André Giusti - foto: Luana Lleras
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DF 001, 15h

DF001

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Tem vezes que a gente cai na estrada, dá a volta ao mundo e descobre que o nosso lugar é mesmo onde estávamos antes.
voltando pra casa

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Voando pela noite (até de manhã)Na próxima 3ª feira, dia 8/10, estarei autografando meus livros Histórias de Pai, Memórias de Filho e Voando pela Noite (Até de manhã) – 2ª edição, no Martinica Café, na 303 norte, em Brasília. Se você não foi ao lançamento, apareça lá. Se foi, apareça do mesmo jeito. Até lá!
Histórias de pai, memórias de filho

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A Secretaria de Segurança do Distrito Federal anuncia que em setembro foram assassinadas 43 pessoas em Brasília e nas cidades próximas.

Por incrível que pareça, o anúncio é feito em forma de contida comemoração.

Tudo porque setembro foi o mês de 2013 com menos assassinatos na capital brasileira e arredores.

A autoridade responsável pelo setor diz, em tom otimista, que a integração entre as forças de segurança está dando certo.

Ao menos para mim, é difícil aceitar que esteja dando certo qualquer política de segurança onde, na média, mais de uma pessoa foi assassinada por dia no mês passado.

Durante o ano todo, segundo a mesma contagem, houve 490 homicídios nas barbas do poder central do país.

Não tenho agora outras tabelas para comparação, mas não seria muito temerário arriscar que o número supere a monta de muita guerra mundo afora.

O que angustia, no entanto, não é somente essa insensata comemoração das autoridades, mesmo que velada, como se 43 vidas a menos fizessem parte de um escore aceitável.

Mais incômodo é a impressão de que a barbárie conquista, cada dia mais, a indiferença do Estado e da sociedade, e que, diante da crueldade, estejamos nos tornando frios e exatos como meros números de estatística.
Morte

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maleducado

A Conferência das Cidades foi criada há dez anos quando o PT chegou à Presidência da República.

A ideia é simples: ouve-se a população sobre o que ela acha que as cidades precisam para serem lugares melhores de se viver.

O que as pessoas acham, pedem ou sugerem é, então, levado aos três níveis de governo.

Se o que se pede é feito pelos governantes é outra discussão, mas o objetivo da Conferência é esse: fazer das cidades lugares melhores.

Este fim de semana ocorreu a Conferência do Distrito Federal.

Quase mil pessoas reunidas discutindo como ter cidades melhores.

Na hora do almoço, pessoas furaram a extensa fila para pegar comida. Usaram desculpas ou apenas a cínica desfaçatez e entraram na frente de outros que aguardavam pacientemente a vez de se servirem.

Na hora do café, a imensa maioria encheu pratinhos com doces e salgados, como se há dias não visse comida. Houve casos, não raros, de serem necessários dois pratinhos para dar conta da esganação. Alguns colocaram nas bolsas o que era servido no bufê. Uma senhora foi flagrada levando para casa, além das guloseimas, uma caixa de suco de frutas. Um deprimente e constrangedor espetáculo de falta de educação, respeito ao próximo e, porque não dizer, desonestidade, já que há relatos sobre furto de celulares e de uma câmera digital.

Fizeram isso nos dois dias da Conferência. Conferência por cidades melhores.

As pessoas querem governos melhores, cidades melhores, e de quebra um país e um mundo melhores.

Só não querem tentar ser pessoas melhores.

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A foto acima foi tirada esta semana no supermercado Pão de Açúcar das quadras 404 e 405 Norte.

Não há como dizer se a pessoa que utilizou este carrinho o deixou no meio da vaga da garagem por preguiça, desleixo e pouco caso com o semelhante ou simplesmente por distração, por descuido não intencional.

Os dois últimos casos merecem complacência. Certamente não há ninguém que possa atirar a primeira pedra porque nunca prejudicou o semelhante sem perceber, sem intenção. A diferença é que há os que pedem desculpas e logo buscam reparar o erro. E há os que deixam por isso mesmo. Aí, não será uma questão de pedras para arremessar, mas sim de cabeça tranquila para pôr no travesseiro.

O cuidado com o semelhante exige atenção redobrada para os distraídos. E para os desleixados, a velha sugestão: não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem a você. Na situação da foto, como é chato chegar no estacionamento e ter que sair do carro para tirar um carrinho “esquecido” bem no meio da vaga. Chato e bem mais trabalhoso do que apenas empurrá-lo por dois ou três metros e colocá-lo em um canto onde não vai atrapalhar ninguém.

Não são apenas grandes gestos ou atos heroicos que podem tornar o mundo um pouco melhor.

Coloque um balde debaixo de uma pequena goteira. Uma hora ele estará cheio.

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Comecei a trabalhar em rádio em 1987, aos 19 anos, 26 anos atrás, portanto. E para espanto e escândalo, nunca sei se hoje, 25 de setembro, é dia do rádio ou do radialista. E como no momento em que digito essas linhas estou com problema na internet e não consigo acessar o google, vou levar a dúvida para vocês. Mas se fosse apostar, arriscaria a primeira opção, dia do rádio.

Acho que nenhum veículo de comunicação possui histórias tão divertidas.

Meu saudoso colega Paulo Donizetti foi um excelente locutor noticiarista e colecionador de casos ocorridos nos estúdios das emissoras Brasil afora. Um de seus preferidos aconteceu em Varginha.

Era domingo, final de tarde, e o locutor estava há mais de seis horas trabalhando e trancado no estúdio. Lá pelas tantas, o operador de áudio soltou a vinheta para informar tempo e temperatura do momento. O locutor, aquele bem padrão AM, voz de trovão, não titubeou: “

-Neste momento, em Varginha, o tempo é bom…

Mas foi imediatamente interrompido pelos gestos enlouquecidos do operador, que do outro lado do vidro gesticulava e mexia os lábios:

-Que bom o quê, sô! Tá doido? Tá chovendo é pra caralho!

O locutor, mestre na arte de se livrar de saias justas, imprescindível quando se trabalha em rádio, não se fez de rogado:

-Sim, tempo bom…bom para você ficar em casa, debaixo das cobertas, curtindo nossa programação!

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Outra história eu vivi na carne. Ou melhor, no ouvido.

Houve um tempo em que os repórteres da CBN encerravam toda e qualquer intervenção com o lendário slogan “CBN, a rádio que toca notícia”. Eu era repórter e cobria uma manifestação tumultuada no centro do Rio. De repente, os manifestantes resolveram fechar a rua. Trânsito parando, polícia chegando, aquele bafafá, e eu, ao vivo, no celular, descrevendo tudo. Empolgado, encerrei o boletim confirmando a informação: os manifestantes decidiram fechar a rua. Mas o que seria um final apoteótico, virou piada. Errei feio na assinatura: CBN , a rádio que toca na RUA.

No estúdio, o âncora era Marcus Aurélio, minha referência de apresentador de rádio e grão-mor na arte de se livrar de saias justas. Ele não deixou a bola cair, bateu de primeira.

-Sim, André Giusti! Toca na rua, em casa, no trabalho, no táxi, em qualquer lugar a CBN toca.

Parabéns a todos nós que amamos o rádio e vivemos a delícia dessas histórias.

Microfone

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Conhecia Fabrízio Morelo de ouvir falar e de vista, de uma ou outra noite de lançamento literário. E confesso que durante um bom tempo, o poeta perambulou pelo abismo da minha dificuldade de, no geral, ligar nomes a pessoas.

Até que tive a oportunidade de mediar um debate do qual ele participou cerca de um mês atrás e, mais recentemente, subir com ele ao palco para o sarau que abriu o show de Raimundo Fagner no Açougue Cultural T-Bone, em Brasília.

Então, trocamos livros. Sim, escritor é uma espécie adepta do escambo. Se você está começando na carreira, saiba que trocar livros com os pares é uma forma de fazer seu trabalho circular e ser lido. Melhor ainda se a troca for com bons autores.

E é o caso de Morelo. Em troca de meu A liberdade é amarela e conversível, recebi Tediário, um delicioso livro de poemas.

Tediário

A comparação com bisturi é banal, mas não me ocorre no momento nada mais apropriado: ele tem uma escrita curta, seca, objetiva, incisiva. Apesar disso – ou talvez por isso – musical, cadenciadamente melodiosa. Explica-se: o poeta também é músico, transita no samba com a mesma desenvoltura que o faz na poesia.

Mas e quem, feito eu, não tem ouvido de bamba?

Fácil de resolver. Feche os olhos e imagine um blues, que também cabe na poesia de Morelo.

Confira!

se a gente se cruza
a gente se espanca

e se se cruza
a mágoa é tanta
que mesmo ali
toda a gente
se espanta

deu vontade de dizer:
vá cuidar da sua vida

mas o despropósito
o encanto
é fazer de conta
que todo dia
é dia santo

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Nada mais urbano que o barulho de uma sirene subindo pelo vão dos prédios no meio da tarde cinza, chuvosa e sonolenta.
Sirene

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O crítico de cinema escreveu bonito, usou frases de efeito, descreveu imagens de impacto, mostrou conhecimento ao lembrar escolas da sétima arte, citou diretores famosos e suas influências contemporâneas.

Só não conseguiu dizer se gostou ou não do filme.
dúvida

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