André Giusti - foto: Luana Lleras
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Innovo/Divulgação

Innovo/Divulgação

Uma de minhas filhas faz balé numa das principais academias de Brasília.

No último domingo, houve a apresentação de meio de ano.

Não entendo nada de balé – a não ser de babar quando minha pequena se apresenta -, mas penso que que não é como um show de música ou partida de futebol, em que a plateia ou torcida fica berrando o nome de quem está no palco ou no campo.

Luz apagada, concentração das/dos bailarinas/bailarinos para começar o número e então lá vem uma saraivada de gritos da plateia (ou torcida?): “Carol! Vai Tati! Dá-lhe, Mariana! Arrebenta, Pedro!”.

Impossível não abalar a concentração de quem está no palco, por menos que seja. E a histeria se repetiu a cada apresentação de turma.

Depois de cada apresentação, normal gritar. Eu também gritei o nome da minha filha. Antes, no entanto, penso que é um espetáculo que merece uma certa reverência, uma certa cerimônia e solenidade antes de começar.

A elite brasileira – e a plateia era formada senão na totalidade, na maioria pela elite da capital do país – pode ter instrução (bons níveis de escolaridade), mas, a julgar pelo comportamento de domingo, me parece cada vez maior sua distância de certos gêneros artísticos e expressões culturais tão importantes para a formação do pensamento humano (artes plásticas, teatro e cinema com conteúdo crítico, literatura…).

Daí se comportar num espetáculo de balé como se estivesse num torneio de handebol na escola, num show de música sertaneja ou em um de pagode. Ok, num de Rock também (fora os que chegam atrasados e ficam parados escolhendo lugar, como se não houvesse ninguém sentado atrás querendo assistir).

É de se pensar naquela boa frase: são tão ricos, que só têm dinheiro.

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Oiguassu

Oiguassu

A partir de uma postagem minha sobre o choro do Neymar após o jogo contra a Costa Rica, cheguei a uma constatação, na base do olhômetro.

Meus “amigos” que defendem o jogador, e que o acham referência de algo positivo, seja lá o que for, são, no geral, os mais conservadores, os que, para dar uma exemplo bem ilustrativo e resumitivo, apoiaram a saída de Dilma Rousseff. Neymar, camisa da seleção, TV Globo, Veja, pato, menininha nos ombros do pai pedindo dólar mais barato pra ir pra Disney, mimimi.

Os que não enxergam em Neymar nada de muito válido são justamente, e no geral, os do campo oposto. Lula livre, foi golpe, fora, Temer! Marielle presente!

É só uma constatação bem empírica, sem qualquer técnica ou metodologia e que não vai influenciar em nada na classificação ou não do Brasil.

E muito menos nos destinos da vida nacional.

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choro neymar

Não me convence nem um pouco o choro de Neymar após o jogo medíocre que a seleção fez hoje.

Para ser ainda mais claro: choro forçado, programado, pensado estrategicamente para o centro do campo, que será a ‘cerejíssima’ do bolo com excesso de açúcar e glacê barato a ser servido logo mais no Jornal Nacional.

No show de interpretação canastrona que vem dando a cada vez que um adversário encosta nele, a cena final do jogo de hoje não merece qualquer crédito.

Muito menos comoção.

Principalmente se comparado ao choro de Pelé ao final da decisão da copa de 58.

Mais ainda se visto ao lado do choro da mãe cujo filho com uniforme da escola foi assassinado por um tiro da Polícia no Rio.

mãe filho morto

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HuffPost Brasil

HuffPost Brasil

Trabalho em um dos setores da zona central de Brasília.

Toda 4ª feira, à hora do almoço, há na calçada um culto evangélico, bem junto ao prédio em que estou.

Sendo ou não adepta da crença, a pessoa ouve os cânticos e a pregação.

O culto transcorre em paz, sem que ninguém reclame ou tente impedir que aconteça. Não serei hipócrita: ele me incomoda, mas nada que não seja tolerável, suportável.

Mas gostaria de ver, no mesmo local, em dia alternado da semana, um culto de umbanda ou candomblé, dos quais também não sou adepto.

Será que aconteceriam igualmente em sossego?

É essa dúvida, quanto à tolerância seletiva, que me incomoda.

umbanda

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Pelo que li, a informação ainda está nas mãos de apenas um ou outro colunista, embora já seja desde a semana passada objeto da desconfiança (quase certeza) de muita gente: há sim infiltração no movimento dos caminhoneiros, fazendo com que alguns muitos motoristas não tenham ainda voltado ao trabalho, apesar de a categoria ter conseguido que o governo abaixasse a calça e a cueca.

A procedência da informação são os serviços de inteligência dos órgãos de segurança.

Freepik

Freepik

A intenção dessa gente que, infiltrada, impede a normalização do abastecimento vai muito além do preço do diesel. Não é nem um pouco justa como o é a de se reduzir o valor do combustível.

É na verdade uma intenção sórdida, vil, que merece o alerta máximo de quem defende o que ainda resta de legalidade neste país.

A luta agora me parece ser para que o Brasil chegue às eleições de outubro em uma condição, mesmo que mínima, de normalidade institucional e democrática e escolha nas urnas, pela vontade da maioria, quem governará o país nos próximos quatro anos. Que essa chegada seja até mesmo igual a de um corredor que cruza a linha final da maratona engatinhando, completamente sem ar, mas que seja uma chegada e não um rompimento brusco com o destino legal.

O governo Temer é desastroso, nunca foi outra coisa.

Mas, nos mantenhamos atentos e vigilantes porque (acreditem!) pode haver coisa ainda pior do que ele.

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Agência Brasil - EBC

Agência Brasil – EBC

Me dê o o direito de achar que o governo de Dilma Rousseff foi realmemte ruim, especialmente no segundo mandato.

Mas me dê também o mesmo direito de achar que ainda assim era bem melhor do que o golpe que você apoiou e que foi urdido pelo candidato corrupto no qual você votou (ao menos no segundo turno) e que está levando esse país à beira do abismo.

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Metrópoles

Metrópoles

Leio nas agências de notícias que só há gasolina em mais oito postos do Distrito Federal.

Ontem, perto de 11 da noite, havia quilométricas filas para abastecer em Brasília.

Tudo bem, há gente que realmente precisa do tanque cheio, e que por isso precisou perder duas ou três horas de sua existência terrena para encher o tanque.

Mas aposto que boa parte poderia sobreviver com apenas o meio tanque que restava, até mesmo um quarto, e que encontraria alternativa se o carro não pudesse sair da garagem.

Não encarei a confusão. Quando a gasolina acabar – e vai acabar amanhã ou depois – vejo o que dá para fazer. E o que não der para ser feito, não será.

Há (ainda) ônibus, uber, táxi, bicicleta, carona solidária, trabalhar de casa.

Vários modos de, em meio à tensão e à ameaça de caos, não alimentar essa histeria coletiva que só torna ainda mais instável o ambiente político desse país à deriva.

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Blog isyBuy | Gestão de restaurantes - isyBuy

Blog isyBuy | Gestão de restaurantes – isyBuy

*Este artigo se aplica a muitas outras cidades brasileiras

O atendimento no comércio em Brasília tem melhorado nos últimos anos.

Atualmente é apenas ruim.

Agora há pouco fui tomar café na Kopenhagen do Conjunto Nacional. Bato ponto lá de dois a três dias na semana. Minha cara, portanto, não é exatamente uma novidade para as atendentes.

Aproveitando que uma delas passava pela mesa, pedi um café. E ouvi: o pedido é feito no balcão, mas tudo bem, vou atender.

Levantei imediatamente e lá fui eu mesmo cumprir as normas da casa, porque, por mais que a própria atendente fizesse o pedido, o tom ríspido e de advertência com que ela se dirigiu a mim comprometeu a relação da loja com o cliente. Por pouco não me tira a vontade de tomar café.

No domingo de carnaval, caçava algum lugar aberto para tomar um belo espresso no fim de tarde. Uma das poucas opções abertas era a cafeteria da Belini, que fica do outro lado da tradicional padaria, na comercial da 114 sul.

Era melhor que estivesse fechada.

Na fachada, a afetada expressão em inglês coffee experience tenta impressionar o freguês, porque certamente o atendimento não conseguirá fazê-lo, não positivamente.

Perguntamos se seria possível pôr uma mesa perto do jardim.

A atendente, com uma expressão que notoriamente denunciava uma espécie de raiva – talvez a de trabalhar no domingo de carnaval – alegou que não dava e apontou algum problema no telhado da loja, não lembro ao certo.

Falamos algo do tipo “ah, mas é tão agradável aqui, perto do jardim”, mas dissemos muito mais por lamento do que por insistência, ao que ouvimos com espanto um inacreditável “se quiserem pôr a mesa aqui, a responsabilidade é de vocês”.

A culpa não é das funcionárias, creio eu, em que pese em uma ou outra a falta de talento nata para atender pessoas.

Penso que há por parte dos proprietários desses estabelecimentos, franquias ou não, excesso de zelo com o preparo do cardápio e a decoração do lugar, mas uma grande desatenção com o fator humano no que diz respeito a treinamento ou mesmo contratação de funcionários, o que na ponta da corda é a desatenção com o consumidor, simplesmente a razão de o comércio existir.

É claro, na cidade existem ilhas de ótimo atendimento (La Boutique e Ces’t si bon, por exemplo, ambos na Asa Norte), mas ser freguês em Brasília, no geral, ainda é uma bad, very bad experience.

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Foto: Suamy Beydoun/Agif/Estadão Conteúdo

Foto: Suamy Beydoun/Agif/Estadão Conteúdo

Independentemente de culpa ou inocência, Lula foi o melhor presidente que vi governar esse país ao longo dos meus 50 mil Km rodados.

Dane-se se surfou na onda de comodities ou sei lá mais que outro termo de economês afetado.

Não há como uma sentença, justa ou injusta, mudar o passado.

Fez menos do que queríamos, do que dizia que faria e do que precisávamos.

Mas fez mais do que os outros, principalmente por quem precisava muito e vivia com menos do que migalhas.

Mudou, perante o mundo, a imagem de cachorro sarnento que o Brasil sempre teve, e que voltou a ter.

Por isso, sua prisão tem duas pontas, as duas, de tristeza.

Se há culpa, é a maior desilusão da vida política nacional.

Se não há, é desanimador comprovar que a nossa não democracia continua se vestindo de várias formas, inclusive com a toga da legalidade.

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Estupidez

Agora há pouco alguém postou na rede social conclamando as pessoas a espancarem um milico, como forma de fazer um bem à sociedade.

Ou seja, quando é contra o que eu não acredito e combato, a estupidez se justifica.

O discurso do ódio – e de incitação ao crime – vestido de liberdade de opinião só mudou o alvo.

A cegueira no país é grave.

Dos dois lados.

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