André Giusti - foto: Luana Lleras
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Entro na Livraria Leitura do Shopping Pátio Brasil, centro de Brasília.

Há uma estante quilométrica dividida em seções, de acordo com o tipo de livro. O que procuro é um livro técnico (o promissor Gestão de Crises em Comunicação, do professor João Jose Forni), mas não consigo perceber em qual seção ele pode estar.

Procuro algum funcionário para me orientar. Ninguém à volta. Parece que o freguês tem mesmo que manjar muito de auto ajuda, porque ali o negócio é se virar sozinho.

Como o horário de almoço já está acabando, desisto do livro, mas vou levar uma caneta marca texto.

Entro na fila para pagar, e das quatro caixas, apenas uma está atendendo, como se não fosse horário em que tanta gente escolhe ir à livraria. Para completar, há um problema com o código de barras do produto que a pessoa a minha frente está comprando e a coisa emperra.

Atrás de mim, uma mulher que tem nas mãos um livro que não me parece barato, desiste da compra. Eu, por minha vez, pergunto à moça do caixa se vai demorar, e dela recebo, sem qualquer simpatia, uma resposta desanimadora. Pouso a caneta no balcão e sigo o exemplo da outra freguesa.

No piso de baixo do shopping, entro em outra livraria, a Saraiva. Vejo o rapazinho com o uniforme da loja e peço informação. Imediatamente ele abre o computador, faz a consulta e já parte para pegar meu livro. Antes, porém, pergunto sobre um romance que há tempos procuro. Ele, então, educadamente, pede a outra funcionária que me atenda, e esta, por sua vez, imita a presteza do colega. Só não levo o romance porque não há em estoque.

Na fila do caixa, a espera não é grande, tempo suficiente para consultar outro vendedor sobre um blues que toca, fazendo música ambiente na loja. Ele, gentilmente, me informa que já está fora de catálogo, mas que consigo, por um bom preço, baixá-lo no Itunes.

Saio satisfeito, pensando que, ao menos no shopping Pátio Brasil, o que a Leitura talvez esteja economizando em salário a Saraiva está ganhando em vendas.

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Ah, Brasília, esse teu céu doido que nos enlouquece.
Sábado e Domingo, 19 e 20/10
por do sol
pôr de so, 2

pôr do so, 3

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Esta semana a Folha e a Veja vieram com uma brincadeira ao estilo daqueles testes de personalidade que volte e meia aparecem no feici búqui.

A diferença é a conotação política.

Em vez das suas respostas o levarem a descobrir se você é ansioso, vaidoso, temperamental e por aí vai, computadas pela Folha e pela Veja elas dirão se você é de direita, de esquerda, de centro direita ou centro esquerda, ou , ainda, liberal de esquerda ou de direita.

Para a Folha, eu sou de centro-esquerda; para a Veja, um liberal de esquerda.

Não me incomoda o rótulo, mas sim o resultado a partir de respostas exatas, tipo questão objetiva de vestibular ou concurso público, que se já se mostra falha para esse tipo de avaliação, imagine então para definir a ideologia política de alguém.
multipla
Os dois questionários te perguntam, por exemplo, sobre as invasões de terra pelo MST e te mandam responder se concorda, discorda, concorda integralmente ou discorda integralmente. Eu concordo, mas não necessariamente sempre, até porque não sou seguidor cego de nada nem ninguém, não abro mão de pensar por mim mesmo.

Dessa forma, no questionário da Veja, respondi que sim à pergunta “certos programas de televisão devem sofrer algum tipo de censura?”, mas o que eu queria dizer é que deve haver classificação indicativa por faixa etária e de horário. Só que , claro, não havia como dizer isso a um questionário que te obriga a respostas exatas, inflexíveis.

Então, como não quero que minhas filhas vejam na TV cenas de sexo ou violência às seis da tarde, meu indicador politico-ideológico puxou um pouquinho para direta.

Em outras palavras, ser um pai zeloso me torna um pouco reacionário.

Essa sociedade que se define a partir da exatidão das estatísticas pode parecer eficiente pela praticidade, mas como é superficial.

Ps: se a direita sempre riu do Chico, dizendo que ele é comunista que bebe uísque escocês, imagina agora os “reaças” com essa história de censura às biografias.

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Isabela Lapa faz uma resenha bem bacana de meu livro Voando Pela Noite (Até de manhã) para o site Universo dos Leitores. Sabe resenha de quem realmente leu com interesse? Pois é…

Confira no Link abaixo.

http://www.universodosleitores.com/2013/10/voando-pela-noite-de-andre-giusti.html

resenha

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No bom livro Castelo de Papel, Mary Del Priore traça perfis interessantes de Gastão D’Orleans, o Conde D’eu, e da princesa Isabel. Interessantes e bem diferentes do que a história chapa branca vendeu não só à minha geração nos bancos da escola primária, mas às anteriores e, certamente, às que vieram depois.

Mas esse retrato mais realista do casal, exemplo raro de casamento por interesse político em que houve amor entre homem e mulher, fica como isca para curiosidade do leitor.

O que me chama a atenção é a omissão de um detalhe da Lei do Ventre Livre, ou no máximo sua colocação em um ofuscado segundo plano, nos meus tempos de escola. Os filhos de escravas deveriam ser criados até oito anos de idade pelos seus senhores, que, depois disso e até os 21 anos do menino ou da menina, poderiam usar de seus serviços da forma como bem entendessem.

A outra opção que tinham era passá-lo ao governo, ainda aos oito anos, recebendo indenização do Império. Ou seja, a mesma lei que “libertava” o rebento, possibilitava que uma criança de oito anos fosse levada para longe da mãe.

Um pouco mais além, a lei permitia que o Império repassasse essas crianças a associações – cujo tipo não possuía qualquer definição no texto -, que poderiam alugar os serviços dessas crianças.

Nem vou discutir a crueldade da escravidão, injustificável seja qual tenha sido o contexto histórico de sua época. Penso é nessa maquiagem da história do Brasil, que trata de forma exageradamente humanitária fatos e personagens que não merecem tanto, muitas vezes em detrimento de outros desvalorizados pela versão do oficialismo. A Lei do ventre Livre talvez seja um desses exageros da história chapa branca, que alienou gerações de brasileiros anos a fio, inclusive a minha, e quiçá ainda aliene (com a palavra, os professores).

A sorte é que alguns autores, como a própria Del Priore, começam a desfazer o “engano”, e assim nos deixam mais tranquilos de que, no futuro, fatos como a ditadura militar, por exemplo, não serão tratados como mal necessário.
lei_ventre_livre

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A certeza incomprovável de que já vivi aqui.
Igreja Planaltina

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Sábado, 12/10, 15h. 405 norte.
Nuvens 1210

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1.

Vou propor aos poucos parlamentares que conheço que apresentem emenda proibindo colunistas políticos de usarem a expressão “ainda tem muita água para passar debaixo dessa ponte”. Não sei vocês, mas o rio da minha paciência secou com esse chavão, que tem a pretensão de simpático/popular/engraçadinho.

2.

Cada dia menos entrevistados dizem, informam, alegam, argumentam, rebatem, esclarecem, explicam, garantem…e por aí vai. Cada dia mais, todos só afirmam. Até as coisas mais banais, que não merecem a força desse verbo, são afirmadas, como se, dentro da riqueza vocabular da língua portuguesa, não houvesse uma lista considerável de verbos a serem empregados quando alguém usa um dos principais instrumentos da comunicação humana, que é voz.

3.

E enquanto as águas passam debaixo da ponte e todos afirmam, os doentes seguem internados e o trânsito segue parado. A julgar pela ideia de movimento que o verbo dá, os doentes não devem estar tão mal nem o trânsito tão ruim assim.

gastura

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Nas últimas horas, li duas coisas que me pegaram de jeito. São aqueles tipos de texto que vêm exatamente ao encontro do que você pensa e da maneira como você vê a vida, ao menos na atualidade.

O primeiro é da jornalista Conceição Freitas, do Correio Braziliense. A morte não é apenas um estágio do corpo, ela diz, em linhas gerais, e ilustra sua crônica com Clarice Lispector: “Eu não me mato enquanto eu não morrer”.

As palavras me lembram duma recente época da minha vida em que eu perdia minhas noites tentando aprender raciocínio lógico, algo totalmente contrário à minha natureza, e alcançar esse sonho extremamente brasiliense, povo para quem, às vezes, parece não haver vida nem felicidade possíveis fora do serviço público.

Compartilho.

O outro texto li no feicibúqui e é creditado a Mirella Floren. É voltado às mulheres, mas é oportuno que os homens leiam, pois nos liberta – todos nós, homens e mulheres – dessa sociedade irritantemente asséptica, que parece avessa a nossos instintos naturais, pois a maior preocupação depois que transa, por exemplo, é correr para tomar banho.

Compartilho também.

Boa leitura!

http://impresso.correioweb.com.br/app/noticia/cadernos/cidades/2013/10/10/interna_cidades,101892/cronica-da-cidade.shtml

http://eupodiaestarroubandopodiaestarmatando.wordpress.com/2013/10/09/a-beleza-da-buceta/

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Acho que só serei geograficamente feliz por inteiro quando puder dividir meu tempo, em partes exatamente iguais, entre Brasília e Rio de Janeiro.
BrasíliaRio_de_Janeiro_night - Cópia

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