André Giusti - foto: Luana Lleras
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Confesso que já achei graça da tal da piadinha “passou de consumidor a fornecedor”, aquela que se faz com o sujeito que virou pai de menina. Ou meninas, no meu caso.

E foi aí que deixei de achar graça.

Ao olhar minhas filhas em crescimento, parece-me extremamente grotesco e machista o infeliz gracejo.

www.jangadamt.com.br

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Não coloquei no mundo peças de picanha, mas sim seres humanos, dotados de inteligência, sensibilidade, sentimentos.

E hoje também sei que jamais me deitei com algum corte de alcatra.

Deitei e deito com mulheres. Que não são produtos. São pessoas, ricas em emoções.

Aos pais de meninas, como eu, cabe repetir, exaustivamente, para elas: vocês não estão em exibição no balcão do açougue.

E aos pais de meninos talvez não seja demais lembrar: eduque-os não para comer um bife, mas para cuidar de uma flor.

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A foto abaixo foi tirada na Chapada Imperial, uma reserva ecológica que fica a 50 Km de Brasília. Ela tem 4.800 hectares, o que pelos meus cálculos dá quase 5 milhões de metros quadrados. É isso? Se não for, fiquem à vontade para corrigir.

Mas não é isso o que importa.

O que importa é a própria foto, que fala por si.

Chapada Impoerial

Esse muro se chama muro da liberdade, e se por acaso restou alguma dúvida quanto ao recado passado pela imagem, o nome do muro se encarrega de esclarecer por completo.

Muitos vão redarguir: ah, mas se soltar passarinho de gaiola na mata, ele morre.

É claro que para quem nunca conheceu nada além do cativeiro, a liberdade pode mesmo significar a morte.

Que tal, então, deixarmos que eles nasçam na floresta?

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514 norte, Brasília, DF

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Gentileza se faz e se agradece.gentileza

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Fonte radiohead.softonic.com.br

Fonte radiohead.softonic.com.br

Não, realmente eu não sabia quem era o Cristiano Araújo (não o Ronaldo), e ontem, enquanto as TVs tratavam o assunto como se houvessem morrido o Roberto Carlos e Caetano Veloso juntos e de mãos dadas, eu passei o dia pensando nessas bandas de Rock que você não gosta tanto assim, mas que também está bem longe de odiar.

No meu caso, uma delas é o Radio Head, que queira eu ou não, é mesmo influência para muitas bandas – ou projetos de – da segunda metade dos anos 90 para cá, principalmente a partir da década passada.

O Radio Head tem coisas que me enchem os ouvidos. Outras que me enchem o saco.

Isso se deve em parte a uma impressão extremamente particular de que eles se acham bem melhores do que realmente são. Nunca vi nenhum integrante da banda dizer qualquer coisa nesse sentido, mas enfiei isso na cabeça e quem disse que eu consigo tirar?

Fora isso, há uns certos fãs do Radio Head que se enxergam melhores que os demais rockeiros mortais justamente porque cultuam a banda. E disso tenho provas, embora eu não vá, aqui, revelá-las.

Bem, pra encerrar essa conversa sem ontem nem amanhã, deixo aqui o link de uma das canções do Radio Head que me deliciam. Ela é do álbum The Bends, o mesmo que tem Fake Plastic Trees, uma das mais belas canções que ouvi em toda a minha vida.

Esta última foi trilha de um comercial memorável na década de 90, um dos primeiros a avisar ao país que os portadores da síndrome de down são tão capazes como qualquer outra pessoa.

Mas isso aí já é história antiga de gente cujo motor já rodou mais de 100 mil km.

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Ser pai de meninas blhete

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Poë d sol 2

Pör do sol

Brasília Tarde Pontão

Cõrrego do Urubu

Foto Ana Maria de Souza

Foto Ana Maria de Souza

Chuveirinho

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Meus primeiros poemas datam de meus quinze, dezesseis anos.

Quando você começa a escrever poesia, é normal que imite autores que lê e admira. E eu imitava descaradamente os poetas românticos.

Verdes e imaturos, meus primeiros poemas eram uma falsificação grosseira de Castro Alves e Álvares de Azevedo, de quem, até hoje, tenho decorado a Lira dos Vinte Anos.

No meu também incipiente universo de leitor, eu não enxergava na poesia, até os dezesseis anos, nada que não carregasse a extravagância, a dor e as desgraças amorosas do século 19 e suas tabernas, bordeis e teatros.

Até que aos 17 me caiu nas mãos Drops de Abril. Mais do que o título, me chamou a atenção o nome do autor.

Corria o lendário ano de 1985, quando o país era embalado pelo som das guitarras (Rock in Rio, Legião estourando, Barão decolando, etc). E quando li Chacal pela primeira vez, foi como se ouvisse o som de uma guitarra distorcida.

Reconheci naqueles versos soltos, livres, sem normas e etiquetas acadêmicas, a verdade da minha geração, que, começando a respirar os ventos da redemocratização, tinha ( e sempre teria) bastante do ranço dos anos 70, que tanta inspiração levou ao poeta um tantão de anos mais velho do que eu.

Ele falava de pisar na grama, deitar, rolar, tirar o sapato na festa, ligar pra namorada do orelhão da esquina. E isso era muito eu, era muito todos nós que tínhamos 17 anos.

Lendo Chacal, eu descobri que não vivia em 1800 e tanto, mas sim naquela eufórica e ao mesmo tempo fatigada década de 1980. Minhas musas não frequentavam os balcões do Municipal, mas sim os bailes da Tijuca, os bares do Leblon e da Gávea.

Lendo Chacal, eu confirmei o que havia descoberto ouvindo meus discos e rádios como a mitológica Fluminense FM: eu não queria ser poeta, eu queria ser guitarrista, eu queria fazer barulho.

Pro bem da humanidade, começando pela minha vizinhança, meu pai não me deu uma guitarra.

Então, me sobraram a poesia e a literatura de uma forma geral.

Mas não é por isso que desisti de fazer barulho. Quando escrevo – acreditem! -, dentro de mim eu toco tal como um Angus Young e canto feito Bono Vox e Renato Russo.

E foi lendo Chacal que aprendi que dava pra fazer poesia como quem faz um pouco de Rock’n Roll.
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Ainda tem uma gota de futebol brasileiro ou já acabou?

pt.depositphotos.com

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André Oliveira/flickr

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No país da intolerância à opinião contrária, a liberdade de expressão obteve uma vitória expressiva no Supremo Tribunal Federal.

Todos os nove ministros presentes à sessão desta quarta-feira (10) decidiram que biografado e muito menos a família dele precisam autorizar a publicação de um livro sobre sua vida.

9 x 0, uma goleada a favor da democracia. Uma brasa, mora?

A decisão do STF vai impedir que a sociedade seja privada, como foi durante certo tempo, de ler, por exemplo, A Estrela Solitária, de Ruy Castro, sobre a vida de Garrincha. Um espetáculo de livro.

Parece que finalmente vamos saber o que Paulo César de Araújo conta sobre Roberto Carlos em Detalhes, o polêmico livro que praticamente ninguém conseguiu ler, pois a exemplo do que fez com o livro de Ruy, a Justiça preservou o Rei de que passagens obscuras sobre sua vida subissem ao palco iluminado da informação e do conhecimento público.

Como fã de Roberto em seus discos dos anos 60 e 70, quero sim muito saber como, afinal, ele perdeu parte da perna, uma coisa sobre a qual ele nunca se manifestou, mas que, apesar de seu silêncio, é notória como marcou sua vida. O que, aliás, não era para menos.

Submeter a publicação de uma biografia ao famoso ou à família dele é a mesma coisa que um jornalista submeter sua matéria à autoridade sobre quem ele está escrevendo.

Aos famosos que se incomodarem com suas biografias, há o caminho dos tribunais. Entrem na Justiça contra o autor, para que desminta o que por ventura for mentira. Isto, inclusive, está mais do que previsto na decisão do STF.

Com a decisão do STF, será bem simples não correr o risco de ser biografado: é só não se tornar famoso.

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Fonte www.companhiadasletras.com.br

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