André Giusti - foto: Luana Lleras
voltar para o início do blog

Se você morasse em Brasília,

quando setembro chegasse

trazendo chuva,

e as flores exóticas

nascessem pelos canteiros das quadras

como enfeites esquecidos,

e a grama lavada voltasse

piedosa a brindar com oxigênio

a cidade perfumada

de terra molhada,

eu ficaria na janela,

como quem espera passar o café da tarde,

te imaginando subir encharcada as escadas

do bloco,

trazendo a primavera desenhada

nos seios marcando a camiseta branca

colada no corpo.

25.8.2014

Mulher na chuva

Comentários (0)

IMG_20140825_112023768[1]

Comentários (0)

A gente pode não concordar com a linha editorial seguida pela Mírian Leitão, mas o que não falta ao seu trabalho é credibilidade.

Calcado nisso, seu depoimento de ex-torturada vêm colaborar e muito com o entendimento de que a ditadura militar foi para o Brasil o que a idade média significou para a humanidade de uma forma geral: trevas, atraso, horror, vilipêndio à dignidade do ser humano.

É um depoimento de validade incomensurável para pessoas de duas gerações: algumas que viveram a época, mas alienadas que eram naqueles anos, permanecem assim nos dias de hoje, chegando até mesmo a dizer que ” a coisa não era bem assim como esse pessoalzinho de esquerda fala não”.

E entre as outras, incluo muitos dos jovens de hoje em dia que, sem qualquer sintoma de conhecimento histórico, se agarram ao moderno e cretino bordão de defesa da estupidez daqueles anos: a ditadura foi um mal necessário.

A quem ler o depoimento de Mírian é de se perguntar qual a necessidade que algum dia houve neste, e em qualquer outro país, de se colocar uma mulher nua e grávida numa sala escura com um jiboia.

Leiam o depoimento e julguem a história recente do Brasil.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/08/1502711-jornalista-revela-como-foi-torturada-nua-gravida-e-com-cobra-pela-ditadura.shtml

Comentários (0)

Uns dez anos atrás, o prédio em que moro até hoje estava sendo reformado e me lembro de que quando passei por debaixo dos andaimes ouvi alguém cantando Metamorfose Ambulante. Afinado, um dos operários desfiava os versos da música de cabo a rabo enquanto manejava seus instrumentos de trabalho. Eu, que iria pegar meu carro para ir trabalhar, tinha em mãos um CD dos anos 90 com diversas versões em inglês que Raul Seixas gravou das próprias músicas. Era o que me embalaria no caminho.

Pensei o quão gratificante para um artista deve ser sua obra transitar em diversas camadas da sociedade. Eu, profissional de nível superior e aquele homem, que provavelmente não fora além do ensino básico, tínhamos algo em comum além de sermos os dois filhos de Deus. É provável que em algum outro ponto da cidade, alguém com diversas diferenças em relação a nós dois, também estivesse ouvindo Raul, e tantos outros mais diversos ainda não apenas ouvissem e cantassem, mas também, em algum momento de suas vidas pedissem ‘Toca Raul!’.

Não gosto de samba, pouco ouço MPB, e bossa nova, pra mim, é remédio pra insônia ou trilha sonora do tédio. Mas não é questão de achar bom ou ruim. É outra coisa, que passa pela estética, mas, acima de tudo, pela representatividade.

Para usar uma expressão que me aprece meio desbotada, mas que ainda tem lá sua capacidade de resumir um sentimento, Chico, Caetano, Gil são ótimos, mas não me representam, não falam, com exceção de uma ou outra música, o que vai pelas minhas veias e artérias, o que move minhas angústias e alegrias.

Raul, ao contrário, disse tudo que eu queria dizer, e ainda quero, mesmo 25 anos depois de ele ter partido pra verdadeira vida.

Um exemplo disso está neste link.

No mais, hoje e sempre, Toca Raul!!!!

Comentários (0)

Urbanidades

Comentários (0)

Fotopoema

Comentários (0)

Essa música é uma das músicas mais lindas que ouvi nos últimos anos…
A banda é bem interessante. Nada de espetacular, mas altamente “ouvível”…

E tem a versão instrumental também

Comentários (0)

Passei boa parte da vida me achando culpado por quase tudo que acontecia.

Mas olhei pra trás, olhei bem e acho que enxerguei melhor.

Depois disso, me sinto mais aliviado, feito alguém que estava com dor nas costas e entrou debaixo de uma cachoeira forte.

Eu posso não ter sido inocente na maioria dos casos, mas não fui o único culpado.

Aliás, em muitas das vezes, nem fui o principal.

sentimento-de-culpa

Comentários (0)

abbey-road-2

Hoje de manhã avancei um sinal de pedestres e fui repreendido com um gesto por um motorista que estava na pista contrária.

Penso que mesmo o respeito às leis podem e devem passar pela racionalidade.

Eram 7h e não havia sequer sombra de alguém para atravessar.

Confirmei olhando para os dois lados, mais de uma vez. Nem o vento gelado dos últimos dias passava na rua.

Cansei da falsa civilidade do trânsito de Brasília, sustentada em muitos casos por um certo tipo de motorista mais preocupado em parecer do que ser respeitoso.

Meu gesto, tenho absoluta certeza, não pôs em risco a segurança de ninguém, ao contrário de dirigir falando ao celular, e, pior ainda, digitando mensagens no smartphone, transgressões cada dia mais observadas nas avenidas e eixos que desenham a capital do país.

Não é difícil apostar que uma parte considerável de quem fica parado num sinal de pedestres domingo bem cedo (sim, existe) pagando de motorista zeloso, não se furta a atender o celular mesmo numa curva ou a responder o uatizáp ainda que numa via cuja velocidade é 80 km.

A estes, somam-se os que andam pela esquerda sem dar passagem e os que não conhecem, quando ao volante, a palavra gentileza. Fora os que desconsideram a existência da seta.

Cariocas não gostam de sinal fechado, mas não é o caso de fazer jus à fama, e sim de usar o bom senso.

Comentários (0)

urna

As poucas propagandas sobre eleições no Brasil são permeadas pela ideia de que o sistema eleitoral em nosso país é não apenas democrático, mas extremamente seguro e também transparente.

Nossa Constituição garante a todos o direito de escolher seus representantes e governantes. O voto eletrônico, asseguram, vem equipado com instransponíveis dispositivos antifraude. As medidas tomadas pela Justiça Eleitoral permitem que a sociedade acompanhe de perto todo o processo eleitoral.

Bem, acho que o fato de o voto ser obrigatório já é um chute na canela da nossa democracia. Quanto ao segundo ponto, não sou técnico em informática para desafiar a infalibilidade de nossas urnas.

Mas experimente ir ao portal do Tribunal Superior Eleitoral para saber sobre o financiamento de campanha, ou seja, quanto e de quem cada candidato está recebendo dinheiro para bancar os custos de ser eleito.

Penso que pela importância do tema, isso deveria estar estampado em cor de abóbora no site do tribunal. Para chegar a essa aba na página do TSE, o eleitor não chega a entrar num labirinto, mas também não encontra porta escancarada e tapete vermelho.

E a situação complicará se você quiser saber, por exemplo, qual candidato a deputado tá enchendo mais a burra com a  grana dos financiadores. Você só terá essa informação se digitar um por um o nome de quem, em tese, está correndo atrás de trabalhar pelo bem do país, dos estados e do Distrito Federal. Para isso, é simplesmente necessário saber o nome de cada um deles que está nas ruas pedindo voto. Ou seja, impossível.

Dessa forma, a transparência eleitoral fica parecendo um vidro um tanto embaçado.

E se não é completa, não pode ser transparência.

 

Comentários (0)