André Giusti - foto: Luana Lleras
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A recente reforma que o Governo do Distrito Federal fez no sistema de ônibus, trocando as empresas e colocando veículos novos, conseguiu piorar algo que, no sistema, funcionava razoavelmente bem.

Falo das zebrinhas do Plano Piloto, pequenos ônibus que rodam apenas em Brasília, e não no restante do DF.

Eram velhas, chacoalhavam, faziam mais barulho que liquidificador com defeito e, dependendo do buraco em que passavam, a impressão é que deixariam pedaços pelo caminho.

Mas faziam, até a reforma, o principal: passavam nos horários.

Agora, inegavelmente, os ônibus são melhores. Novos, não fazem barulho e são equipados com alguns dispositivos técnicos que fazem vista ao passageiro. Perderam a pintura que lhes deu o apelido, embora permaneçam sendo chamados pelo diminutivo de mais de três décadas.

Mas com as latas velhas substituídas foram-se os horários certos.

Semana passada esperei mais de 40 minutos para voltar para casa e há dois dias chego atrasado ao trabalho. Hoje perguntei ao motorista sobre o antigo horário e a que horas passava o veículo que antecedia aquele. Totalmente desinformado, apesar de educado, disse que nem eles estavam entendendo nada, e continuou dirigindo.

No Uruguai, país da moda, pelo que li, os ônibus são antigos, mas bem conservados e fazem o que realmente importa: passar no horário.

Aqui no Brasil, fico pensando que o Estado tem um talento peculiar de deixar como está o que é ruim, piorar o mediano e não repetir o que dá certo.

As zebrinhas foram lançadas nos anos 1980 para melhorar o transporte da capital do país

As zebrinhas foram lançadas nos anos 1980 para melhorar o transporte da capital do país

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Trex

Ceilândia é a maior e mais populosa cidade do Distrito Federal.

Já existe há mais de 40 anos e não tem, nem jamais teve, um cinema.

Apesar da alta densidade demográfica, possui muitos espaços vazios, que são públicos, e que tanto por meio do estado quanto da iniciativa privada, poderiam e deveriam ter recebido, há anos, locais de lazer, de atividades esportivas, de manifestações culturais.

A fotografia é a mesma em várias outras periferias do Brasil, oprimindo uma juventude sedenta por ter o que fazer, por canais de expressão e de canalização de uma energia própria da idade.

Fomentando tudo isso, há uma arguta percepção da injustiça social, que, sem válvulas de escape, se transforma em revolta, deságua no que estamos vendo acontecer nos shoppings, para o horror da classe média, espantada porque nunca se importou em tomar conhecimento dessa juventude posta debaixo do tapete das grandes metrópoles.

Mas não é só isso.

Esses jovens são também a face mais maltratada da sociedade de consumo, esse tiranossauro rex alimentado de hora em hora pela mídia e sua responsabilidade social desprezada em prol do faturamento; pelo Estado/governo que incentiva a produção para fins de consumo como caminho para o crescimento, e por nós mesmos, com nossos cartões de crédito estourados, comprando aquilo que não precisamos, apenas porque está em promoção e dá pra pagar em dez vezes sem juros.

Consumir tornou-se doentiamente um modo de vida.

Se assim não fosse, seria possível um “rolezinho” marcado para os parques, teatros, cinemas e não par a selva envidraçada e refrigerada em que vive o T-Rex.

 

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E se o tal rolezinho fosse um bando de meninos e meninas branquinhos, de olhos claros, cabelo lisinho e roupa de grife? Será que os “shópis” iriam barrar?

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Carolian Kasting

Na verdade não sei se é, talvez nem eu mesmo ache, caso ela seja a mim confrontada com outros rostos televisivos e bonitos. Disse isso porque a vi outro dia no vídeo e porque sou mais ignorante do que as portas em termos de atrizes de telenovelas.

Além disso, tenho tendência a uma queda por essas globais que, em termos de beleza, até são reconhecidas, mas sempre estão (ou estiveram) em segundo plano no “uau!” geral do público.

Nos anos 80, o Brasil se derretia pela Vera Fischer e pela Cláudia Raia, dois verdadeiros boeings aparecendo todas as noites nas telinhas da nação. Enquanto os colegas de escola babavam por elas, eu suspirava pela Lídia Brondi, pela Tássia Camargo e mesmo pela Glória Pires.

Lembram-se da Mayara Magri? Embora tenha pousado para a Playboy, não ocupava as melhores colocações no play list da rapaziada, não que eu me lembre. Mas eu era apaixonado por ela.

Certa vez escandalizei colegas de trabalho ao dizer que a apresentadora Cris Flores, com aquela pinta de caloura aplicada de universidade federal, era bem mais bela que a Ana Hickmann, ocupante da outra metade da bancada do programa que apresentavam (apresentam ainda?) na TV Record. Ficaram todos espantados: como uma mulher que ocupava praticamente todas as capas de revistas poderia ser preterida esteticamente por um simples mortal pagador de contas?

Há um tipo de beleza e sexy appeal (principalmente este) femininos consagrado pelos meios de comunicação. Juliana Paes é o exemplo mais recente. Então, acha-se estranho quando um homem diz que não perderia a cabeça por uma mulher adequada a esse padrão, mas que juraria amor eterno à Carolina Kasting com seu ar principesco de contos medievais.

O que no fundo eu quero dizer é que se não tomarmos conta, a mídia acaba decidindo por nós até mesmo quem devemos achar bonitos.

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Ainda acho que um dos sinônimos de juventude é idealismo.

No link abaixo, uma entrevista com Sílvio Gomes, uma espécie de faz tudo do Sepultura, banda que mostrou ao mundo que no Brasil se sabia fazer heavy metal. Na história dos caras, a gente encontra, de maneira bem cristalina, o exemplo do tal “corra atrás do que você quer”.

http://desova.wordpress.com/2014/01/09/984/

sepultura

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Reportagem da Folha de São Paulo dessa quinta-feira, 9, mostra um pouco do que deve ser a realidade penitenciária do Maranhão, certamente apenas um pouco pior que a do resto do país.

Não entrarei em detalhes. Quem os quiser, acesse o link http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/01/1395248-em-cadeia-superlotada-no-ma-presos-comem-arroz-e-galinha-crua.shtml

O que cabe dizer é que aqueles presos vivem algo bem próximo do que desejam a eles os que pregam o mata e esfola como caminho de justiça no país. Se querem combater barbárie com barbárie, incêndio com gasolina, saibam que isso já é feito, e há muito tempo, pelo que se lê na reportagem, que, aliás, não traz lá tanta novidade.

Portanto, não é difícil admitir que alguém, que fuja lá de dentro, seja mesmo totalmente insensível e cruel na hora de atear fogo a uma criança de seis anos.

O que precisamos é de uma Polícia eficaz e que não se corrompa; de uma Justiça idem, que não fique anos atolada em recursos, que não conceda benefícios incabíveis como os tais saidões; e de um sistema prisional, que se não recuperar o sujeito, ao menos não o deixe pior do que quando o recebeu.

Não é pelos bandidos.

É por nós mesmos.

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cabelos- cacheados (2)

Parabéns a você, mulher, de cabelos cacheados, ondulados, anelados ou crespos que aceita e assume como belo o que a natureza lhe deu.

Tem me dado fastio essas cabeleiras escorridas, passadas a ferro quente por meio de chapinha, tampinha, rosquinha ou sei lá que outro nome imbecilizante possui a técnica de padronizar e impor como válido um único tipo de beleza.

Me desperta a atenção o cabelo cheio ou o corte diferente, e nem sempre pela beleza, mas invariavelmente pelo diferencial.

É que do pescoço pra cima estão todas praticamente iguais, com aquela cortina de aspecto quase metálico escorrendo pelos ombros e costas, balançando pesada e uniforme ao compasso do andar cuidadoso, que parece assim justamente para não despentear o arranjo emplastrado de química.

Aproveitando, parabenizo também àquelas que não escondem a idade, inclusive nas redes sociais. A não ser que se morra antes, envelhecer não é acontecimento individual. A idade passa, democraticamente, para todas. E todos.

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Quantas crianças de seis anos terão que morrer queimadas em atentados de bandidos até que o bom senso tome conta dos gabinetes e dos palácios?

 

http://oglobo.globo.com/pais/em-meio-crise-roseana-sarney-vai-gastar-1-milhao-em-lagosta-camarao-salmao-sorvete-11243133

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É para refletir – e tentar mudar – o trecho da reportagem do Correio Braziliense sobre a situação no Maranhão.

“Para Zema Ribeiro, da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), a privação de direitos básicos a que a população é submetida tem razões claras. ‘O que tem de riqueza aqui está vinculada aos megaprojetos — que são riquezas que passam. O minério vem de Carajás, passa por aqui e vai para a China. A soja, que cresce cada vez mais, é tirada daqui e exportada. O povo mesmo não fica com nada”, comenta. Além disso, o que poderia ficar para a população é “captado pela corrupção”. ‘A pessoa que passa quatro anos com os direitos essenciais sendo violados, quando se aproxima a eleição, e vê um filho com fome, uma esposa doente, se submete a trocar o voto por um favor. Isso se reflete na espécie de acomodação da população maranhense’, critica”.

Francisco Silva / Jornal Pequeno

Francisco Silva / Jornal Pequeno

 

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