André Giusti - foto: Luana Lleras
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Mordaça

Em tempos de compartilhamento instantâneo de conteúdo, a censura serve muito mais como gasolina do que água na fogueira.

Proibir a veiculação de uma mensagem só faz com que ela ganhe com mais força ainda o continente sem fronteira das redes sociais.

Aí, acontece justamente o que o censor queria evitar: que todas as torcidas do planeta conheçam o que ele proibiu de direito, mas, devido ao mecanismo frenético da comunicação atual, não de fato.

A matéria da Revista Crusoé censurada pelo STF mantém o padrão das matérias nascidas a partir do vazamento (seletivo) da lava-jato: acusações sem provas de alguém que está de olho nos benefícios da delação premiada. Nada mais.

Com o dedo anacrônico da censura, ganhou holofote que não teria se a parte atingida ficasse calada e fizesse ouvido de mercador, como diziam avós distantes em nossa infância.

Tão lamentável quanto a censura é o STF ocupar seu tempo de modo corporativo, trabalhando a favor de interesses particulares de seus integrantes.

Fala-se, com razão, da qualidade do atual Congresso, muito aquém de um parlamento que já teve Ulysses e Tancredo, para ficar em apenas dois exemplos.

Qualidade maior não parece ter o Judiciário de hoje em dia.

O que não é, de modo algum, motivo para fechamento.

De nenhum dos dois.

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Poucos sabem que sou sujeito religioso.

Se me perguntarem, falo sobre o assunto com naturalidade, mas não tenho talento nem paciência para tentativas de converter o próximo.

Aos chatos insistentes na pregação, ofereço minha adaptação às palavras do próprio Cristo: Ide e pregai (Mas não enchei o saco)!

Criado em família espírita, permaneço estudando a doutrina trazida ao mundo por intermédio do professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, conhecido como Allan Kardec.

Mas o faço em casa, distante dos centros espíritas que já frequentei, por não concordar com a maneira retrógrada, monótona e alienada, fora da contextualização do mundo atual com que o Espiritismo é levado às pessoas nesses lugares. Ao menos em Brasília, onde moro, tem sido assim.

O afastamento efetivo se deu ano passado, por ocasião das eleições.

Não aceitei que a Federação Espírita Brasileira (sem fazer campanha política, por favor, entendam!) não tenha em momento algum se manifestado alertando aos adeptos da doutrina que diversos pontos da plataforma política e do discurso de determinado candidato eram frontalmente contrários aos ensinamentos de Jesus.

Diocese de Sete Lagoas

Diocese de Sete Lagoas

Em resumo, não aceitei (e não aceito) que um cristão, no meu caso particular, os espíritas, tenha votado nesse candidato.

E votaram, muitos votaram, tanto é que fui execrado de vários grupos de zap do meio espírita com o velho argumento covarde e conivente com a opressão de que “aqui não é lugar para se discutir política”.

Quando na verdade a discussão não era sobre política.

Era sobre valores; cristãos, inclusive.

Agora a Folha de São Paulo traz pesquisa informando que entre os evangélicos a aprovação ao governo chega a 42%.

31% dos católicos, umbandistas e candomblecistas ouvidos consideram o governo ruim ou péssimo.

O percentual de reprovação mais alto está entre os que não possuem religião: 47% acham o governo ruim ou péssimo.

Os espíritas, como sempre, não são citados.

Olhando a pesquisa e casando-a com minha experiência recente, começo a concluir que não as religiões, mas seus líderes e doutrinadores nos templos, igrejas, terreiros e centros talvez não estejam transmitindo corretamente a mensagem de amor ao próximo que todas elas trazem em seus ensinamentos.

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As quatro frases elementares – e possivelmente as únicas – dos eleitores do Bolsonaro nas redes sociais são (não necessariamente nesta ordem):
- Deixa de mimimi (essa é tópi. Aliás, tópi é o adjetivo preferido deles)
- Ah, me poupem!
- Magoou?
- ‘ceis ‘é’ tudo petista! Kkkkkkkk!!!!

Porco

PS: Tudo bem que o Exército nada tenha a ver com o Ministério da Justiça, mas é incômodo o silêncio de Sérgio Moro sobre o pai de família executado ontem no Rio.

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É claro que ele sabe que o nazismo é de direita, ele não é tão ignorante, mas precisa dizer o contrário, porque os eleitores dele, desinformados, cegos quanto à história e imbecilizados ideologicamente acreditam que o nazismo é de esquerda. É simples.

Correio Braziliense

Correio Braziliense

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Polícia de Israel

Polícia de Israel

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Em uma de minhas postagens contra as comemorações pelos 55 anos das crueldades promovidas pela ditadura militar, recebi comentário dizendo que a esquerda, naqueles anos de chumbo grosso, também matou, sequestrou e assaltou banco.

É alegação costumeira dos defensores da barbárie.

Desinformadamente (quero crer) se esquecem de que o Estado, quando considera que alguém infringiu a Lei ou atacou a ordem, deve investigar, prender, julgar e condenar ou absolver.

E não espancar um jovem, colocar sua boca no cano de descarga de um automóvel ligado e, por último, jogá-lo, possivelmente ainda vivo, de um avião em pleno mar alto, como foi feito com Stewart Angel Jones, em 1971.

Afinal, não estamos falando de um poder paralelo, pirata, mas sim do Estado, guardião da Lei e principal mantenedor da ordem, do direito. Da vida das pessoas.

Essa é a diferença.

Que não é pequena.

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Blog do BG

Blog do BG

Não que o Temer não merecesse ser preso. Longe disso.

Tinha que ter ido pro xilindró preventivamente no dia em que vazaram as conversas dele com o Joesley safadão.

Mas me assusta a reação de um tipo de eleitor, que a cada dia mais se revela sectário.

“Quem mandou mexer com o Moro?”, foi o tom geral que vi em algumas postagens por aí, referência para a treta entre o ministro e o Presidente da Câmara, casado com a enteada do Moreira Franco, que dançou junto com o Temer.

É claro que não há como se provar se foi o caso, e me estarrece só de pensar que tenha sido, mas claramente, a julgar pelas postagens, está comprovado que uma boa parte das pessoas passou a considerar normal usar o poder de ser governo (e de ser ainda considerado super herói) para resolver diferenças pessoais.

Porque quem pensa assim pode perfeitamente ter elegido quem pensa igual.

E então todos os atropelos, começando pelos da Lei, serão permitidos.

Ps: Do twitter do Chico Alencar, meu deputado sempre, mesmo eu morando e votando em Brasília.

“A prisão de Temer é tardia. Ele só foi preso porque perdeu o foro privilegiado de presidente e porque não serve mais aos interesses da política de coalizão que derrubou Dilma e o sustentou até o fim do mandato. A caixa de Pandora foi aberta. #Temer #TemerPreso

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viminas.com.br

viminas.com.br

As vidraças fumê espelhadas dos prédios modernosos de Brasília estão matando passarinhos.

Eles devem achar que a paisagem que vêem pela frente durante o voo é real e não uma imagem refletida.

Então, o choque é inevitável, e muitas vezes em alta velocidade.

Está aumentando a frequência com que se acha aves mortas no chão, com ferimentos, sempre perto de prédios com esse tipo de vidraça.

Então resolvi tocar no assunto porque afinal acho pássaros mais bonitos (úteis e importantes) que vidraças fumê espelhadas.

Pela atenção, obrigado.

Flickr

Flickr

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Brendan Smialowski/AFP

Brendan Smialowski/AFP

A falta de uma visão plural sobre o pais governado pelo twitter fez com que Pelé/futebol voltasse a ser a 1ª coisa que se fale ou que venha à cabeça quando o assunto é Brasil.

É muita volta ao passado em tão pouco tempo.

É patético e deprimente o retrocesso.

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ainstem.wordpress.com

ainstem.wordpress.com

Na última 6ª feira meu combalido celular bateu a cassuleta.

Levou um tombo (mais um) e agora tomará de vez seu destino final, que, espero não seja o de sujar mais o planeta.

Por uma série de contingências, acabei ficando ‘ “incomunicável” durante exatas 24 horas.

De início, veio aquela sensação de estar no filme O Náufrago, do Tom Hanks. Sem o Tom Hanks.

Bateu também gosto de que eu estava nu em plena Avenida Rio Branco, procurando um jornal pra esconder as partes.

Só que lá pelo meio da tarde de sábado percebi que estava era me sentindo bem.

Muito bem, aliás, com mãos vazias e olhos liberados para prestar atenção às cores do dia, às flores da estação.

Atenção às pessoas que passavam por mim.

Mas o melhor foi perceber um silêncio relaxante dentro de minha cabeça, silêncio que me convidava a ouvir os meus próprios pensamentos, e não os pitacos de
Clementino ou Verediana sobre a menstruação das abelinhas da Malásia.

Me veio também uma paz deliciosa, paz de não ter como verificar compulsoriamente fotos, vídeos, amenidades de gente que nunca verei, de lugares a que nunca irei.

Experimentem, pois, ao menos uma vez por semana, 24 horas de liberdade.

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