André Giusti - foto: Luana Lleras
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Rush, no limite da emoção, é um filme para quem gosta de F1. Aliás, obrigatório.

É, mais ainda, um filme para quem gosta de F1 e de cinema.

Mas também é para quem gosta de cinema e não necessariamente gosta de F1 ou automobilismo no geral.

Com extremo realismo, Ron Howard consegue contar como foi a memorável temporada de 1976, ano em que o austríaco Nick Lauda sofreu o acidente que lhe desfigurou parte do rosto. Talvez por isso, mas sem possibilidade alguma de comprovação, ele tenha perdido por apenas um ponto o campeonato para o inglês James Hunt.

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Mas isso é F1. O que é cinema é o que faz a plateia arrepiar até o último fio de cabelo já numa das primeiras sequências de pega entre os dois pilotos. Passa-se ainda na Fórmula 3. É ultrapassagem em cima de ultrapassagem embalado ao som do Slade.

Pelo que li das críticas, é um dos melhores – alguns falam em melhor – filme sobre automobilismo rodados até hoje. Não sou crítico de cinema, mas adoro F1. E concordo. As cenas ampliam e nos aproximam do mundo real de um grand prix, bem mais do que fazem as tediosas câmeras da TV Globo instaladas a bordo das naves espaciais que são os carros de hoje em dia.

Mas tudo isso não se sustentaria se as atuações de Chris Hemsworth (James Hunt) e Daniel Brühl (Nick Lauda)não aguentassem o tranco. No início, nos inclinamos a torcer por Niki Lauda e acharmos que Hunt era só um paspalho talentoso inconsequente. No fim do filme, continuamos achando Lauda espetacular, e Hunt fica bem na história, não apenas como um cara correto e decente, mas como um grande piloto de uma era em que na F1 a tecnologia era escassa, e quem dava as cartas na pista eram o braço do piloto, a coragem e, muitas vezes, a loucura.

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1.

Há dias em que a vida é leve feito alface, orégano e manjericão, e fácil como o encaixe da corrente da bicicleta.

SaladaCorrente de bike

2.

Ah, essas mulheres pequenas e magras,

com sua enganosa aparência de fragilidade.

Lidia Brondi 2

 

 

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13/9, 5h57
Nuvens e árovres

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A frase é antiga, provavelmente apareceu pela primeira vez em algum parachoque de caminhão, mas era muito vista também nas décadas de 70 e 80 em adesivos colados em parabrisas.

É engraçada, mas não é só isso. Reflete a ligação cultural e memorial do brasileiro com o trem.

Antes da opção desenvolvimentista pelas rodovias, o Brasil andava de trem. O trem do sertão, do litoral, da serra. Onde houvesse possibilidade de pôr trilhos, Maria Fumaça & seus blue caps carregavam gente, bicho, carga, comida.

Mas levava e trazia também poesia e letras de músicas.

Em Encontros e despedidas, Milton Nascimento diz que “O trem que chega é o mesmo trem da partida”. Para Raul Seixas, em uma de suas mais belas canções, “não precisa passagem nem mesmo bagagem no trem”. São apenas alguns exemplos, fora Adoniram (Trem das onze, como não citar?), Boca Livre (Toada) e por aí vai.

O trem é metáfora até hoje em nossos diálogos. “Ô fulano! Tá esperando o trem passar, é?” perguntamos quando alguém está enrolando.

Há um ensaio, embora tímido, de se ressuscitar o transporte ferroviário ao menos em algumas regiões desse país que, erradamente, saiu dos trilhos. No centro-oeste, a ideia de ligar Brasília a Goiânia de trem vem ganhando corpo.

Os experts em logística, em custos e em transportes confirmam o que qualquer leigo pode supor. De trem, as mercadorias ficam mais baratas e pode ser que a vida pese menos em nossos bolsos, ao menos em tese, lembrando que no Brasil nem sempre o que é óbvio, quando a favor do povo, se concretiza.

Torço para que o trem volte a ter a força que teve no passado. E se com ele a vida não ficar mais barata, que ao menos traga de volta o humor e a poesia que tanto nos inspiraram.
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No próximo dia 19, quinta-feira, eu e um grupo de poetas abriremos o show de Fagner no Açougue Cultural T-Bone, na 312Norte. Confira a escalação do time no bunner abaixo.

A poesia, sempre uma coisa intimista e enjaulada em pequenos ambientes, vai ganhar a multidão, na qual, se pararmos para pensar, nasce tantas vezes.

A plateia dos shows no T-Bone chega a reunir 20 mil pessoas. Certamente, nunca li um poema meu para tanta gente. Não deixa de ser um consolo para o garoto que, nos anos 80, queria ser guitarrista de uma banda de Rock, mas que optou pela literatura também pela total falta de talento musical.

Vejo vocês lá.

Sarau

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Não quero parecer panfletário, coisa que, a essa altura da vida, na idade das ilusões perdidas, definitivamente não sou.

Mas se você fez ou ainda fará algum tipo de manifestação de pesar pelas vítimas do World Trade Center, lembre-se de também fazer o mesmo pelas vítimas do golpe militar no Chile, país vizinho e irmão.

Coincidentemente hoje faz 40 anos que Salvador Allende, presidente eleito pelo voto popular, foi deposto pela tropa de Augusto Pinochet. Dando suporte ao futuro ditador, estavam os Estados Unidos da América do Norte, da mesma forma que estiveram, nove anos antes, presentes em 31 de março – outra data a sempre ser lamentada –, ajudando a derrubar João Goulart.

Nas duas situações, dividiram a responsabilidade de inaugurar regimes sanguinários que torturaram, mataram e desapareceram com pais e mães de família, deixaram órfãs crianças pequenas. Guarde seu pesar para elas também.
Allende
Do mesmo modo, reserve, a cada 6 de agosto, sua emoção pungente para os milhares de mortos pela bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki.

Por último, insistindo que não sou megafone vermelho, doe também um pouco da sua tristeza em todo 8 de junho. Nesse dia, em 1972, uma menina vietnamita chamada Kim Phuc foi fotografada correndo nua e em desespero durante um bombardeio com bombas de napalm. Desnecessário dizer qual país lançou a bomba.
Napalm
Bomba atômica
Há ainda milhares de vidas ceifadas ao longo dos anos no Iraque, no Afeganistão e outros países. Lembre-se delas, embora sem data marcada no calendário.

É de direito que se lamente o atentado às Torres Gêmeas, mas como a vida humana tem o mesmo valor em qualquer parte do planeta, será injustiça ou falta de foco humanitário que nosso pesar pelas vítimas da estupidez dos homens se limite sempre a um único dia do ano.

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A repartição toda na sala de reunião para a festinha de aniversário de uma das chefonas do lugar.

Mas ele disfarçou e correu dali, sem paciência alguma pra aquela coisa de esperar com pratinho na mão para pegar docinho e salgadinho na mesa apinhada de uma gente cheia de braços, mãos e cotovelos (principalmente cotovelos).

Definitivamente, às vezes parecia mesmo um E.T nesse mundo de humanos.

et

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Não é de se estranhar a atitude do capitão Bruno Rocha, comandante do Batalhão de Choque da PM do Distrito Federal.

Rir de forma debochada para uma câmera, mesmo que amadora, dizendo que lançou porque quis spray de pimenta em manifestantes, é só mais uma prova da falta de preparo psicológico – não falo técnico ou operacional – das polícias país afora. Historicamente agem com raiva, raiva sempre batizada de rigor nas explicações oficiais.

Talvez, então, aqui no isolamento de meu ofício, eu também possa usar o fígado para questionar se cara a cara com um bando de traficantes armados, no meio de uma favela carioca, o capitão teria lançado mão do sarcasmo.

Mas o assunto, dentro do assunto, é outro.

Dois outros aspectos é que na verdade me espantam.
capitão
O primeiro é ver alguns jornalistas, ou outros profissionais de comunicação, apoiarem a ação desastrosa da PM do DF no 7 de setembro. Se a repressão foi necessária contra os vândalos, não foi nem jamais será contra jornalistas e fotógrafos que estavam trabalhando.

Ainda argumentam que na cobertura de uma guerra, repórteres sabem que podem morrer. E muitos realmente morrem. Mas são situações totalmente diferentes. Profissionais foram agredidos fisicamente e com o tal spray de pimenta simplesmente porque estavam olhando ou fotografando o que acontecia. Quando estamos cobrindo esse tipo de manifestação, estamos sim sujeitos a bombas, pedradas e fumaças que levam às lágrimas, mas nunca como alvo, o que, pelos relatos e imagens, claramente não foi o que aconteceu no Dia da Pátria.

O segundo aspecto que me espanta é que até agora – e por isso esperei bastante para escrever sobre o assunto e o faço no final de tarde de terça-feira, 10 – apenas oficiais do comando da PM falaram sobre o assunto em nome do Governo do Distrito Federal, e é claro que as palavras foram favoráveis à ação da PM. No máximo, a velha cantilena de que “se houve excessos, eles serão punidos”, como se, de novo historicamente, fosse corriqueiro a polícia reconhecer que agiu com excessos.

Acho pouco para um governo, cujo partido sempre lutou pela democracia e contra a repressão do aparato policial.

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Estação Cultural

Ainda falando sobre cultura de graça, e novamente no CCBB de Brasília.

Está funcionando desde a semana passada a Estação Cultural, uma parceria entre o Banco do Brasil e o Açougue Cultural T-Bone.

Trata-se de uma estante de livros, nada mais que isso, equipada com uma tela para navegação eletrônica. É uma forma inteligente de atrair a criançada para o mundo fantástico da leitura sem afastá-los da tecnologia, que já vem no DNA da molecada de hoje em dia.

Na Estação Cultural, que funciona o dia inteiro, pegam-se os livros que se quiser e devolvem-se quando quiser. Não há ficha para preencher, protocolo para dar entrada, nem qualquer outra chatice semelhante. E, como dito no começo, é de graça, 0800, como se diz deliciosamente nas rodas modernas.

Esta já é a segunda estante que a capital do país recebe. A primeira fica no próprio Açougue T-Bone, no comércio da quadra 312 Norte.

Quem não é de Brasília pode estranhar, mas é disso mesmo que se trata o Açougue Cultural T-Bone. Até às 18h corta-se para bife, depois disso, lê-se poesia, toca-se música e, acima de tudo, democratiza-se a cultura numa cidade em que esta é, no geral, artigo apenas para deleite da elite.

Aliás, no próximo dia 19, Raimundo Fagner sobe ao palco armado na calçada do T-Bone. Show gratuito para milhares. Antes do show, eu e mais um grupo de poetas faremos um recital. Mas depois eu conto os detalhes.

 

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A artista plástica Patrícia Secco consegue um trabalho original em algo que não é nem um pouco novo: pintar máscaras.

Há séculos artistas mundo afora decoram de maneiras diversas aquilo que se usa para cobrir o rosto nos bailes de carnaval e, ultimamente, para se esconder atrás da covardia de não assumir o que se faz e o que se pensa.

Mas ela busca – e consegue – diferença em relação ao que já foi feito, quando, com rara felicidade, alcança harmonia entre cores fortes e alegres. Mas o grande feito não é nem esse. Apesar do colorido intenso, as máscaras de expressão neutra não perdem o ar de mistério e a sobriedade que guardam historicamente.

A exposição Brasil, mostra tua cara pode ser vista de 3ª a domingo, das 9h às 21h no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília.

Vale muito a pena, inclusive para se levar as crianças, até porque a entrada é franca – como todas as exposições do CCBB – e esse detalhe faz toda diferença para quem tem filhos.
Máscaras 1

Máscaras 3

Másrcaras 2

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