André Giusti - foto: Luana Lleras
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Acho que só serei geograficamente feliz por inteiro quando puder dividir meu tempo, em partes exatamente iguais, entre Brasília e Rio de Janeiro.
BrasíliaRio_de_Janeiro_night - Cópia

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Cobra

1.

Reportagem exibida hoje, 8, em um jornal local de televisão, informa sobre um bairro em uma cidade próxima a Brasília, em que as cobras – e outros bichos – estão invadindo as casas. Citam o exemplo de uma cascavel que apareceu debaixo de uma geladeira.

Com disfarçado sensacionalismo, a reportagem destaca o pavor dos moradores e as imagens das cobras, principalmente delas, que causam mais impacto na audiência.

Para quem não sabe, o Distrito Federal é um dos campeões nacionais de irregularidades fundiárias. A matéria não diz que por aqui invadiu-se e grilou-se o cerrado virgem para construir condomínios, alguns de luxo, sem qualquer planejamento urbano e muito menos ambiental. Em outras palavras, construiu-se com voracidade e pouco caso com a natureza.

Mas é claro que a culpa é das cobras.

2.

Outra reportagem exibe operação da Polícia Militar reprimindo o tráfico de drogas.

Chama atenção a inteligência da estratégia. Escondidos em caminhões de mudança, os policiais filmam todo o movimento dos traficantes e os prendem em flagrante, saindo de surpresa do baú do caminhão.

Entre os presos, apenas rapazes de periferia, pobres todos, negros em sua maioria. Vão se entender com a Justiça, que é o correto.

Mas, ao final da reportagem, me passa pela cabeça se a PM adotaria a mesma estratégia, entrando escondida num caminhão de um bufê de luxo, por exemplo, nas festas nos Lagos Sul e Norte – bairros nobres de Brasília – em que há venda e consumo liberado de drogas.

* * *

  • Hoje, 8/10, autografo Histórias de Pai, Memórias de Filho e Voando pela Noite (Até de manhã) , no Martinica Café, 303 norte, 19h30

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107 norte, sábado, 4/10, 18h15

nuvens

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Esse perfume de toalha limpa
me levando não sei exatamente
a que outra tarde de sábado,
a não sei muito bem quando,
a não sei ao certo onde.
toalhas

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O Detran do Distrito Federal prorrogou o prazo para que as pessoas peguem o certificado de licenciamento do veículo, aquela papeleta verdinha sem a qual, se te pegarem na blitz, seu carango sai guinchado direto pro depósito.

A prorrogação foi necessária porque as filas estão imensas, já que muita gente, para pegar o documento, tem que pagar o IPVA e uma ou outra multa. Às vezes, várias.

Só que todo mundo sabe que todos os anos o procedimento é o mesmo: pra pegar o documento, tem que pagar o que deve, e se estiver sem o documento, o possante dança no reboque.

Desde o início do ano, o prazo para acertar a situação está valendo, mas ao brasileiro só se aplicam três leis universais criadas por ele mesmo: a da vantagem, a do jeitinho e a da última hora. Conclusão: filas e mais filas, atendimento sobrecarregado, funcionário público estressado, computador dando pau e a imprensa, sem qualquer senso crítico, fazendo a festa com a gritaria daqueles que tiveram o ano inteiro para resolver a pendência.

Não morro de amores pelo Detran-DF, e inclusive acho suspeita a falta de satisfação à sociedade sobre a grana preta que se arrecada com as multas de pardais , que no DF estão de 100 em 100 metros.

Mas há muito perdi a paciência para essa postura do povo de posar de vítima quando a culpa, na verdade, é toda dele.

chora

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Sexta-feira, 7h.
Ser pai de meninas

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DF 001, 15h

DF001

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Tem vezes que a gente cai na estrada, dá a volta ao mundo e descobre que o nosso lugar é mesmo onde estávamos antes.
voltando pra casa

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Voando pela noite (até de manhã)Na próxima 3ª feira, dia 8/10, estarei autografando meus livros Histórias de Pai, Memórias de Filho e Voando pela Noite (Até de manhã) – 2ª edição, no Martinica Café, na 303 norte, em Brasília. Se você não foi ao lançamento, apareça lá. Se foi, apareça do mesmo jeito. Até lá!
Histórias de pai, memórias de filho

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A Secretaria de Segurança do Distrito Federal anuncia que em setembro foram assassinadas 43 pessoas em Brasília e nas cidades próximas.

Por incrível que pareça, o anúncio é feito em forma de contida comemoração.

Tudo porque setembro foi o mês de 2013 com menos assassinatos na capital brasileira e arredores.

A autoridade responsável pelo setor diz, em tom otimista, que a integração entre as forças de segurança está dando certo.

Ao menos para mim, é difícil aceitar que esteja dando certo qualquer política de segurança onde, na média, mais de uma pessoa foi assassinada por dia no mês passado.

Durante o ano todo, segundo a mesma contagem, houve 490 homicídios nas barbas do poder central do país.

Não tenho agora outras tabelas para comparação, mas não seria muito temerário arriscar que o número supere a monta de muita guerra mundo afora.

O que angustia, no entanto, não é somente essa insensata comemoração das autoridades, mesmo que velada, como se 43 vidas a menos fizessem parte de um escore aceitável.

Mais incômodo é a impressão de que a barbárie conquista, cada dia mais, a indiferença do Estado e da sociedade, e que, diante da crueldade, estejamos nos tornando frios e exatos como meros números de estatística.
Morte

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