André Giusti - foto: Luana Lleras
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Censure-me! Preciso aparecer

Em tempos de compartilhamento instantâneo de conteúdo, a censura serve muito mais como gasolina do que água na fogueira. Proibir a veiculação de uma mensagem só faz com que ela ganhe com mais força ainda o continente sem fronteira das redes sociais. Aí, acontece justamente o que o censor queria evitar: que todas as torcidas [...]

Mordaça

Em tempos de compartilhamento instantâneo de conteúdo, a censura serve muito mais como gasolina do que água na fogueira.

Proibir a veiculação de uma mensagem só faz com que ela ganhe com mais força ainda o continente sem fronteira das redes sociais.

Aí, acontece justamente o que o censor queria evitar: que todas as torcidas do planeta conheçam o que ele proibiu de direito, mas, devido ao mecanismo frenético da comunicação atual, não de fato.

A matéria da Revista Crusoé censurada pelo STF mantém o padrão das matérias nascidas a partir do vazamento (seletivo) da lava-jato: acusações sem provas de alguém que está de olho nos benefícios da delação premiada. Nada mais.

Com o dedo anacrônico da censura, ganhou holofote que não teria se a parte atingida ficasse calada e fizesse ouvido de mercador, como diziam avós distantes em nossa infância.

Tão lamentável quanto a censura é o STF ocupar seu tempo de modo corporativo, trabalhando a favor de interesses particulares de seus integrantes.

Fala-se, com razão, da qualidade do atual Congresso, muito aquém de um parlamento que já teve Ulysses e Tancredo, para ficar em apenas dois exemplos.

Qualidade maior não parece ter o Judiciário de hoje em dia.

O que não é, de modo algum, motivo para fechamento.

De nenhum dos dois.

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