do dia, às flores da estação.

Atenção às pessoas que passavam por mim.

Mas o melhor foi perceber um silêncio relaxante dentro de minha cabeça, silêncio que me convidava a ouvir os meus próprios pensamentos, e não os pitacos de
Clementino ou Verediana sobre a menstruação das abelinhas da Malásia.

Me veio também uma paz deliciosa, paz de não ter como verificar compulsoriamente fotos, vídeos, amenidades de gente que nunca verei, de lugares a que nunca irei.

Experimentem, pois, ao menos uma vez por semana, 24 horas de liberdade.

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Socioeconomia.org

Socioeconomia.org

O que anda me assustando nos últimos dias nem é mais a conduta do mandatário.

Por mais superficial que tenha sido o acompanhamento de sua (nula) vida parlamentar ao longo de 30 anos, era impossível esperar algo diferente, embora o quilate das mentiras, das tolices e das asneiras esteja superando o que projetava meu pessimismo em 1º de janeiro.

Entendidos dizem que é proposital, é cortina de fumaça com o objetivo de jogar para debaixo do tapete a falta de coordenação política, que prefiro chamar de falta de capacidade mesmo.

Mas nem mesmo essa estratégia, se existe mesmo, também me assusta tanto quanto a reação dos que escolheram seu voto a partir de verborragia e mentiras.

Continuam incólumes em sua crença de que optaram pelo melhor para o país.

Ou não falam nada, parecendo não perceber um pingo sequer da chuvarada de imbecilidades, ou então, o que é pior, permanecem “cornetando” com o que sua capacidade alcança, que é ou enxergar perseguição comunista em tudo ou insistir no patético mi mi mi para revidar o que lhes é contrário.

“O pior cego é o que não quer ver” é frase atribuída a Heloá Marques.

E de quatro em quatro anos, é também o que pode votar.

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Enciclopédia do gato - WordPress.com

Enciclopédia do gato – WordPress.com

Em uma das quadras da Asa Norte, dito bairro nobre de Brasília, há um cabo de guerra entre moradores por causa de uma simplória família de gatos.

É que alguns colocam água e ração para os bichanos que, com a despensa garantida, não abandonam as redondezas.

E aí começa a birra dos outros vizinhos, incomodados com a presença dos gatinhos.

Soube que há discussão esquentada em grupos de zap por causa da pensão completa aos felinos.

O síndico de um dos blocos já até mandou que porteiros vigiassem quem se aventura na compaixão pelos animais.

Não sei o que alegam e, sinceramente, quando passo pelo local, não vejo que transtorno os gatos podem estar causando.

De uns tempos para cá, as vasilhas de água e comida começaram a aparecer viradas.

O mínimo conhecimento sobre gatos informa que não é da espécie sair virando prato onde comem e bebem.

Outro dia, um dos gatinhos apareceu morto.

Era novo ainda, e segundo quem entende de bicho, pela expressão ele morreu sentindo dor, o que ampara a hipótese de envenenamento.

Não cravo que em caso dessa maldade, quem a tenha praticado seja capaz de fazer o mesmo com um ser humano, embora acredite que seja incompatível amar pessoas e odiar animais.

Mas revela, no mínimo, que essas pessoas possuem uma capacidade incomensurável de não tolerar o próximo com suas diferenças.

E capacidade de alastrar a intolerância pela vizinhança.

E até mesmo fazer com que ela chegue ao poder.

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Rodrigo Gorosito/G1

Rodrigo Gorosito/G1

Embora seja carioca, o carnaval não me diz respeito.

Nunca tive escola do coração, nem sequer leve simpatia por essa ou aquela.

Só fico sabendo quem foi a vencedora horas depois, às vezes no dia seguinte.

Mas este ano estou feliz, muito feliz com a vitória da Mangueira.

Não foi um desfile.

Foi um recado.

Um recado de que estamos vivos e fortes e de que a noite chuvosa passará para a chegada de um novo dia de sol.

Parabéns, verde e rosa! Você me representou!

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Alguma semanas antes da Copa do Mundo de 1998, a Seleção Brasileira fez um amistoso contra a Argentina no Maracanã.

Foi um jogo horroroso, deu raiva ver o Brasil jogar (naquela época dava raiva de vez em quando. Hoje em dia, dá sempre).

Aos 36 do 2o. tempo, a Argentina guardou um. E terminou assim, 1 X 0 pra eles.

Irritada, já no primeiro tempo a torcida começou a gritar: Raí, pede pra sair! Raí, pede pra sair!.

E tinha razão. O meio-campo, irmão do Sócrates, mal andava em campo, tanto é que acabou sacado do gramado.

Hoje, lendo o noticiário político, lembrei do corinho da torcida de 21 anos atrás e repeti.

Só fiz uma adaptação e cantei pra mim mesmo: Juiz, pede pra sair! Juiz, pede pra sair!

A rima não é tão boa quanto foi a da torcida.

Mas a indignação é a mesma.

Arquivo CBF

Arquivo CBF

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Minha infância foi nos anos 70. Médici e Geisel, cada um em uma metade da década; Figueiredo no finzinho.

Hino Nacional toda 6ª feira no pátio da escola.

E mais o da Bandeira, Independência, Exército e Marinha (Aeronáutica deve ter hino, é claro, mas eu não lembro de ter cantado uma vírgula sequer).

Como todo garoto feliz, eu profanava as letras. “Japonês faz quatro filhos e Chinês faz mais de mil” pro Hino da Independência e “Seu Valdemar em noite de lua, abriu a porta e foi cagar na rua” pro Hino da Marinha eram os hits da nossa doce molecagem de 8, 9 anos.

Cantar esses hinos, em frente ao hasteado pavilhão verde e amarelo, não me tornou patriota.

Também, pelo mesmo motivo, não tenho horrores ou traumas a essas cantorias.

Portal Educação Sumaré

Portal Educação Sumaré

A bem da verdade, não sou patriota.

Gosto do Brasil sem excessos e ufanismos e olho para esse país como quem olha para um cara de meia idade que se recusa a crescer, um sujeito que deixa de pagar a escola dos filhos para bancar dezenas de prestações de carro importado.

Há símbolos nacionais que agregam muito mais sentimento pátrio do que hino, bandeira.

Nossa língua é mais do que sonora: chega a ser poética. Em que país mais se pode falar saudade?

Nosso folclore e nossa cultura (aquela verdadeiramente popular) tem uma diversidade que chega a ser incompreensível para outros povos. Como podemos reunir tanta coisa diferente em um só país? Devem se perguntar por aí.

Pra encerrar, há também, na esfera da diversidade, nossa culinária, banquete de cor, sabor, tempero, aroma e, o mais importante, saúde alimentar.

Que tal o governo do “Brasil acima de tudo” abrir a cabeça da garotada para o excesso de expressões inglesas no nosso dia-a-dia?

Mostrar que nossas crenças populares pariram personagens bem mais interessantes que aquela chatice de Mickey e Pateta?

E, por fim, pegar pra valer e substituir esse tanto de sanduíche, batata frita e doce que parece até de plástico por arroz, feijão e carne com legumes e verduras, para não comprometer em algum momento dos próximos anos a qualidade de vida dessas gerações mais novas?

Com a palavra o ministro colombiano, que aliás nos chamou de canibais.
*
Publicado no Congresso em Foco

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Jornal do Commercio

Jornal do Commercio

Uma grande placa em material que me parece fórmica veda a entrada de uma das lojas do Boulevard Shopping, na Asa Norte, em Brasília.

Trata-se daquelas propagandas informando que em breve uma nova loja será inaugurada naquele espaço, estratégia de marketing conhecida nos shoppings.

Aponto a foto colorida do anúncio e chamo a atenção de uma de minhas filhas: há quatro crianças sorridentes no anúncio.

Nenhuma é negra.

Depositphotos

Depositphotos

À noite, nas redes sociais, um sem número de posts celebram e comemoram Maju Coutinho, a 1ª negra a apresentar o Jornal Nacional, carro chefe do jornalismo da emissora que historicamente reserva às atrizes negras o papel de cozinheiras ou domésticas.

Aos atores negros, por sua vez, cabe interpretar motoristas de madames brancas, e que sempre se engraçam para as cozinheiras e domésticas, ou seja, nada de ultrapassar limites tácitos da aceitação da sociedade.

Não consigo enxergar qualquer otimismo ou sinal de novos tempos em uma mulher negra na bancada do JN.

Isso não deveria ser motivo de fogos e não seria se as estruturas desse país promovessem realmente igualdade, algo que vai (e precisa ir) muito além de uma apresentadora negra pondo o rosto na TV.

Antes de ela aparecer na bancada do Jornal Nacional, deveria ser corriqueiro, por exemplo, os negros nos comerciais. E em maioria, inclusive.

Maju na bancada do JN é embelezar o jardim de uma casa com grave infiltração nas paredes, piso esburacado e teto com goteira para tudo quanto é lado, um embelezamento para ser visto apenas de fora, por quem passa na calçada.

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La Parola

La Parola

Uma de minhas maiores influências literárias não é nenhum escritor europeu do século 19 com nome difícil de dizer e ainda pior para escrever.

É apenas Rubem Braga, o velho Braga, observador não apenas de passarinhos, mas de tudo que é importante, belo e maravilhoso ao nosso redor e a gente não percebe.

Braga também me influenciou a ser jornalista.

Achava fantástico o que ele contava de sair da redação de madrugada, com o jornal ainda quente da rotativa debaixo do braço, trazendo uma matéria dele e, de quebra (e o mais saboroso), uma crônica.

Ou seja, foi clara a influência da crônica na minha literatura e na minha escolha para ganhar o pão e o leite das crianças.

Vicente Sá - Face Book

Vicente Sá – Face Book

Andava afastado de ler crônicas, embora as tenha escrito bastante nos últimos anos com o advento dos blogs.

Me reencontrei com essa leitura nos livros de Vicente Sá (Crônicas S/A, publicado pela Semim Edições) e Alexandre Brandão (O Bichano Experimental, que saiu pela Patuá).

Leio uma crônica de cada um pela manhã, antes de me sentar ao computador e começar a trabalhar (Algumas pessoas leem a Bíblia pela manhã; outros, autoajuda. Eu leio Vicente Sá e Alexandre Brandão)

Brandão - Foto Face Book

Brandão – Foto Face Book

Brandão explora o quotidiano interpretando-o de uma forma que transcende o fato que o levou a escrever.

Vicente Sá faz crônica como quem conversa na cadeira do barbeiro, no balcão de um pé sujo.

Nos dois, é impossível não sentir a emoção de reencontrar um pouco do velho Braga e, por conseguinte, o frescor da minha puberdade, inclusive a literária.

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