André Giusti - foto: Luana Lleras
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Ainda acho que um dos sinônimos de juventude é idealismo.

No link abaixo, uma entrevista com Sílvio Gomes, uma espécie de faz tudo do Sepultura, banda que mostrou ao mundo que no Brasil se sabia fazer heavy metal. Na história dos caras, a gente encontra, de maneira bem cristalina, o exemplo do tal “corra atrás do que você quer”.

http://desova.wordpress.com/2014/01/09/984/

sepultura

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Reportagem da Folha de São Paulo dessa quinta-feira, 9, mostra um pouco do que deve ser a realidade penitenciária do Maranhão, certamente apenas um pouco pior que a do resto do país.

Não entrarei em detalhes. Quem os quiser, acesse o link http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/01/1395248-em-cadeia-superlotada-no-ma-presos-comem-arroz-e-galinha-crua.shtml

O que cabe dizer é que aqueles presos vivem algo bem próximo do que desejam a eles os que pregam o mata e esfola como caminho de justiça no país. Se querem combater barbárie com barbárie, incêndio com gasolina, saibam que isso já é feito, e há muito tempo, pelo que se lê na reportagem, que, aliás, não traz lá tanta novidade.

Portanto, não é difícil admitir que alguém, que fuja lá de dentro, seja mesmo totalmente insensível e cruel na hora de atear fogo a uma criança de seis anos.

O que precisamos é de uma Polícia eficaz e que não se corrompa; de uma Justiça idem, que não fique anos atolada em recursos, que não conceda benefícios incabíveis como os tais saidões; e de um sistema prisional, que se não recuperar o sujeito, ao menos não o deixe pior do que quando o recebeu.

Não é pelos bandidos.

É por nós mesmos.

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cabelos- cacheados (2)

Parabéns a você, mulher, de cabelos cacheados, ondulados, anelados ou crespos que aceita e assume como belo o que a natureza lhe deu.

Tem me dado fastio essas cabeleiras escorridas, passadas a ferro quente por meio de chapinha, tampinha, rosquinha ou sei lá que outro nome imbecilizante possui a técnica de padronizar e impor como válido um único tipo de beleza.

Me desperta a atenção o cabelo cheio ou o corte diferente, e nem sempre pela beleza, mas invariavelmente pelo diferencial.

É que do pescoço pra cima estão todas praticamente iguais, com aquela cortina de aspecto quase metálico escorrendo pelos ombros e costas, balançando pesada e uniforme ao compasso do andar cuidadoso, que parece assim justamente para não despentear o arranjo emplastrado de química.

Aproveitando, parabenizo também àquelas que não escondem a idade, inclusive nas redes sociais. A não ser que se morra antes, envelhecer não é acontecimento individual. A idade passa, democraticamente, para todas. E todos.

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Quantas crianças de seis anos terão que morrer queimadas em atentados de bandidos até que o bom senso tome conta dos gabinetes e dos palácios?

 

http://oglobo.globo.com/pais/em-meio-crise-roseana-sarney-vai-gastar-1-milhao-em-lagosta-camarao-salmao-sorvete-11243133

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É para refletir – e tentar mudar – o trecho da reportagem do Correio Braziliense sobre a situação no Maranhão.

“Para Zema Ribeiro, da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), a privação de direitos básicos a que a população é submetida tem razões claras. ‘O que tem de riqueza aqui está vinculada aos megaprojetos — que são riquezas que passam. O minério vem de Carajás, passa por aqui e vai para a China. A soja, que cresce cada vez mais, é tirada daqui e exportada. O povo mesmo não fica com nada”, comenta. Além disso, o que poderia ficar para a população é “captado pela corrupção”. ‘A pessoa que passa quatro anos com os direitos essenciais sendo violados, quando se aproxima a eleição, e vê um filho com fome, uma esposa doente, se submete a trocar o voto por um favor. Isso se reflete na espécie de acomodação da população maranhense’, critica”.

Francisco Silva / Jornal Pequeno

Francisco Silva / Jornal Pequeno

 

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Gastronomix

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ANA PAULA ARÓSIO

Por Cris Moreno

Acho engraçado como as pessoas lastimam que a Ana Paula Arósio esteja sem atuar, ou ‘fora da mídia, sem fazer sucesso na Globo’.

Dizem que ela tá depressiva, doente da cabeça, porque acham inconcebível que ela prefira uma vidinha comum no mato que a de estrela nacional no Projac.

É fácil pensar assim hoje, quando se faz de tudo para aparecer, como se ser reconhecido na rua (nem que seja de forma negativa) fosse a realização plena de qualquer ser.

Não foi à toa que selfie foi eleita a palavra de 2013. Vamos todos aparecer e ‘parecer’, porque, afinal, a necessidade de ‘se mostrar bem’ é maior que ‘estar bem’. É o reino da vaidade e da hipocrisia! (Eu hein?!)

Uma pessoa que trabalha com a imagem desde menina não pode se cansar de ser chamada de linda? Será que isso era tudo o que ela queria na vida?

E depois ainda teve que sobreviver à tragédia que lhe aconteceu. Só muita análise pra trazer amadurecimento e equilíbrio! Mas rola o contrário, acham que ela não está ‘normal’, inclusive a mãe já deu declarações desse tipo. Ou não deu, mas saiu na imprensa.

Se hoje a Ana está casada com o homem que ama, vivendo no campo na companhia de cavalos e cachorros, que ela adora, que coisa maravilhosa! Não parece que foi tudo o que pediu a Deus?

Ou acham que sucesso na vida teve Marilyn Monroe, que no auge da fama resolveu morrer por se sentir só, mal amada e vazia? Ou seja, excesso de glamour pode fazer mal pra saúde.

Eu disse que acho gozado, mas no fundo é triste: tem gente que se esquece (ou ignora) que há várias formas de ser feliz e que cada um sabe o que é que lhe faz assim.

Vamos deixar a Ana Paula, a vizinha, o amigo, a tia, o compadre e quem quer que seja ser feliz do modo que achar possível! E viva o Ano Novo! 

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Revisando o texto de um relatório de impacto ambiental, fico sabendo que a anta não é encontrada apenas em repartições públicas, gabinetes de governo ou mesmo exercendo cargos executivos na iniciativa privada.

A tapirus terrestres, nome que provavelmente jamais escreverei algum outro dia na vida, é encontrada na Venezuela, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Guiana Francesa, Suriname, Paraguai, Argentina e, claro – não é novidade -, Brasil.

É o maior mamífero terrestre neotropical, embora eu não saiba nem tenha muita curiosidade para saber o que o termo significa. Come frutos caídos, folhas, caules tenros, brotos, pequenos ramos, plantas aquáticas, cascas de árvores e plantas aquáticas.

anta

Mas o que me levou a escrever sobre a anta é algo para mim impensável até então. Suas fezes contêm sementes, ou seja, enquanto faz cocô, a anta espalha sementes de plantas e árvores pela natureza e, nas palavras do relatório, “desempenha papel importante nos ecossistemas em que vive, promovendo a regeneração e a manutenção de florestas”.

O que poderia soar como piada, quem sabe até um certo deboche, é, na verdade, a prova da perfeição dessa engrenagem chamada natureza.

800px-Chupa_dente_de_capuz

PS: Acho fascinantes os nomes populares dos pássaros da fauna brasileira. Entre os mais de 1300 que encontrei nesse relatório, um resume a ópera: Chupa-dente-de-capuz. Haja criatividade dos caboclos que os batizaram em nossas matas.

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As luzes que aparecem na foto e no vídeo não são enfeites de natal.

São da mente, da alma.

sala de espelhos

Trata-se de ponto alto da exposição da artista plástica Yayoi Kussama, em cartaz no CCBB do Rio até o próximo dia 20. Tomara que a mostra viaje. Os moradores de outras cidades onde há CCBB, como Brasília, merecem vê-la.

Essa é uma sala de espelhos em que luzes se acendem e se apagam, alternando cores e, consequentemente, emoções de quem as assiste.

Kussama viveu boa parte da vida em um hospício. Pelo que li, quando recebeu alta, resolveu permanecer por lá, quem sabe por costume.

É viva até hoje, produzindo trabalhos que parecem mesmo relatos sobre os abismos da alma. Passam beleza, encanto, medo, angústia, estranhamento. Enfim, é alma humana mesmo, sem dúvida, inclusive porque não há como querer encontrar um sentido estrito, claro e lógico nos trabalhos de Kussama.

Aliás, há algum tempo compreendi que arte não é para se compreender, obras não são para o entendimento.

São para despertar sentimento e emoção.

Veja o vídeo http://www.youtube.com/watch?v=yG4RQQODdLg

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Neste fim de ano, tive problemas com o carro na estrada.

À noite. Chovendo. Com três crianças pequenas.

A experiência não é ruim apenas pela situação em si, mas também porque nos leva a precisar das seguradoras, as mesmas que, a exemplo de bancos e telefônicas, exibem o paraíso na propaganda e nos entregam o inferno na prestação do serviço.

Até não tenho muito que reclamar do socorro mecânico. O guincho veio relativamente rápido, ainda mais se levando em consideração a hora e a localidade. Mas a promessa foi de que junto viria um táxi para que eu pudesse seguir viagem com – repito – três crianças pequenas, vulnerabilidade deixada bem clara por mim várias vezes às atendentes do BB Seguro Auto.

Foram mais de dez ligações para saber se o táxi prometido naquela quase véspera de natal viria ao menos antes do carnaval. Em uma delas, fiquei 12 minutos na linha escutando uma daquelas musiquinhas que acabam com os nervos. Por duas vezes, após minutos de espera – e musiquinha, é claro – a ligação caiu, me obrigando a ouvir novamente a voz pretensamente simpática e amistosa da gravação sobre o menu de serviços.

Por sorte minha, havia caridade no socorrista, que, esperando a situação se resolver, ficou comigo no local, um posto de gasolina fechado na escuridão da BR 040, em Minas. Experiente no serviço, sugeriu: “Eles não têm táxi hoje para mandar e não querem dizer pro senhor. Eu lhe deixo num hotel aqui perto e o senhor marca um táxi para amanhã”.

Assim fiz, e só assim consegui ter um fim de noite – início de madrugada – razoavelmente bom, ainda mais depois da adversidade.  É claro que, no hotel, antes de conseguir o táxi pro dia seguinte, ainda ouvi uns 40 minutos de musiquinha em umas três ou quatro ligações.

 

telefone

O mesmo desfecho, no entanto, não alcancei ao tentar levar o carro para consertar em uma concessionária (a Roma, da Fiat, na Tijuca, Rio), já no dia seguinte. Mais de meia hora de tele espera, música enervante e ligação interrompida para, ao final, acabar levando o carro no mecânico da esquina, que, aliás, resolveu o problema em pouco menos de uma hora.

Não cheguei a procurar qualquer pesquisa ou dado que embase a conclusão a que cheguei. Mas pela experiência vivida na carne, o que se percebe é que realmente o poder aquisitivo das pessoas aumentou nos últimos dez anos, a julgar, inclusive, pela quantidade de carros na estrada.

É ótimo, e principalmente justo, que mais pessoas estejam ganhando mais, com mais acesso ao conforto. Mas o mesmo país que ainda padece com a falta de infraestrutura é o mesmo que não percebeu, e, por isso, como de costume, não planejou a necessidade de se melhorar a prestação de serviços.

Essas pessoas, e era de se esperar, iriam naturalmente precisar de seguros para automóveis, de assistência técnica, iriam precisar de estradas melhores e mais seguras (embora no caso da recém privatizada 040, ela esteja, pelo menos em relação ao asfalto, bem melhor do que estava no começo dos anos dois mil).

Mas o que se percebe, quando se chega a praticamente implorar por certo tipo de serviço, não é apenas falta de estrutura de diversos setores, mas também falta de preparo profissional, reflexo natural da deficiência de nosso ensino, inclusive na educação de base.

Enquanto isso não se resolve, haja nervos pra aguentar tanta musiquinha na orelha quente por causa do telefone.

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