André Giusti - foto: Luana Lleras
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Amigo meu, tendo visto seu castelo no plano amoroso desabar repentinamente, tentou desabafar com um parente próximo. No lugar do consolo e do ombro amigo, recebeu a frase dura e as mãos vazias de afeto: ah, tem tanta gente morrendo de fome na África e você sofrendo por causa de um namoro.

Tão errado quanto achar que a nossa dor é a mais lacerante do mundo é desprezar a dor do semelhante, relegá-la ao plano das ‘desimportâncias’ face ao tanto de sofrimento e injustiças que desde sua criação se abate sobre a crosta deste pequenino planeta que flutua na imensidão.

Dor é dor. Da perda de um filho a de um animal de estimação. Do brinquedo quebrado da criança ao emprego do qual se foi mandado embora. Do amor que julgávamos sendo o de nossa vida à traição do amigo que tínhamos como irmão.

Não cabe contabilidade para se chegar ao resultado de que a minha é maior ou a dele dói mais. A escala da dor é interna e traçada de acordo com a capacidade de cada um em suportá-la.

Não ache que a dor do outro é menos importante do que as mazelas terrenas.

Por outro lado, viva a sua com a intensidade que ache necessária, até porque a dor também leva ao aprendizado.

Não é por isso que você vai deixar de se preocupar com a fome na África.

dor

 

 

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Quase não tenho memórias do meu primeiro dia dos pais. Sei que minha filha mais velha era bebê, estava beirando fazer um ano e ainda não andava. Portanto, tinha que carregá-la no colo, carrinho ou no tal bebê conforto, cujo nome correto deveria ser “papai desconforto”. Por causa dele, aliás, precisei aumentar a carga na musculação e fazer alongamento que nem gato.

A lembrança mais forte me remete a um único detalhe da festinha na creche onde a pequena havia sido matriculada. Era uma frase, sem assinatura, no painel do corredor principal: “Pai, pise firme! Eu seguirei os seus passos.”

Nunca descobri o autor, assim como jamais li qualquer outra coisa tão bela e significativa que se referisse à relação pai e filha(s), no meu caso. Consegue ser objetiva e ao mesmo tempo ampla em sua mensagem, enquanto que sua força está nos sentimentos de confiança e responsabilidade que carrega. O primeiro, da parte de quem fala. O segundo, do lado de quem ouve.

Ao ler a frase, me peguei chorando a ponto de pôr os óculos escuros para disfarçar. Metade das lágrimas, claro, era por causa do primeiro dia dos pais como pai. A outra metade – e ali só eu sabia disso – era por causa do primeiro dia dos pais do filho que meses antes ficara órfão. Órfão de pai.

*Publicado em 10.8.2013

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A Brasília da Rodoviária do Plano Piloto e do Conic é bem mais interessante que a da Esplanada dos Ministérios.

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Um dos paradigmas que mais oprime o ser humano, especialmente o homem no sentido masculino, é o de que chorar significa fraqueza.

Se fosse possível contabilizar, é possível que víssemos o quanto, ao longo da história, essa postura equivocada da sociedade provocou de câncer, infarto, derrame, alcoolismo, dependência das drogas e suicídio.

Mesmo com todo reconhecimento conquistado pela psicanálise e psicologia no último século, a desconfiança em relação à personalidade de quem verte lágrimas parece não ter abandonado o imaginário social. Vide as críticas que os jogadores da seleção sofreram na Copa, e isso bem antes da chinelada da Alemanha.

Alguns conceitos difundidos nas últimas décadas sobre liderança e gestão me parecem também ter posto lenha numa fogueira que para o bem da sanidade mental da espécie deveria estar é se abrandando. O melhor líder é o que não fraqueja? Ou o que se mostra falho como toda pessoa?

Não é chorar por tudo, mas nunca chorar pode ser o caminho mais breve para a loucura, e não digo a loucura sã dos artistas e dos de bem com a vida, mas a loucura que leva às trevas da alma.

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Ninguém precisa ver, e, dependendo de quem esteja perto, é melhor que não veja mesmo, mas no silêncio do quarto, na casa vazia enquanto os outros não voltam, debaixo do chuveiro aberto que abafará os soluços, chore mesmo, amiga, amigo, por amor, morte, traição, decepção, demissão.

Certamente as lágrimas não vão trazer o desfecho, a solução do problema ou livrá-lo do drama numa passe de mágica, mas dentro do peito o coração despedaçado ficará ao menos um pouco mais leve. E, desculpe-me a obviedade, tudo que é mais leve é mais fácil de carregar.

Outra coisa: não se force a ter esperança, não se desespere se procurá-la dentro de si e ela não responder de imediato. A exemplo do amor, esperança não se encontra em prateleiras.

Há horas em que parece mesmo que todas as portas estão cerradas, todas as luzes apagadas e você nem desconfia de onde esteja o interruptor mais próximo.

Pois a esperança virá quando você menos espera. Quem sabe depois de você chorar a noite inteira, se for preciso?

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1. Se pra quem tá bem final de domingo já é uma bosta, imagina pra quem tá fodido.

2. Você não precisa de motivo nenhum pra lembrar da pessoa, mas a porra do acaso ainda te dá mais uns 40.

conversa

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A Revista Mallarmargens publica três poemas meus que fazem parte do livro Os filmes em que morremos de amor, ainda inédito.

Boa leitura!

http://www.mallarmargens.com/2014/07/3-poemas-de-andre-giusti.html

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