André Giusti - foto: Luana Lleras
voltar para o início do blog

Moro há 15 anos em Brasília e jamais havia ido ao Planetário da cidade.

E nem poderia.

O espaço, um dos mais importantes na difusão do conhecimento científico, especialmente para os mais jovens, estava fechado desde 1997, precisando de reforma.

A resposta de porque um lugar assim ficou inacessível à população durante tanto tempo só pode morar no velho descaso do Estado para com o saber, o aprendizado, a cultura.

Todo ano a reforma era prometida. E protelada. Para mim, já havia se tornado lenda.

Até que virou realidade.

E merece aplausos. Nada a reclamar. Pelo menos ao que vi da reforma, nenhuma objeção.

Mas isso do lado de dentro do Planetário.

Do lado de fora, nas calçadas, é recomendável passar de jipe ou moto trail, como bem mostram as fotos.

Planetário 1

Planetário 2

Foram gastos R$ 13 mi na obra. Não sobrou nadinha para tornar melhor a vida de
quem passa pelas calçadas que, junto aos estacionamentos, são caminho obrigatório para o Planetário?

Espantam-me essa capacidade do Estado em fazer o mais difícil, tratar com desleixo o mais fácil e inexplicavelmente deixar as coisas pela metade.

Comentários (0)

Descobri anteontem uma banda que tem encantado meus ouvidos: The Neves. Ótimo vocal, arranjos bem trabalhados e belas melodias, essas últimas, na minha opinião, artigo raro tanto nos estilos que se aproximam do lixo musical, quanto em canções pretensamente bem trabalhadas e sofisticadas da MPB.

The Neves

 

Uns dois meses antes de conhecer os Neves, já havia sido apresentado aos Selvagens a procura da lei, banda cearense de trabalho igualmente denso. Eles me lembram o Skank do disco Cosmotron, mas passando longe de qualquer imitação.

Selvagens

 

O ano me reservou outra bela descoberta musical, e, esta, ao vivo, num show no Centro Cultural Banco do Brasil aqui em Brasília. Foi o Sexy-Fi, uma espécie de crônica musical da vida da capital do país. O que caracteriza as outras duas também sustenta o trabalho da banda de Brasília.

Sexy-fi

 

Ou seja, qualidade musical é fio condutor no trabalho dos Neves, Selvagens e Sexy-Fi. (acesse os links).

E escrevo sobre as três bandas um tanto para me redimir quando disse que a música brasileira está extremamente chata. Foi durante o sorteio dos grupos da Copa do Mundo, quando se apresentou uma dessas cantoras surgidas na década passada, uma dessas que , ouvindo uma, você ouve outras dez.

A música brasileira talvez não esteja chata, nem esteja produzindo apenas lixo para consumo fácil. Não pelo menos num certo cenário ignorado pela grande mídia.

****

http://www.youtube.com/watch?v=okYDiTFj2uA

http://www.youtube.com/watch?v=uicG9O_T-BI&list=PLd1UN3YmNS-7QY1Wi3dKAuUHy7gdd0lQr

http://www.youtube.com/watch?v=QreZ6RZklA0

Comentários (0)

Ser pai de meninas

Comentários (0)

Era um dos principais títulos de uma coleção que a Editora Ática lançou nos anos 70, e que reunia ainda, entre outros, O Escaravelho do Diabo e O Caso da Borboleta Atíria, este, certamente, o maior sucesso da coleção. A capa que aparece aqui no blog é a da edição que li há quase 40 anos.

A_ILHA_PERDIDA_1341256988P

Mas nenhum desses títulos, nem mesmo Atíria, me prendeu tanto quanto a história de Maria José Dupré sobre dois garotos que se perdem no Rio Paraíba do Sul, entre São Paulo e Rio de janeiro, e vão parar em uma misteriosa ilha.

Um deles (não lembro mais o nome) vira uma espécie de refém – não exatamente no sentido negativo da palavra – de um eremita, sobre cuja existência ninguém na civilização sabe.

Durante anos, sempre que passava pela Rodovia Presidente Dutra, às margens do Paraíba do Sul, perdia meus olhos no rio na esperança de ver a tal ilha. “Mas se é perdida, como você vai ver?”, e eu mesmo me perguntava, sem nunca deixar de passar os olhos pelas águas escuras.

Maria José Dupré talvez não seja devidamente reconhecida como a escritora que ajudou a formar gerações de leitores, embora seu livro mais famoso, Éramos Seis, tenha virado novela sei lá quantas vezes desde que a TV chegou ao Brasil.

O mistério é o fio condutor de A Ilha Perdida, e Dupré, com maestria, faz o que de principal um escritor deve fazer com o leitor: prendê-lo, fazê-lo perder a hora e a vontade de outras coisas.

Comigo – e a lembrança é ainda muito viva – ela conseguiu.

 

Comentários (2)

Um sujeito cuja cor preferida é o abóbora…

Cord de abóbora

não pode ser normal.

Comentários (0)

Confiram artigo meu publicado na Revista meiaum.

http://www.meiaum.com.br/acaboupapel/cronica/o-surrealismo-como-absurdo-em-brasilia

Comentários (0)

Dança comigo1Dança comigo 2

Comentários (0)

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

A tela é do artista plástico Marcos Brasil. Ele vive ou mantém ateliê na Chapada dos Veadeiros, lugar que abriga o Parque Nacional, e que fica há cerca de duas horas e meia da capital do país.

O trabalho dele e de outra artista, Cris Maia, dizem muito o que é a Chapada, um dos lugares mais lindos que conheço desse país extasiante, onde nasci e que amo, apesar de nossas crises de relacionamento.

Vale a pena conhecer não só a Chapada dos Veadeiros, mas também o trabalho do Marcos e da Cris.

Quem é de Brasília, no geral, chega na Chapada de olho fechado. Para quem não é, o caminho é vir até aqui e pegar a BR 020, que vai para o Nordeste. Um trevo não tão distante nos joga na estrada que dá em Alto Paraíso, cidade goiana, porta da Chapada.

Mas melhor é esperar passar o período das chuvas, pois os rios da região ficam perigosos demais por causa das chamadas cabeças d’água, que surgem de repente levando tudo que está pela frente.

A época ideal é entre março e julho, quando a chuva começa a dar trégua e o período mais crítico da seca ainda está relativamente longe.

Com o céu inteiro sobre a cabeça sustentando o sol, as estrelas ou a lua, embrenhe-se na grandeza de um trilha, renda-se à majestade de uma cachoeira.

Você não vai sair de lá do mesmo jeito que chegou, e por mais cético que seja, por um momento vai pensar se esse povo que acredita em  fada, duende e gnomo é mesmo tão maluco assim como dizem.

Comentários (0)

O funk carioca é o maior vespeiro da música brasileira em todos os tempos.Mexer nele é ter a certeza de que se vai levar ferroada. Mas resolvi fazê-lo após a leitura do artigo que está no link abaixo.

Não conheço o site, muito menos o autor. Não me importa qual a corrente ideológica dos dois. O que me importa é que concordo com o que ele diz.

O meu problema com o funk não é de preconceito. É de estética. É uma música ruim, grotesca, pobre melodicamente, cantada (ou falada/gritada?) por quem não tem a mínima técnica vocal.

Vai no mesmo embrulho da chatura do pagode paulista, do sertanejo e do axé, este último um Jason da música brasileira, que quando a gente acha que já morreu, ele ressurge das trevas esporrrentas dos trios elétricos.

E se você já está salivando na frente da tela, me xingando de branco reacionário, elitista, segregacionista e outros tais que terminem com o mesmo sufixo, saiba que não tenho a mínima paciência para Chico Buarque. A música dele não me representa, não me toca, não me abala, com exceção de duas ou três canções. O que, aliás, é perfeitamente possível de acontecer com o funk carioca, embora eu não me anime nem um pouco a tentar descobrir.

Quer mais? Me dão sono todas essas cantoras que desde os anos 90 cantam do mesmo jeito as mesmas coisas. Ouvir uma, para mim, é ouvir todas as Anas, Margaretes e Vanessas.

Não tá bom? Pois não tolero Bethoven e polka me dá nos nervos, bem como outras tantas músicas feitas por gente mais branquicela do que eu.

Quem me conhece ou me acompanha por aqui sabe quais são minhas praias, e que pra mim quem sabe fazer música que mexe com a alma e o corpo é o negro. O branco que faz bem é porque imitou.

Mas não o funk. Porque é ruim. Porque é grotesco.

Porque eu não posso ser taxado de preconceituoso quando o problema é só estético.

Não posso ser tido como racista apenas porque não gosto de uma música que uma camada da elite branca aparenta fingir que gosta apenas para se passar por descolada e igualitária.

http://www.elhombre.com.br/indefensavel-e-insistente-culturalizacao-funk-carioca/

Comentários (1)

Stevie Wonder

A foto é do arquivo pessoal do músico João Filho e está nos jornais de hoje.

Numa quadra de Brasília, ele viu Stevie Wonder, que havia se apresentado um dia antes na cidade, entrar numa confeitaria.

Nada do outro mundo, não fosse João fã ardoroso de Stevie.

O saxofonista esperou um bom tempo até se aproximar do pop star e começar a tocar jazz. O objetivo, claro, chamar a atenção do ídolo.

A dica do segurança do músico estadunidense funcionou: “toca Garota de Ipanema que ele vem”.
Stevie arranjou uma gaita, se aproximou e, juntos, ídolo e fã levaram Wave, de João Gilberto.

Claro que até o último dia de sua vida João Filho vai lembrar e falar desse momento.

Há poucos meses, no Rio, Bruce Springsteen saiu andando pela praia (sozinho, se bem lembro), até topar com um simples mortal tocando violão. Pegou o instrumento e presenteou quem passava perto com um memorável unplugged improvisado.

Stevie e Bruce. Duas ótimas lições de vida para quem tem o tamanho da prepotência e da arrogância inversamente oposto ao do talento musical.

Comentários (0)