André Giusti - foto: Luana Lleras
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Ela já foi um cachorro que entrava em casa, subia no sofá, metia-se nas cobertas quando dormia na cama dele.

Fazia cocô e xixi na sala.

Até que um dia ele resolveu que ela ficaria lá fora, e fechou a porta das visitas e também a dos fundos.

Hoje ela ainda late, mas é lá do fundo do quintal, presa na casinha, sem água nem ração.

Às vezes, quando a casa está em silêncio, ainda se ouvem seus latidos, cada dia mais exaustos.

Chegará o dia, e este não tardará, em que ela estará morta ao amanhecer, e ele a enterrará sem qualquer emoção.

Apenas com as marcas secas do tempo em que ela entrava em casa.

Fonte noticias.band.uol.com.br

Fonte noticias.band.uol.com.br

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Releio O Alienista, um dos mais famosos contos de Machado de Assis, e me detenho algum tempo em um detalhe que passou despercebido na primeira leitura, há anos.

É a explicação do bruxo do Cosme Velho do que seja matraca. Ao ler sua descrição, concebe-se como perfeito o significado que a palavra possui na atualidade.

Como no Brasil colônia não havia imprensa, algumas formas rudimentares davam ao povo a satisfação do que acontecia na sociedade.

Uma delas era a matraca, instrumento que, pela descrição de Machado, fazia, em linguagem contemporânea, um esporro do cão.

Quem tinha algo a comunicar à sociedade – qualquer fato, nascimento, morte – contratava um sujeito, que parava no meio dos povoados de então e começava a tocar a matraca. O barulh0 atraía o povo e a mensagem era dada. Com a maestria de quem foi o maior escritor brasileiro de todos os tempos, e um dos maiores do mundo, Machado de Assis escreve que “O sistema tinha inconvenientes para a paz pública”. A partir do atual significado do vocábulo, é de se imaginar o quanto.

Portanto, se você não conhecia esta história, agora, quando seu sua chefe chefa mulher marido namorada namorado colega de trabalho desandar a encher seus ouvidos com a língua sem freio, contenha-se, e desvie sua ânsia de lhe apertar o pescoço para pensar na genialidade de Machado de Assis.

Fonte www.memorialdoimigrante.org.br

Fonte www.memorialdoimigrante.org.br

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Distraído, chega na bilheteria do cinema e pede:

- Moça, vê uma inteira pro Terra Salgada.

Contando as notas pro troco, ela responde, sorrindo no canto da boca:

- É quase isso, moço, é quase isso…

Fonte imovision.com.br

Fonte imovision.com.br

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O show do Kiss em Brasília terminou há quase 72 horas e eu ainda sinto vontade de escrever sobre ele.

Eu estava na primeira apresentação da banda no Brasil. Foi em 83, no Maracanã, o primeiro mega show a que assisti na vida. Fedelho de 15 anos, fui pelas músicas que eu ouvia no rádio, mas também pra conferir se era verdade mesmo a história de que o Gene Simmons esmagava pintinhos com aquelas botas de saltos enormes. Não era.

Qual a diferença daquele show d’antanho e o de agora? Uma baita evolução da tecnologia, que transformou o que à época já era espetáculo numa loucura batida no liquidificador com ópera e cinema, e com uma cerejinha que tem um quê de Cirque du Soleil (desculpas se pirei).

O que é igual? O vigor da banda, que se traduz não apenas na pirotecnia, mas na execução das músicas, nos solos, nos vocais, nas porradas na bateria, nos rebolados e pulos no palco.

Há um tipo de músico que dá balão no tempo: ao invés de decair rumo à decrepitude e à caricatura de si mesmo, ele faz do passar dos anos a fórmula de chegar mais ou menos perto da perfeição. Gene Simmons e Paul Stanley (principalmente) podem ser exemplos.

É claro que nos últimos dias não faltou quem taxasse de rock farofa os quatro mascarados. No geral, é gente que enche a boca pra dizer que é fã, por exemplo, do Radio Head, como se isso fosse um atestado de inteligência e bom gosto. Eu gosto também do Radio Head, mas não encho a boca por isso.

Acho que é um pouco de reducionismo enxergar o Rock’n Roll apenas por um prisma.

Penso também que nele cabe tudo. O protesto, as questões sociais, existenciais, a sátira, a alegria juvenil, a dor de corno. E também a farofa.

E roubando um pouco a ideia do Maurício Angelo, uma farofa muito bem temperada, com ovo, linguiça e bacon.

Essa mesmo que o Kiss serviu em Brasília.

Fonte g1.globo.com

Fonte g1.globo.com

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Fonte www.clmais.com.br

Fonte www.clmais.com.br

Quando ele ia jogar no lixo a rolha do vinho que tomara no almoço, a filha mais velha perguntou:

- Pai, por que você não guarda as rolhas dos vinhos que você bebe? Que nem o tio Valério faz. Ele guarda todas num vidro redondo, enorme, que fica na sala decorando. É bem bonito.

O pai sorriu. A resposta era simples.

- Porque seu pai não pode comprar vinhos tão bons e caros como seu tio…

Ainda mais simples foi a resposta da filha, do alto da pureza de seus dez anos.

- Mas pai, o importante não é o preço. O que conta é que você estava feliz quando abriu o vinho, que foi um momento bacana…

Sorriu sem dizer nada, até porque nada restou pra dizer, mas quase abriu outra garrafa só para brindar à filha que havia posto no mundo.

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Quem mora em Brasília tem até o fim de semana que vem (24, 25 e 26/4) a oportunidade de refletir, a partir da magia do teatro, sobre ser feliz fazendo o que se ama, e com esse amor pelo que se faz , ser feliz na vida e fazer feliz quem está ao redor.

Em minha opinião, é a grande lição que fica do espetáculo Quando o Coração Transborda, em cartaz no Espaço Cena (205 Norte), um monólogo com a atriz Maíra Oliveira, que também assina o texto e a direção.

Marina é burilada no teatro de rua, cuja mestria aprendeu com o pai, o lendário Ary Pára-Raios. Nos anos 70, Ary levou para Brasília e demais cidades do Distrito Federal música, acrobacia e adaptação de textos de autores como Shakespeare, montados pelo Esquadrão da Vida, um grupo de teatro de rua batizado com esse nome justamente para mostrar que iria levar ao povo o oposto do terror daquela época, representado tão bem, entre outros, pelo sanguinário Esquadrão da Morte.

Quando o Coração Transborda mostra a luta e a persistência de Maíra em seguir a carreira escolhida pelo pai, mas a peça fala muito mais do que paixão pelo teatro ou idealismo de artista.

É um recado poético a quem, por exemplo, se exime de ser feliz ao fazer a opção pela vida materialmente segura que um belo cargo no serviço público pode proporcionar. Vai tocar fundo psicólogos, músicos ou arquitetos frustrados que passaram a vida carimbando papeis e dando andamento a processos.

Recomendo a peça especialmente aos jovens, que nem bem deram os primeiros passos na universidade e já estão preocupados em garantir a aposentadoria.

Fonte Catracalivre.com.br

Fonte Catracalivre.com.br

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Sabe aqueles discos que marcaram demais a nossa vida e a gente reencontra depois de anos sem escutar? Pois é…Supertramp_-_Breakfast_in_America_(1979)

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Comprei por uns R$ 12 na Livraria Saraiva e estou me acabando de rir. A edição é da própria livraria.

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Fonte: www.cartacapital.com.br

Fonte: www.cartacapital.com.br

Está com razão quem diz que este Congresso é o mais conservador dos últimos tempos e que soma o maior número de mentes retrógradas das últimas legislaturas.

Mas acho equivocado pensar e dizer que com isso um país que havia se tornado progressista de dez, 15 anos para cá, recuou no que avançou em visão de sociedade e, com passos para trás, volta ao encontro do anacronismo.

O Brasil sempre foi assim, assim como o Congresso atual, que é capitaneado por cabeças medievais e dirigido por pessoas que nada mais são que a repaginação dos bispos da inquisição.

O Brasil, de verdade, sempre foi o de conceitos postos por Gilberto Freire em Casa Grande e Senzala: branca pra casar, preta pra trabalhar e mulata pra foder.

Seu sentimento sempre foi o do “só podia ser crioulo” e do “esses paraíbas tinham é que voltar pra terra deles e sair do Rio de Janeiro”.

O que aconteceu é que nos anos 2 mil as cabeças progressistas tomaram o poder (no voto)e tivemos a impressão de que o brasileiro estava se tornando um povo pela igualdade de raças, pela valorização da mulher e tantas outras bandeiras de mesma cor.

O problema é que muitos que sentiram o gosto do poder nos últimos anos se deixaram levar pelo canto da sereia que o próprio jogo do poder carrega de forma intrínseca. E nesse rastro vieram a corrupção, a politicagem, a venda de ideais. O descrédito.

Aí, então, o verdadeiro Brasil, muy bem representado pela versão 2015 do Congresso Nacional, mostrou que nunca saiu de cena, que sempre esteve aí. E que agora voltou a dar as cartas.

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Ele estava achando-a interessante, envolvente com seus olhos negros e profundos e os cabelos também muito escuros, a todo momento caindo delicadamente nos olhos. Mas aí ela disse que esse país precisava era de mais uns cinco Bolsonaros…

O Grito - Edvard Munch

O Grito – Edvard Munch

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