André Giusti - foto: Luana Lleras
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Começo hoje, aqui no blog, a série Livros da minha vida. Meses atrás, cheguei a rascunhá-la no feici búqui apenas com a foto das capas dos livros, e mesmo assim não fui adiante.

Agora, além da foto, pretendo escrever algumas linhas sobre os livros que marcaram minha vida.

Bem mais que uma breve resenha, os posts dirão sobre a lembrança que tenho do que li de mais importante para mim e que mais marcou minha infância, adolescência, juventude e, agora, maturidade.

Logo mais postarei a primeira “resenha lembrança”.

Aguardem!

Livros

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sem tesão

O que nos cansa, nos pesa os ombros e oprime o peito é essa insistência incorrigível em ser felizes no trabalho, no namoro, no casamento.

Então, veja só que bestas somos: ainda achamos que se deve fazer vestibular para aquele curso, cuja carreira nos trará realização íntima, pessoal.

Abramos mão do sonho, da ideologia e nos aquietemos; amuados, mas quietos, sem desgastes, como todos os demais que vivem à sombra morna de uma vida sem saltos, mas também sem sobressaltos.

Trabalhemos tão somente pelo o que deve ser o bastante: pagar as contas, manter os filhos no colégio e não dever demais ao cartão de crédito.

Almejemos um diploma que nada nos traga além da capacitação a um excelente cargo público num concurso disputado, pois o valioso nessa vida são o salário e a estabilidade.

Assim será mais fácil que fiquemos juntos, mantendo as aparências debaixo do mesmo teto, com uma ou outra eventual escapulida ou até uma desconhecida vida dupla, acreditando que o normal, o correto é mesmo a tão propalada teoria do “com o tempo a paixão acaba, o amor se transforma e vira companheirismo”, e que, adeptos dela, não somos nem seremos solitários.

Amigo, amiga, não sejamos tolos com essa teimosia de felicidade: é tão mais fácil ser como a maioria e aceitar que não é necessário fazer as coisas com tesão.

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1.

Quanta infelicidade há nas obrigações formais.

 

solenidade

 

 

2.

P/ Marcelo Bebiano

A vida precisa de emoção, senão a gente dorme no meio.

emoção

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Possuo uma característica típica do brasileiro mediano, aguçada, quem sabe, pela ascendência italiana: sou apaixonado por automóvel, não nego.

Acelerar numa estrada, domar suas curvas é, certamente, um dos maiores prazeres que tenho. Dirigir numa rodovia me economiza o dinheiro de umas três sessões de terapia.

De uns tempos para cá, no entanto, passei a conceber o automóvel como um objeto de arte, um vinho francês de pequena produção ou um chocolate artesanal, que precisam ser poupados da pressa diária das refeições, pois devem estar reservados para inesquecíveis noites de sábado e vagarosas tardes de almoço de domingo.

Portanto, do mesmo modo que me dá tédio essa massa uniforme de vinhos sul americanos e bombons de caixa de papelão – embora sejam o que está à altura do meu salário -, me enfadam também essas casquinhas de ovo de 1000cc ou a ausência de graça e charme desses modelos asiáticos, todos basicamente com os mesmos desenhos e aparência.

O que me comove são os carros esportivos; se forem antigos, então, mais comovido ficarei. Ser dono de uma Ferrari GTO 1962 ou de um Ford Shelby Cobra (fotos) da mesma época certamente povoam o terreno de meus sonhos mais ardentes. E também mais improváveis de serem realizados.

Mas meu sonho de locomoção vai um pouco – nem tanto – mais além, embora esta última parte, apesar de pequena, pareça ser ainda mais difícil de ser concretizada: viver num país e numa cidade em que eu possa, de segunda a sexta, deixar o carro – ou obra de arte – na garagem e ir trabalhar e voltar para casa de ônibus ou metrô decentes.
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Jéssica Macêdo me tocou muito com sua resenha sobre meu livro Histórias de Pai, Memórias de Filho.

Está no blog que ela mantém com amor de mãe, o Me sinto grávida.

Reproduzo aqui a resenha, que está disponível no link abaixo.

Confira. http://www.mesintogravida.com.br/2013/10/resenha-livro-historias-de-pais-memorias-de-filho/

“Histórias de pai, memórias de filho é um daqueles livros para ler e reler por toda a vida. Do jornalista André Giusti, o livro infanto-juvenil traz relatos de alguém que é pai, mas antes de tudo é filho, nos levando a interessantes reflexões sobre os nossos laços familiares. A publicação é curta, e em menos de uma hora você viaja por estórias que você também poderia ter vivido de alguma forma.

Se você for dessas pessoas que, assim como eu, tem um quê de saudosismo sempre à flor da pele, pode até chorar. A narrativa te faz viajar no tempo, entender como as escolhas feitas lá atrás podem influenciar na sua conduta como pai ou mãe. Histórias de pai, memórias de filho ainda desvenda a ligação entre pais e filhos, deixando à vista pequenas sutilezas nas relaçōes parentais que tornam os elos mais fortes ou mais fracos.

- Pai, Deus é doido mesmo, viu?

Pego de surpresa, o pai parou de mastigar e ficou olhando a pequena, decidida em seu conceito. Ainda calado, metade da folha de alface para da boca, ele pedia: explique-se, minha filha!

Não se fez de rogada, e para defender o que pensava, exibiu os dentes alinhados em um sorriso pronto. No lugar dos dois de cima, apenas o vão da gengiva vazia, por onde começava a se despedir sua primeira infância.

Desfez o riso, trocou-o por uma cara solene. Era o que estava de acordo com opinião tão polêmica.

- Ora, pra que tirar nossos dentes e colocar outros no lugar? Por que não faz a gente logo com os dentes que vão ficar pra sempre?
O pai, que de dentes só entendia de trincá-los com as aflições da vida, baixou os olhos até o prato. Sumiu na boca e no silêncio a outra metade da alface. Vencera-o a lógica daquela fervilhante cabeça de de seis anos. (Giusti, 2013 p.19)

 

O livro é exatamente aquilo que ele colocou na dedicatória, na noite de autógrafos: “Para Jéssica, minhas histórias de pai e filho. Para seu coração de mãe e filha!”. Exatamente isso, me sinto tocada tanto na figura de mãe, mas principalmente como na de filha. Obrigada, André, por partilhar conosco as nuances da vida.”

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Convite Rio

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Uma das frases antológicas da literatura mundial está em O amor nos tempos do cólera. Florentino ou Juvenal – agora não sei exatamente qual dos dois – olha no espelho o quanto está envelhecendo. Gabriel Garcia Marquez, então, em um de seus vários momentos de genialidade, diz que “um homem percebe que está envelhecendo quando começa a ficar parecido com seu pai”.

Na infância, eu achava que água com gás era coisa de velho. Tudo porque era a bebida preferida de meu pai. Ele não tomava refrigerante. Bebida alcólica, só uma taça de vinho no natal. Mas sentando em um restaurante, mandava descer logo uma Lindóia ou uma São Lourenço, as marcas mais famosas nos anos 70 no Rio de Janeiro.
gasosa

Meu pai tinha seus 50 anos nessa época, e eu, da pequenez dos meus 6 ou 7 anos, o achava velho. É bom lembrar também que, há 40 anos, meio século de vida pesava mais no corpo e na alma do que atualmente, quando uma série de fatores e condutas tornam alguém nessa idade o equivalente a alguém de 35 ou 40 de décadas atrás.

Hoje, me barbeando, vi que a fisionomia de meu pai está surgindo, pouco a pouco, em meu rosto, talvez num vinco da pele abaixo das maçãs da face, quem sabe num modo furtivo de olhar para o lado.

E não é só isso: há alguns anos que adoro água com gás.

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Boi do Seu Teodoro

O Boi do Seu Teodoro é um grupo folclórico fundado em 1961 por um nordestino que, como milhares, veio para o Planalto Central construir Brasília.

É errado dizer “veio ajudar a construir Brasília”, porque na verdade o nordestino não ajudou, e sim fez quase tudo debaixo de sol, comendo poeira, dormindo em alojamento quente, se alimentando mal, e, ao final, sendo posto de lado nas chamadas cidades satélites ou voltando para a terra natal quase do mesmo jeito que veio pra cá.

Tudo bem, essa é uma outra discussão.

O Boi do Seu Teodoro é sediado em Sobradinho, cidade que fica a uns 20 minutos da capital do país. O grupo mantém vivo no Planalto Central o folclore do Maranhão, onde nasceu Teodoro.

Recomendo assistir a uma apresentação, principalmente quem tem filhos em idade escolar, por vários motivos, dos quais cito dois em especial: a batida da percussão, que arrepia e deixa com vontade de pular, e porque é uma resistência da verdadeira cultura popular ao lixo que cada vez mais a mídia despeja em nossos olhos e ouvidos .

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O que eu fizer de bom ou correto não me torna melhor do que ninguém, a não ser do que eu mesmo.

fazer o bem

PS: Depois que escrevi essa frase, fiquei pensando se já não a havia lido ou escutado em algum lugar. Se não é minha mesmo, perdoem-me. A intenção foi a melhor possível, o que, claro, não me faz melhor do que ninguém.

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Já comparei poesia com gêneros musicais algumas vezes, e vou fazê-lo novamente.

Desta vez por causa dos livros de José Carlos Vieira e Carla Andrade.

Os textos de José Carlos reunidos em Poemas de Paixões e Coisas Parecidas, lançado esta semana pela Geração, parecem blues de Chicago. Quem manja John Lee Hooker dos primórdios entende o meu recado.

livro do Zé

Já em Artesanato de Perguntas, que aliás saiu do forno no mesmo dia que o livro do Zé, Carla Andrade parece que faz, com palavras, uma espécie de música instrumental escrita, tipo Marco Antônio Araújo, mineiro que nem ela. Não entendeu? Então, leia.

Aliás, leia os dois.

Ou melhor, ouça-os.

Valem a pena.

livro carla

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