André Giusti - foto: Luana Lleras
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Em um dos meus livros de contos (A Liberdade é Amarela e Conversível, 7Letras, 2009) há um personagem chamado Zedias.

Ele é uma espécie de justiceiro do respeito ao próximo, do direito do outro, do convívio harmonioso em sociedade.

Para dar um jeito no baile do clube que todo fim de semana não deixa ninguém dormir até cinco da manhã ou na pessoa que coloca a bolsa para marcar lugar na praça de alimentação na hora do almoço, com o shopping lotado, Zedias toma atitudes pouco convencionais, violentas em certa medida, mas que eu diria que, mesmo assim, são imbuídas de um radicalismo relativamente pacífico (e bem intencionado).

Coca cola

Digo relativamente porque em uma das situações da história, Zedias compra um caminhão da Coca-Cola caindo aos pedaços e sai pela cidade para dar um jeito em quem não usa seta ou se recusa a ceder a vez no trânsito, por exemplo.

Nessa empreitada, manda uns três para o hospital.

Zedias é uma das válvulas de escape que como escritor lanço mão para trabalhar minhas mazelas de vivente nesse mundo de imperfeição.

Ele é o que a civilidade tem me impedido de ser.

E hoje me lembrei de Zedias porque em pleno tráfego das 9h uma madame chique com sua SUV coreana novinha em folha andava a menos de 30 por hora – na pista do meio – porque estava falando ao celular.

Atrás, o mundo que esperasse, porque na cabeça de madame, o mundo é só uma extensão da bela sala em que ela recebe as ‘migas para um chá ou um drinque.

Por um momento quis muito, mas muito mesmo ter a coragem de ser o Zedias.

A vontade passou e a possibilidade de que o escritor se transforme em seu personagem é menor que 00000,1%.

Em todo o caso, se você mora em Brasília e vir um caminhão da Coca-Cola bem velho, caindo aos pedaços, é prudente manter uma distância.

Pode ser que eu tenha mudado de ideia.

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Fufuca me parece aqueles apelidos que surgem inocentemente da boca das crianças menores, que não sabendo ainda falar direito o nome do irmão mais velho, pronunciam qualquer palavra que se assemelhe ao som que escutam.

Uma de minhas irmãs mesmo tem um apelido dado por mim, que aos dois, três anos não conseguia dizer seu nome direito.

Uma pesquisa rápida talvez revele que Fufuca é coisa de irmão mais novo, embora eu não afaste a hipótese do batismo ter sido feito pela turma da rua ou do colégio, em um tempo em que nem mesmo as maiores maldades infantis recebiam o nome de bullyng.

Estado de Minas

Estado de Minas

Fufuca também me lembra aqueles jogadores de nome estranho que aparecem do nada, decidem um clássico fazendo um ou dois golaços e da mesma forma que surgiram, desaparecem, deixando na memória do torcedor apenas a lembrança divertida.

A história do duelo entre Flamengo e Vasco, por exemplo, possui ao menos dois casos assim: Cocada, em 1987, dando um título ao Vasco, e Bujica, dois anos depois, em um 2X0 antológico com dois golaços a favor do Flamengo, em um jogo em que estavam em campo ninguém menos que Zico e Bebeto.

Nunca mais Cocada nem Bujica.

É cabível em minha imaginação a manchete: Golaço de Fufuca garante o título aos 45 do 2º tempo.

Só que neste momento em que escrevo, Fufuca está sentado em uma das cadeiras mais poderosas do país, a de presidente da Câmara dos Deputados, substituindo o titular do cargo, Rodrigo Maia, que por sinal – reparem bem – também tem cara de Fufuca.

No futebol, quando seu time perde um campeonato ou uma partida com um gol de Cocada ou Bujica a coisa soa como deboche.

Pois ter Fufuca no poder me parece igualmente a comprovação do deboche que é a política brasileira na atualidade.

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TripAdvisor

TripAdvisor

Fui escalado para a cobertura jornalística de um almoço entre uma alta autoridade e empresários de um dos setores mais ricos da economia nacional.

Cenário: uma churrascaria chique de Brasília.

Marcado para o meio-dia, a alta autoridade só apareceu pra lá de uma da tarde. Os empresários já não sabiam se pensavam primeiro na comida ou nos negócios.

O rango só começou a aparecer quase às duas.

A mim e a outros jornalistas e fotógrafos só foi servido um único copo d’água (com gás, tudo bem), antes de começar o rega-bofe business.

Quase às três da tarde, como de costume os empresários choravam miséria, como se estivessem falidos. Em cadeiras em volta da grande mesa, azuis-esverdeados de fome, eu e meus colegas de ofício víamos passar por nós espetos de picanha, costela e bandejas de filé acebolado, uma espécie de tortura gourmet. E nem mais um copo d’água apareceu para nós.

Mas não é disso que quero falar, até porque, em muitas vezes, a vida de jornalista se assemelha à de cachorro de rua e com 30 anos de profissão já me acostumei a ser alijado das bocadas (embora não deixe de achar, no mínimo, uma falta de educação).

Mensagens - Cultura Mix

Mensagens – Cultura Mix

O que quero dizer é que, mesmo quase desfalecendo de fome, eu tinha a certeza de que em algum momento eu iria almoçar, nem que fosse um prato feito num féstifúdi (como foi).

E com essa certeza, pensei naqueles que vagam pelas ruas pedindo dinheiro para comer, para inteirar uma quentinha, na porta dos restaurantes pedindo que lhe façam, pelo amor de Deus, uma marmita.

Pensei, sem hipocrisia ou querendo bancar o bom cristão, nessas pessoas que na porta dos restaurantes sentem o cheiro da comida e simplesmente não sabem quando vão conseguir comer. Às vezes nem lembram quando comeram pela última vez.

Você sabe o que é sentir cheiro de comida sem poder comer naquele momento, não é mesmo? Mas provavelmente não sabe – eu também não sei – o que é sentir cheiro de comida sem saber quando vai comer.

Do que é capaz uma pessoa que passa por isso? Que vê os filhos passarem por isso?

“É por isso que eu defendo que haja um restaurante popular em cada esquina”, disse o companheiro Cleverland Costa, fotógrafo que trabalha comigo e que a meu lado também perdia a cor de tanta fome.

Encampei a ideia de imediato. Com apenas R$ 3, um esfomeado em situação crítica pode ter um almoço decente.

E de barriga cheia, serão algumas horas a menos com a possibilidade de ele fazer uma besteira para poder comer.

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Último Segundo - iG

Último Segundo – iG

Ao abrir os principais sites de notícias, deparo com a velha/nova manchete de que as Polícias (estranho país em que há mais de uma) e o Exército invadiram sei lá quantas favelas no Rio e fizeram e aconteceram, apreendendo armas e drogas e prendendo homens – negros e mestiços, quase todos – que o Estado quer nos fazer acreditar que são realmente os principais responsáveis pela desgraceira do tráfico de drogas.

Penso como seria bom dar o mesmo clique no mausi do computador e ver pular na tela uma manchete bem grande informando que o Estado invadiu ao menos uma favela carioca colocando escola, posto de saúde 24 horas, esgoto, quadras de esporte e centros culturais, para nunca mais (ou quase nunca) ter que lá voltar com suas polícias – e agora Exército – no seu inútil trabalho de enxugar gelo.

É uma equação simples, que o fracasso das Unidades de Polícia Pacificadora, as outrora badaladas UPPs, demonstrou, e que qualquer um que tenha a mais básica noção de como se faz segurança pública sabe: a polícia é a última instância, o último recurso, e só deve ser empregada quando o sujeito realmente prefere o caminho errado à dignidade que o Estado, com o dinheiro dos impostos que pagamos, o proporcionou.

Ou deveria ter proporcionado, que é o caso do Rio e do Brasil inteiro.

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Escrevi na rede social algumas poucas palavras sobre a música nova do Chico Buarque, e acho que fui mal-entendido por alguns. Mas acho também que a culpa foi minha. Relendo, vi que não primei pela clareza.

Eu não quis dizer que a música é ruim, e nem podia, porque na verdade eu não a escutei.

E não escutei porque Chico Buarque não me interessa, nem nunca me interessou.

Reconheço seu valor, mas sua música não me representa, usando uma expressão (ainda) em moda. Nem a dele, nem a dos outros medalhões da MPB.

(É sim perfeitamente possível reconhecermos valor num artista, mas não gostarmos de sua obra).

Chico

Mas meu gosto não é o objeto da discussão, até porque ele só interessa a mim.

Eu quis falar sobre pessoas que, na minha pacata observação, se obrigaram a dizer que gostaram da música só porque ela é do Chico Buarque, como se fosse uma ofensa aos direitos humanos dizer o contrário.

Ao mesmo tempo, constatei pessoas quase se desculpando justamente porque não gostaram. Como se fosse uma ofensa não gostar de uma canção de um ícone da MPB.

Sou beatlemaníaco e sempre achei que parte da força que os Beatles têm até hoje deve-se ao fato de que se separaram no auge, quando eram perfeitos como banda.

Na carreira solo, John Lennon (o meu preferido) não manteve a mesma pegada que tinha no quarteto.

Paul continuou fantástico, mas só até o início dos anos 80. Depois, oscilou – mais por baixo do que por cima.

George, igualmente fantástico logo após a separação, fez grandes discos depois, mas da mesma forma sem o peso dos álbuns ao lado dos outros três.

Então, sem traumas, sem crises, vamos olhar de frente nossos ídolos e entender que são de carne e osso, inerentes ao auge e ao declínio criativo.

Se você realmente gostou da música nova do Chico – sendo ou não fã dele -, ótimo! Diga isso e a cante aos quatro ventos.

Se não gostou, não force a amizade dizendo que a música é ótima simplesmente porque tem medo ou vergonha do nariz torcido de uma certa patrulha que acha que detém a ciência do bom gosto.

Era, enfim, isso o que eu queria dizer.

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Canal Sony

Canal Sony

Nesse dia vergonhoso de ressaca moral desse país hipócrita, não estou cá me perguntando por onde andam as patricinhas e mauricinhos com suas camisetas Nike da seleção nem as dondocas com suas panelas Tramontina clamando contra a ladroagem.

Esses já era esperado que não aparecessem, posto que o que os incomodava era tão somente ter menos uma vaga para medicina na federal por causa do sistema de quotas, ou correr o risco de ter que viajar ao lado de uma nordestina humilde que entrou em um avião a primeira vez para ver a filha em São Paulo.

Sinto falta de meus colegas jornalistas e blogueiros de esquerda utilizando seu talento com as palavras para protestar, por exemplo, contra a omissão da CUT, UNE & Cia nos protestos de ontem, e contra o claro corpo mole que o PT fez na votação vexaminosa.

Adotando as comparações com o futebol tão usadas nos dois mandatos de Lula, a atuação do PT ontem me fez lembrar a do Peru contra a Argentina na Copa de 78. Dinossauros da arquibancada feito eu saberão do que falo.

Helena Chagas nos ajuda a entender isso em seu brilhante artigo em Os Divergentes (osdivergentes.com.br) – blog de cobertura política que distribui pancada de forma democrática, ou seja, pra todos os lados.

O interesse eleitoral não moveu apenas os que já sabemos podres, velhacos, corrompidos. À maneira clássica do PMDB, agiram de modo igual, nos bastidores da politicagem, muitos que fazem carinha moralista de nojo em público, para os holofotes, quando o assunto é bandalheira.

(E enquanto escrevo, o silêncio perdura)

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Nosso Lar

A foto é do Centro de Ensino Eurípedes Barsanulfo, que fica no subúrbio carioca do Lins de Vasconcelos.

Nesse prédio, entre 1983 e 1985, vivi alguns dos melhores anos da minha vida.

E foram tão bons porque foi aí que conheci alguns dos meus melhores amigos até hoje.

O colégio pertencia à extinta Caixa de Pecúlio dos Militares, a Capemi, sigla famosa nos anos 70 e início dos 80.

Na base da roubalheira, quebraram a Capemi. Só um exemplo ilustrativo para quem teima em acreditar que na ditadura não havia ladroagem.

Com destino incerto, o colégio foi assumido naquele tempo – com muita coragem e amor à educação – pela família que mantinha uma escola infantil, a Nosso Lar, a quem sou ligado por amizade e afeto até hoje.

No ano passado, a família decidiu – com todo direito – que não queria (e não podia) mais tocar o CEEB.

Até o momento, não apareceu ninguém disposto a investir no maior ativo (para usar bem a linguagem do mercado) que um país pode ter: a educação de seu povo.

Vivêssemos sob a égide de um estado que realmente pusesse em prática seu conceito original de cuidar da sociedade, o colégio seria encampado para servir a um ensino público de qualidade.

O prédio, um dos maiores da zona norte do Rio, se deteriora a olhos vistos, correndo o risco de a qualquer momento ser invadido por quem não tem (ou diz não ter) casa.

Eu não consigo dizer com palavras a dor que me causa, como ex-aluno, olhar essa foto. Qualquer coisa que eu possa escrever estará muito longe da alegria que eu sentia em ir todas as manhãs para este lugar.

Mas a pichação na fachada explica exatamente porque a Suécia tem, continuadamente, os melhores índices de desenvolvimento humano, e porque o Brasil patina há mais de 500 anos em seus vários níveis de indigência.

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angustiado

Confesso que desde que o Lula foi condenado pelo Moro, caí numa espécie de letargia, e minha opinião sobre o assunto não vai além de uma massa amorfa, sem cor, sem gosto, sem temperatura.

Logo eu, que até por força de ofício sempre me empenhei em arranjar o que dizer.

Hoje, o máximo que alcanço é: não sei.
Não consigo enxergar provas, ao menos as ditas cabais, contra o ex-presidente, por mais que a TV Globo gaste metade do Fantástico tentando garantir que elas existem.

Mas o que me incomoda – e sempre me incomodou nesse imbróglio de petrolão, tríplex e que tais – é o tanto de acusação contra Lula.

Não tenho dúvida de que o PT se perdeu inteiramente no jogo do poder, inclusive pelo caminho da roubalheira. Mas aguardo que me provem se Lula também cedeu ou não ao canto do cisne.

Cá na minha pureza de honrador de IPVA e IPTU em quantas prestações o estado me permita livrar-me da faca afiada que ele põe sobre minha jugular todos os anos, ainda sou o tipo que pensa que pelo o que Lula se propôs a fazer pelo país, nas inúmeras campanhas eleitorais, não deveria existir sequer uma pulga atrás da orelha de algum de nós em relação à sua integridade.

Mas existe. Um circo de pulgas, aliás. E atrás das orelhas de milhões que, como eu, não estão convencidos nem do sim nem do não.

Assim como não me convence – e nunca convenceu – a figura ungida de santidade midiática do juiz de Curitiba.

Igualmente me incomoda demais a imagem dele cochichando aos risos com Aécio Neves poucos meses atrás (e essa foto é só um exemplo de procedimentos duvidosos).

Será que ali, ele, um juiz, não tinha sequer uma desconfiança de que o senador estava enrolado também nesse dominó todo?

Acho que isso deveria incomodar também os que enxergam em Moro uma espécie de Capitão América com alma feminina de mulher maravilha.

Do eleitor convicto que fui em outras eras, restou somente que a expectativa para 2018 é a de que eu seja um cidadão cabisbaixo, com a certeza apenas de ‘em quem não votar’, o que é muito pouco para os meus padrões de politização.

Enquanto isso, Bolsonaro sobe nas pesquisas.

E aí, o que me assalta não é somente a dúvida, mas também a angústia e o desespero.

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Passei uns três dias pensando e cheguei à conclusão que, no fundo, eu já esperava chegar: o tal do leitor sensível é realmente censura.

Ou melhor, é patrulhamento ideológico, que é a censura sem o poder de veto do estado.

Patrulhamento ideológico, pelo que reza a história política do país, é uma expressão que surgiu nos anos sessenta. Era praticado por setores da esquerda que realmente têm dificuldade em conviver com a democracia, com a opinião diversa e, especialmente, contrária.

Embora seja e já tenha me posicionado contra atrocidades do tipo homofobia e racismo, confesso o temor de estar na mira do leitor sensível, aquele que será pago pelas editoras (e o fará também nos canais de produção de conteúdo, como as redes sociais) para identificar preconceitos raciais, de gênero, de orientação sexual – e por aí vai – nos livros.

Para Sempre Cinderela

Para Sempre Cinderela

Sou homem de classe média (bem média mesmo, quase fodida, embora melhor que a maioria no país), branco, olhos claros, meia idade, descendente de europeu. Sou o protótipo físico do racista, do homofóbico, do machista, e numa sociedade em que a aparência instiga julgamentos instantâneos, já me sinto vigiado com atenção redobrada pelo leitor sensível.

É claro que não vou me intimidar, mas temo que ao criar, por exemplo, um personagem que odeia negros ou homossexuais, a patrulha dos que muitas vezes enxergam chifre em cavalo e cabelo em ovo venha para cima de mim dizer que aquilo na verdade é meu preconceito expresso numa terceira voz disfarçada. É algo que os próprios críticos literários dizem da Emília em relação a Monteiro Lobato.

A figura do leitor sensível não ajuda em nada no combate a preconceitos. Ao contrário, pelo que vejo está é instigando a salivação dos Danilos Gentiles e Bolsonaros de plantão, que pisoteiam com escárnio o (necessário) politicamente correto, a na verdade dizerem prazerosamente: olha lá, tá vendo como é ditadora essa cambada de preto, bicha, sapatão e feminista?

Liberdade de expressão é tão importante em uma sociedade que a luta contra o preconceito passa necessariamente – e até obviamente – por ela.

Nos casos de apologia, via literatura, do racismo e seus odiosos similares discriminatórios, mais eficaz e salutar que a figura do leitor sensível será o boicote à obra, e, em última análise, a Justiça.

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G1 - Globo.com

G1 – Globo.com

De uns tempos para cá, comecei a tentar entender pessoas que usam o banheiro de onde trabalham e não dão a descarga, especialmente naquela situação que todos podem imaginar.

A primeira hipótese que me ocorre é que são extremamente infelizes no local onde ganham o pão de cada dia. Odeiam tudo ali – o salário, o serviço, o chefe, as pessoas – e quando vão ao banheiro devem imaginar a privada como a sala, a seção ou o departamento, e que lá dentro estão os chefes e os colegas. Penso que devem mesmo imaginar, naquele exato instante, que são imensos gigantes sentados sobre o prédio.

Essa infelicidade talvez venha desde a formação profissional, dos anos de faculdade. Quem sabe o autor do quadro repugnante com o qual você depara no banheiro queria ser médico, ator, arqueólogo. Não conseguiu ser por alguma razão e pá: “o mundo que veja projetado nessa privada o que eu acho da minha vida”.

Casamento infeliz, pais e sogros insuportáveis, filhos com problemas, dívidas impagáveis do cartão.

Todas essas possibilidades me vêm à cabeça quando vou usar o banheiro e vejo que não há condição.

Sentido-me mais afortunado que os funcionários da limpeza que terão que dar um jeito naquilo, procuro achar que a pessoa que usa o banheiro e não dá a descarga é alguém infeliz sem coragem para mudar a própria vida e correr atrás da felicidade.

Medroso, acomodado, agride o mundo de forma escatológica extravasando suas frustrações.

Não pensa que há saídas mais higiênicas de trabalhar nossos complexos.

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