André Giusti - foto: Luana Lleras
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De Rui Pires Cabral

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As Aventuras de Tibicuera, em edição dos anos 70

As Aventuras de Tibicuera, em edição dos anos 70

Escolhi o jornalismo porque gosto de escrever.

Mas não apenas por isso.

Porque gosto de informação e de pressentir que um fato é mais importante do que aparentemente parece ser, e que por isso ele pode se transformar em informação útil à sociedade.

Gosto da pressa, da correria que o jornalismo – muitas vezes com exagero – exige de todos nós.

Amo o imprevisto. O imprevisível – embora exista rotina sim – da minha profissão.

Mas de uns anos para cá, confirmei algo de que já desconfiava.

Escolhi o jornalismo porque amo história. História do Brasil, a qual, de uma forma inconsciente quando novos, e pretensiosamente quando veteranos, achamos que escrevemos diariamente.

Entre tantas nascentes desse amor, uma são os livros. Um, em especial: ‘As aventuras de Tibicuera – que são também as do Brasil’, de Érico Veríssimo, escritor completo.

O livro conta a história de um índio que atravessa a História do Brasil, desde o descobrimento até meados do século 20. Ele presencia a chegada de Cabral, assiste à Primeira Missa, ao Grito do Ipiranga, Abolição da Escravatura e Proclamação da República. Não satisfeito, conhece e convive com os personagens principais desses fatos. Para se ter uma ideia, uma dor de dentes o leva a conhecer o alferes Joaquim José da Silva Xavier.

O li há mais de 30 anos, portanto não me lembro se Érico colocou no livro uma visão crítica de nossa história, que é um encadeamento de opressões e injustiças sociais; mas, sendo ele o autor, é certo que não há deslumbramento. Em todo o caso, foi um livro que, na minha idade escolar, ajudou e muito a assimilar as principais informações sobre os cinco séculos de nossa existência como país, e que, alguns anos depois, já na adolescência, de uma certa forma carregou parte da responsabilidade pela minha escolha profissional.

 

 

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GARI

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Para quem é namorado.
Marido.
Filho.
Para quem tem irmã, amigas.
Para quem é pai de meninas.
http://www.kisuki.me/2014/01/o-silencio-das-inocentes.html

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Do Portal G1

21/01/2014 15h31 - Atualizado em 23/01/2014 08h26

Desde dezembro, Lourdes Mann atende pacientes no município de Cristal.
Em entrevista, médica relata experiências e impressões sobre o estado.

Caetanno FreitasDo G1 RS

Dra. Lourdes vai viver pelos próximos três anos no município de Cristal (Foto: Caetanno Freitas/G1)Lourdes Mann vai viver pelos próximos três anos no município de Cristal (Foto: Caetanno Freitas/G1)

 

Enriquecer não está entre as prioridades da doutora cubana Lourdes Richardson Mann, selecionada para atuar pelo programa Mais Médicos em Cristal, no Rio Grande do Sul. Especialista em atenção primária à saúde, a médica da terra de Fidel Castro cede 90% do seu salário mensal a Cuba e ao governo brasileiro e, mesmo assim, tem a convicção de que pode viver bem com cerca de R$ 1.000 no pequeno município da Região Sul, de pouco mais de 7,6 mil habitantes, sua nova casa pelos próximos três anos. Nascida em Caimanera, província de Guantánamo, Lourdes passa, aos 42 anos, a imagem de uma mulher segura, confiante e focada no objetivo de oferecer, pelas próprias mãos, saúde gratuita para a população mais carente, sem condições de pagar por uma consulta particular.

Em entrevista ao G1, Lourdes Mann fala sobre seu primeiro mês no país e suas impressões em um território bem diferente de sua origem socialista. “O Brasil vive um problema de falta de caridade humana. Falta amor ao próximo”, interpreta. Em relação à resistência da classe médica ao Mais Médicos, ela não demonstra tanto espanto. “Não vejo nada estranho nisso. É um programa novo, pouca gente conhece. Nós, cubanos, estamos preparados para isso. Não viemos para enriquecer, temos um conceito diferente, um conceito revolucionário. A vida vem primeiro”, diz.

A médica, mãe de três filhos, também relata a experiência vivida durante cinco anos na Venezuela, onde havia, à época, um programa semelhante ao que é realizado hoje no Brasil. O período na terra de Hugo Chávez ainda lhe ajudou a garantir a participação no programa brasileiro.

Antes mesmo de chegar ao país, já estava familiarizada com os costumes locais. Em Havana, onde morou por cinco anos entre uma viagem e outra, ouviu clássicos de Roberto Carlos e o embalo do samba de Alexandre Pires. Agora, nas horas vagas, além de falar com os filhos, tenta aprender a sambar. “A comida é muito boa. A música também. Ainda não escutei a música tradicional dos gaúchos. Gosto de samba. Minhas colegas do posto de saúde estão me ensinando a sambar. Isso quando não temos pacientes”, conta.

Abaixo, confira a entrevista com a médica cubana.

Você nasceu em Havana? Sempre pensou em fazer medicina?
Não nasci na capital, sou de Caimanera, província de Guantánamo. Estou em Havana há cinco anos. Ou melhor, estava. Agora vivo em Cristal (risos). Quando eu era criança, queria ser professora como minha mãe. Mas depois, com 18 anos, tive uma inclinação forte para a medicina, porque é uma carreira muito ampla, com várias possibilidades, muito humanitária. Estudei por seis anos até me formar como médica.

Por que existem tantos médicos em Cuba?
No meu país, existe uma preocupação muito grande com as pessoas, com o povo cubano. Todos cuidam de todos. Acho que a medicina tem esse poder de ajudar as pessoas. Gosto de ajudar as pessoas. Por lá, a maioria pensa assim. Existem muitos médicos formados em Cuba com foco na atenção básica. Não me imaginaria, com a minha cor de pele, negra, cursando medicina em outro país. No Brasil, vocês têm cotas…

O que mais você sabe sobre a saúde e a educação no Brasil?
Conheço muito pouco sobre a educação daqui. Sei muitas coisas sobre o lado da saúde. Alguns dias atrás, por exemplo, atendi uma criança com suspeita de apendicite, algo grave, portanto. Me orientaram a ligar para o hospital mais próximo para saber se eles tinham vaga para internar aquela criança. Em Cuba, casos como esse não precisam de formalidades, de pedidos, para internação de urgência. Encaminhamos o hospital e o atendimento é feito na hora porque ela não pode esperar. Corre riscos… Pedir permissão para internar em casos de urgência? Isso não existe por lá. Fiquei sabendo que pessoas entram na Justiça para conseguir um leito aqui. É um absurdo. O Brasil vive um problema de falta de caridade humana. É isso que falta para as pessoas. Falta amor ao próximo.

Como o Mais Médicos chegou até você? Qual é sua experiência profissional?
Tenho mais de 10 anos de experiência em atenção básica à saúde. Em Havana, trabalhava em um consultório, em uma policlínica, como chamamos em Cuba. Os hospitais são atenção secundária, assim como aqui. As policlínicas são primárias, preventivas. Eles estavam procurando pessoas com esse perfil para vir ao Brasil. O programa chegou em Cuba há mais ou menos um ano. Mas foi uma coisa voluntária, uma opção que fiz, porque já tinha realizado uma missão na Venezuela e ter experiência anterior em outro país era um dos requisitos para se candidatar.

Missão na Venezuela?
Passei cinco anos da minha vida lá, entre 2004 e 2009. Estive em Bolívar e Caracas. Não faz tanto tempo assim. Chavez tinha muitas ideias liberais semelhantes ao que se vê hoje em dia em Cuba. A igualdade, a vontade de eliminar a pobreza, de dar saúde a todos e educação ao povo. Vi programas de habitação para comunidades carentes, centros de diganósticos integrados, supermercados, tudo voltado à população pobre. Foi uma experiência marcante. Quando terminei minha missão na Venezuela, me mudei para Havana. Tive a possibilidade de comprar um apartamento e fui para a capital. Tenho uma irmã que também vive lá, e ela se sentia muito sozinha.

Lourdes mostra a cozinha do apartamento onde mora (Foto: Caetanno Freitas/G1)Lourdes mostra a cozinha do seu novo apartamento
(Foto: Caetanno Freitas/G1)

E como foi a preparação montada para os cubanos que chegaram ao Brasil em dezembro?
Éramos mais de 200 médicos. Fizemos uma escala em Manaus e depois fomos a Vitória. Participamos de um curso para aprender português durante 21 dias. Aprendemos também sobre o sistema de saúde (SUS), como as coisas funcionam por aqui. Foi uma passagem tranquila, muito boa. Lá definiram o destino de cada um de nós. Essa parte não foi opcional porque ninguém conhecia o país, então não importava muito para onde iríamos.

Você tem alimentação e habitação assegurada? 
Quando cheguei aqui no Cristal já tinha um apartamento me esperando, com cozinha, banheiro, um quarto e uma sala. Está bom. Fizemos um acordo com o governo, onde doamos mais da metade do dinheiro que recebemos para o povo cubano. Ficamos com mil reais, que é o suficiente. Cuba fica com os R$ 10 mil e distribui ao governo brasileiro e me manda a minha parte. Também recebemos ajuda com alimentação, dá uns R$ 500 por mês. Para mim é o suficiente, não quero enriquecer. Quero ajudar as pessoas daqui.

Como você está se sentindo? As pessoas lhe tratam bem?
Estou feliz. Todos me receberam muito bem. Dizem que sou bem-vinda. Todos por aqui são muito hospitaleiros, receptivos. No posto de saúde, todos colaboram comigo, precisam ter paciência por causa do português. Ainda estou aprendendo. Tenho muito apoio da prefeitura também e de toda comunidade.

Médica cubana atende nesta policlinica no centro da cidade (Foto: Caetanno Freitas/G1)Médica cubana atende nesta policlinica no Cristal
(Foto: Caetanno Freitas/G1)

Do que você está gostando mais?
A comida é muito boa. Muito parecida com a de Cuba. A música também. Ainda não escutei a música tradicional dos gaúchos. Gosto de Roberto Carlos, Alexandre Pires… Gosto de samba. Minhas colegas no posto de saúde estão me ensinando a sambar. Isso quando não temos pacientes…

A maior dificuldade é o idioma?
Ah, com certeza. Eu tenho me esforçado, aprendemos muita coisa lá em Vitória. Disseram que tínhamos de aprender rápido, mas é difícil. Sei de alguns médicos cubanos que vieram para cá, ao Brasil, e pediram para voltar porque não conseguiram aprender. Vocês falam muito rápido (risos). Mas a comunicação é fundamental. Vou aprender, é questão de tempo.

Você tem filhos? Como faz para fazer contato com sua família?
Sim, tenho três filhos, todos homens. Falo com eles pela internet. Ernesto, 10 anos, Roberto, 16, e Rafael, 18. Meu pai, minha mãe e duas irmãs também estão lá. Eu não pensava em sair de Cuba mais uma vez. Não queria mais. A família entendeu quando decidi, os filhos maiores também. O pequeno não. Ele não entende, sempre vai necessitar de sua mamãe por perto.

Existe alguma dificuldade com a classe médica? Quando vocês, cubanos, chegaram ao Brasil, houve uma reação por parte dos médicos brasileiros contrários ao programa.
Não vejo nada estranho nisso. É um programa novo, pouca gente conhece. Nós, cubanos, estamos preparados para isso. Não viemos para enriquecer, temos um conceito diferente, um conceito revolucionário. A vida vem primeiro. O restante é secundário. A riqueza, a casa, o conforto, o glamour, tudo isso é secundário. Mas estamos preparados para essa resistência. Desde que não aconteça nada que me ofenda, que me agrida… Na Venezuela, houve resistência também. A situação era igual. Os médicos venezuelanos não queriam colaborar com os cubanos…

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No filme Alta Fidelidade, John Cusack interpreta o dono de uma loja de discos que grava fitas K7 para dar de presente à namorada.

Para quem nasceu dos anos 90 para cá, gravar uma fita K7 deve significar o mesmo que andar de carruagem, ou seja, algo que se fazia em um pretérito indeterminado.

Mas era uma das formas preferidas de toda uma geração de homens se declarar às mulheres.

Salvo uma ou outra rosa roubada do jardim, não me lembro de ter dado flores a alguma namorada. Em compensação, perdi a conta de quantas fitas gravei para declarar amores eternos e paixões desvairadas. Era como se as músicas explicassem, não apenas com as letras, mas também com as melodias, aquilo para o qual eu não descobria as palavras corretas.

Era um exercício de amor por meio da paciência. Só os mais velhos saberão dizer a frustação que era a fita acabar apenas 10, 15 segundos antes do disco, e a música ser interrompida bruscamente, da mesma maneira que se apaga um abajur. Algumas aparelhagens possuíam um dispositivo que nos permitia abaixar devagarinho o volume do som, que dessa forma desaparecia aos poucos, evitando o corte repentino. Mas não era o caso do meu 3 em 1. Então, toca de gravar tudo de novo.

O trabalho era maior quando nossa coletânea romântico/particular precisava ter uma música de cada disco ou CD. Era um infindável “para e continua a gravação, põe e tira o disco”, que só se justificava mesmo como loucura que se faz por amor.

A fita K7 sobreviveu algum tempo ao CD, mas seu ocaso foi impiedoso a partir da chegada dos aparelhos que tocavam nos automóveis os disquinhos de leitura digital. O mp3 veio com a pá de cal e sepultou de vez a gloriosa trajetória das Basf’s e TDk’s.

K7

Essa que aparece na foto encontrei alguns dias atrás em uma caixa de bagulhos no fundo do quarto de mesma finalidade. Está intacta e com a embalagem fechada, ou seja, mantem-se virgem, como se dizia das tias solteironas em um tempo anterior às próprias fitas K7. Não há como saber de quando é. Quem sabe se alguma paixão que tenha varrido meu coração à época acabou antes de a fita cumprir sua tarefa.

Hoje em dia manda-se pelo smartphone um link do youtube para namorada via wathsApp. Leva-se 30 segundos para se fazer o que há 20 anos varava a noite e entrava pela madrugada. Entre tantas vantagens, fica-se sabendo muito mais rápido se nosso gesto foi recebido com amor ou com desprezo.

 

Ps: Sugiro ouvir isto depois da leitura: http://www.youtube.com/watch?v=6F3k0R-zYQA

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Trabalho a cerca de 10 minutos da minha casa, se o trajeto for feito de carro. De ônibus, o tempo sobe para 25. Nada de intransponível.

No final do ano, achei que o custo de meia hora a mais no deslocamento de ida e volta compensava para escapar do trânsito de Brasília, uma espécie de paciente crônico que piora a cada dia. Inclusive financeiramente, esse custo também seria compensador: a soma do valor gasto com passagens é metade do gasto com gasolina.

Comecei a viver um caso de amor com as zebrinhas do Plano Piloto, ônibus pequenos que rodam apenas por Brasília e adjacências.

Até que, dentro do que o Governo do Distrito Federal chama de reforma do sistema de ônibus na capital do país, os veículos antigos foram trocados, bem como as empresas que operavam as linhas. E como eu disse alguns dias atrás, os ônibus velhos levaram junto a pontualidade.

Na semana passada, o veículo que passava 8h30 começou a passar às 8h45. “Ok, tudo bem, não vou desistir, vou me reprogramar”, pensei, convicto de que é um absurdo colocar mais um carro na rua para percorrer um caminho de apenas 10 minutos.

Eis que hoje o de 8h45 decidiu passar 10 minutos antes, tendo eu conseguido vê-lo arrancar, quando eu estava a menos de 50 metros do ponto. Ainda cheguei a acreditar que viria o de 8h45. E veio. Depois das 9h.

Fico por aqui prometendo não tocar mais no assunto, antes que isso vire o monótono diário de um passageiro de zebrinha. Mas antes de encerrar, deixo um recado ao Governo do Distrito Federal: a partir de amanhã, haverá novamente mais um carro nas ruas de Brasília.

 

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Semanas atrás tive nas mãos um exemplar do livro do francês Pascal Mercier. Por um capricho econômico, devolvi-o à gôndola da livraria e fui embora, arrastando a sensação pesada de que deveria ter agido ao contrário.

Hoje fui assistir ao filme que tem o mesmo nome do mais novo best-seller europeu. Há pouco, li, com atraso, algumas críticas sobre a obra  estrelada por Jeremy Irons. Para os críticos, faltou vigor ao transpor para as telas o que se encontra nas páginas.

Trem-Noturno-para-Lisboa-frase

Cá comigo, acho que o defeito é um tanto outro, e aparece somente nos 20% restantes do filme. De repente, tudo passa a acontecer um tanto rápido demais e com uma facilidade que chega a contradizer o que se passou antes na história. Fica uma sensação de que o filme já estava longo demais – e nem era o caso – e por algum motivo precisava acabar logo. Dessa forma, o que caminhava para ser muito bom, perde fôlego e consegue chegar tão somente a ser bom.

O que já significa muita coisa e não deve ser desprezado em nome de qualquer capricho, nem mesmo econômico.

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13/1/2014, 19h4313/1/2014, 19h49

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Steve Winwood

Belíssima coletânea.

Repassa de forma coerente a carreira de Steve Winwood, dando destaque não apenas às músicas dos discos solos, mas também ao que fez de qualidade nas bandas por onde passou, entre as quais a lendária Traffic.

Aponto os arranjos, além da musicalidade, como ponto alto da carreira desse músico, em minha opinião um dos grandes nomes do Rock’n Roll, sujeito que, por exemplo, soube usar com competência os sintetizadores, que viraram uma obrigação imposta pela indústria fonográfica na virada dos anos 70 para os 80.

Baixei por cerca de US$ 10 na Istore. Em loja de CD, nunca vi.

Segue o link do maior hit da carreira de Steve. Comercial pacas, mas não é por isso que deixa de ser uma linda canção.

https://www.youtube.com/watch?v=ztsl59DdVvU

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