André Giusti - foto: Luana Lleras
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No próximo dia 19, quinta-feira, eu e um grupo de poetas abriremos o show de Fagner no Açougue Cultural T-Bone, na 312Norte. Confira a escalação do time no bunner abaixo.

A poesia, sempre uma coisa intimista e enjaulada em pequenos ambientes, vai ganhar a multidão, na qual, se pararmos para pensar, nasce tantas vezes.

A plateia dos shows no T-Bone chega a reunir 20 mil pessoas. Certamente, nunca li um poema meu para tanta gente. Não deixa de ser um consolo para o garoto que, nos anos 80, queria ser guitarrista de uma banda de Rock, mas que optou pela literatura também pela total falta de talento musical.

Vejo vocês lá.

Sarau

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Não quero parecer panfletário, coisa que, a essa altura da vida, na idade das ilusões perdidas, definitivamente não sou.

Mas se você fez ou ainda fará algum tipo de manifestação de pesar pelas vítimas do World Trade Center, lembre-se de também fazer o mesmo pelas vítimas do golpe militar no Chile, país vizinho e irmão.

Coincidentemente hoje faz 40 anos que Salvador Allende, presidente eleito pelo voto popular, foi deposto pela tropa de Augusto Pinochet. Dando suporte ao futuro ditador, estavam os Estados Unidos da América do Norte, da mesma forma que estiveram, nove anos antes, presentes em 31 de março – outra data a sempre ser lamentada –, ajudando a derrubar João Goulart.

Nas duas situações, dividiram a responsabilidade de inaugurar regimes sanguinários que torturaram, mataram e desapareceram com pais e mães de família, deixaram órfãs crianças pequenas. Guarde seu pesar para elas também.
Allende
Do mesmo modo, reserve, a cada 6 de agosto, sua emoção pungente para os milhares de mortos pela bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki.

Por último, insistindo que não sou megafone vermelho, doe também um pouco da sua tristeza em todo 8 de junho. Nesse dia, em 1972, uma menina vietnamita chamada Kim Phuc foi fotografada correndo nua e em desespero durante um bombardeio com bombas de napalm. Desnecessário dizer qual país lançou a bomba.
Napalm
Bomba atômica
Há ainda milhares de vidas ceifadas ao longo dos anos no Iraque, no Afeganistão e outros países. Lembre-se delas, embora sem data marcada no calendário.

É de direito que se lamente o atentado às Torres Gêmeas, mas como a vida humana tem o mesmo valor em qualquer parte do planeta, será injustiça ou falta de foco humanitário que nosso pesar pelas vítimas da estupidez dos homens se limite sempre a um único dia do ano.

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A repartição toda na sala de reunião para a festinha de aniversário de uma das chefonas do lugar.

Mas ele disfarçou e correu dali, sem paciência alguma pra aquela coisa de esperar com pratinho na mão para pegar docinho e salgadinho na mesa apinhada de uma gente cheia de braços, mãos e cotovelos (principalmente cotovelos).

Definitivamente, às vezes parecia mesmo um E.T nesse mundo de humanos.

et

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Não é de se estranhar a atitude do capitão Bruno Rocha, comandante do Batalhão de Choque da PM do Distrito Federal.

Rir de forma debochada para uma câmera, mesmo que amadora, dizendo que lançou porque quis spray de pimenta em manifestantes, é só mais uma prova da falta de preparo psicológico – não falo técnico ou operacional – das polícias país afora. Historicamente agem com raiva, raiva sempre batizada de rigor nas explicações oficiais.

Talvez, então, aqui no isolamento de meu ofício, eu também possa usar o fígado para questionar se cara a cara com um bando de traficantes armados, no meio de uma favela carioca, o capitão teria lançado mão do sarcasmo.

Mas o assunto, dentro do assunto, é outro.

Dois outros aspectos é que na verdade me espantam.
capitão
O primeiro é ver alguns jornalistas, ou outros profissionais de comunicação, apoiarem a ação desastrosa da PM do DF no 7 de setembro. Se a repressão foi necessária contra os vândalos, não foi nem jamais será contra jornalistas e fotógrafos que estavam trabalhando.

Ainda argumentam que na cobertura de uma guerra, repórteres sabem que podem morrer. E muitos realmente morrem. Mas são situações totalmente diferentes. Profissionais foram agredidos fisicamente e com o tal spray de pimenta simplesmente porque estavam olhando ou fotografando o que acontecia. Quando estamos cobrindo esse tipo de manifestação, estamos sim sujeitos a bombas, pedradas e fumaças que levam às lágrimas, mas nunca como alvo, o que, pelos relatos e imagens, claramente não foi o que aconteceu no Dia da Pátria.

O segundo aspecto que me espanta é que até agora – e por isso esperei bastante para escrever sobre o assunto e o faço no final de tarde de terça-feira, 10 – apenas oficiais do comando da PM falaram sobre o assunto em nome do Governo do Distrito Federal, e é claro que as palavras foram favoráveis à ação da PM. No máximo, a velha cantilena de que “se houve excessos, eles serão punidos”, como se, de novo historicamente, fosse corriqueiro a polícia reconhecer que agiu com excessos.

Acho pouco para um governo, cujo partido sempre lutou pela democracia e contra a repressão do aparato policial.

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Estação Cultural

Ainda falando sobre cultura de graça, e novamente no CCBB de Brasília.

Está funcionando desde a semana passada a Estação Cultural, uma parceria entre o Banco do Brasil e o Açougue Cultural T-Bone.

Trata-se de uma estante de livros, nada mais que isso, equipada com uma tela para navegação eletrônica. É uma forma inteligente de atrair a criançada para o mundo fantástico da leitura sem afastá-los da tecnologia, que já vem no DNA da molecada de hoje em dia.

Na Estação Cultural, que funciona o dia inteiro, pegam-se os livros que se quiser e devolvem-se quando quiser. Não há ficha para preencher, protocolo para dar entrada, nem qualquer outra chatice semelhante. E, como dito no começo, é de graça, 0800, como se diz deliciosamente nas rodas modernas.

Esta já é a segunda estante que a capital do país recebe. A primeira fica no próprio Açougue T-Bone, no comércio da quadra 312 Norte.

Quem não é de Brasília pode estranhar, mas é disso mesmo que se trata o Açougue Cultural T-Bone. Até às 18h corta-se para bife, depois disso, lê-se poesia, toca-se música e, acima de tudo, democratiza-se a cultura numa cidade em que esta é, no geral, artigo apenas para deleite da elite.

Aliás, no próximo dia 19, Raimundo Fagner sobe ao palco armado na calçada do T-Bone. Show gratuito para milhares. Antes do show, eu e mais um grupo de poetas faremos um recital. Mas depois eu conto os detalhes.

 

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A artista plástica Patrícia Secco consegue um trabalho original em algo que não é nem um pouco novo: pintar máscaras.

Há séculos artistas mundo afora decoram de maneiras diversas aquilo que se usa para cobrir o rosto nos bailes de carnaval e, ultimamente, para se esconder atrás da covardia de não assumir o que se faz e o que se pensa.

Mas ela busca – e consegue – diferença em relação ao que já foi feito, quando, com rara felicidade, alcança harmonia entre cores fortes e alegres. Mas o grande feito não é nem esse. Apesar do colorido intenso, as máscaras de expressão neutra não perdem o ar de mistério e a sobriedade que guardam historicamente.

A exposição Brasil, mostra tua cara pode ser vista de 3ª a domingo, das 9h às 21h no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília.

Vale muito a pena, inclusive para se levar as crianças, até porque a entrada é franca – como todas as exposições do CCBB – e esse detalhe faz toda diferença para quem tem filhos.
Máscaras 1

Máscaras 3

Másrcaras 2

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Ah, Brasília, você e esse teu céu muito louco!
205 norte, ontem, 8/9, 17h43
Nuvens de Brasília

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Setor Comercial Sul, 18h15
Nuvens de Brasília

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Desde que alguém percebeu que os veículos de comunicação, além de levarem informação e entretenimento, poderiam se tornar ótimos vendedores, não é exagero imaginar a propaganda como espelho do pensamento e dos anseios de uma sociedade.

Creio que tardiamente tomo conhecimento do site publistorm.com e tenho acesso a uma postagem de quase três anos (http://migre.me/fXKUs). Quem acessar, verá peças publicitárias que, se veiculadas hoje em dia, seriam objeto não apenas de denúncia aos conselhos de publicidade, mas às próprias barras da Justiça criminal.

Em um deles, um homem dá palmadas no traseiro da esposa, como se fosse ela uma criança. No outro, outro homem pisa um tapete que tem na borda a cabeça de uma mulher, uma imitação grotesca daqueles tapetes bem cafonas feitos com pele de urso ou tigre, e que em alguma vez já vimos em filmes antigos ou quiçá mesmo em cores vivas.
Homem batendo

Homem pisando
Os anúncios foram feitos para ser engraçados à época, calculo eu que por volta dos anos 1950, e, se hoje causam indignação, traduzem a visão ocidental e oriental – que, ao que me consta, em nada é superior à primeira quando o assunto é relação homem/mulher – que se possuía dos papeis masculino e feminino nesse planeta de desigualdades.

O ponto positivo é a certeza de que houve progresso na percepção sobre esses papeis, e também sobre a de outros que, ao longo da história da propaganda, devem ter servido de piada infeliz dos publicitários.

Mas o progresso não é ainda satisfatório.

Talvez se aproxime disso quando finalmente nos insurgirmos contra o tratamento de mulher objeto dado principalmente às louras nos comerciais de cerveja, ou quando não aceitarmos que, em um país predominantemente mestiço, os anúncios ainda pareçam ter sido gravados na Suécia.

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