André Giusti - foto: Luana Lleras
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Contra a discriminação religiosa e pelo Estado (verdadeiramente) laico

A jornalista, escritora e professora Stela Guedes Caputo Loguncy é uma das mulheres mais corajosas que conheço, e a conheço há mais de 25 anos, quando ela era líder estudantil e isso significava postura firme, clara e definida. Sei o que é discriminação religiosa. Por ser espírita, fui muitas vezes visto de lado. Boa parte [...]

A jornalista, escritora e professora Stela Guedes Caputo Loguncy é uma das mulheres mais corajosas que conheço, e a conheço há mais de 25 anos, quando ela era líder estudantil e isso significava postura firme, clara e definida.

Sei o que é discriminação religiosa. Por ser espírita, fui muitas vezes visto de lado. Boa parte da carga dessa discriminação se deve, no entanto, à confusão que se faz entre o espiritismo codificado por Alan Kardec, do qual sou adepto, a umbanda e o candomblé, religiões identificadas com os negros, e só isso já explica o preconceito.

Pela Stela – finalista do Prêmio Jabuti deste ano na categoria educação com o livro Educação nos Terreiros -, contra a discriminação aos irmãos da umbanda e do candomblé e sempre pelo Estado Laico é que compartilho esse texto maravilhoso que ela postou no Feici búqui.

“Eu não tenho leucemia. Não peguei piolho. Não passei um produto na cabeça que fez meu cabelo cair. Fui raspada. Eu me iniciei no candomblé por escolha e por amor depois de uma vida dedicada à pesquisa de suas crianças. “Amada no amado transformada”, sou candomblecista. Filha, com o coração transbordado em honras, de Daniel ty Yemonjá, do Ilè Asé Omi Laare Ìyá Sagbá, em Santa Cruz da Serra, Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Durante mais de 20 anos ouvi essas respostas de crianças e jovens candomblecistas que, ao serem perguntadas do porquê rasparam a cabeça, inventavam e inventam maneiras de menos sofrer. Muitos adultos também precisam ocultar seu amor para permanecerem em empregos ou conquistarem um. Para serem aceitos, às vezes, em sua própria família e até por “amigos”. Não significa que sejam pessoas fracas, gostem menos dos Orixás, ou de seus terreiros. O problema não está nelas. O problema está nessa sociedade racista, hipócrita, preconceituosa e nada nada laica. Sonho com um mundo em que um dia todos possam viver e publicizar seu amor, seus modos de acreditar ou não acreditar, seus modos de ser. Sonho e luto por uma sociedade de verdade laica. Por uma escola pública laica e sem Ensino Religioso que aumenta, todos os dias, a discriminação de nossas crianças e jovens de terreiros.”

(Stela Guedes Caputo – Dofonitinha de Lógunède – professora do Programa de Pós-Graduação em Educação – PROPED/UERJ).Foto: Flávio Mota.
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Comentários (2)

  1. Fernando Macedo -

    Linda sua atitude, parabéns.
    Eu também sonho com um dia em que poderemos viver em um país verdadeiramente laíco. Sou um jovem de 19 anos simpatizante de Umbanda e Candomblé.

  2. Eucy da Silva Lima -

    Muito legal a sua atitude André.

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