André Giusti - foto: Luana Lleras
voltar para o início do blog

Costume, falta de educação e de respeito

Quando fez seu primeiro discurso como deputado federal, o falecido Clodovil ficou escandalizado com o pouco caso que faziam os outros deputados em relação ao que ele dizia do alto da tribuna. Sem medir palavras, como era seu costume, Clodovil bradou contra a falta de educação de seus pares no parlamento. Quem conhece o Congresso [...]

Quando fez seu primeiro discurso como deputado federal, o falecido Clodovil ficou escandalizado com o pouco caso que faziam os outros deputados em relação ao que ele dizia do alto da tribuna. Sem medir palavras, como era seu costume, Clodovil bradou contra a falta de educação de seus pares no parlamento.

Quem conhece o Congresso Nacional sabe que, no geral, é hábito de deputados e senadores não darem a mínima para o colega que está se esgoelando no púlpito. Conversam alto, discutem, contam piadas, ficam de costas para o orador. Quase sempre, os discursos são proferidos apenas para os anais da Câmara e do Senado.

É de se pensar que esse descaso seja mais um episódio em que os políticos nada mais são do que um espelho da sociedade que os elege.

Na última semana, participei da apresentação do plano de cobertura jornalística que a Empresa Brasil de Comunicação, EBC, pretende fazer da Conferência Nacional das Cidades, marcada para novembro. Ao contrário dos assuntos tratados nos discursos parlamentares, a questão ali era de interesse de todos os presentes.

Pois duas mulheres, na plateia, pegaram na conversa e assim foram até o final da exposição, como se nada do que estivesse sendo exposto lhes dissesse respeito, como se, inclusive, nem estivessem num auditório, e sim num banco de praça, na mesa de um café.

Observo isso em outros ambientes, como salas de aula, por exemplo. E não me refiro a turmas de ensino fundamental ou médio. Falo de pós-graduação, na qual, em tese, domina a maturidade das cabeças, mas em que, tantas vezes, o que reina é zum-zum-zum na sala, mesmo quando quem tem a palavra é o professor, cujo salário é pago com o dinheiro da mensalidade de quem ali está para ouvir o que ele diz. Ou deveria ouvir, se não estivesse conversando e atrapalhando quem busca concentração. O volume do cochicho pode aumentar, se lá na frente estiver um colega apresentando trabalho.

Dependendo do lugar, conversar enquanto outro fala para uma plateia pode até ser costume. Independentemente de onde, é falta de educação. E sempre, e em qualquer canto, será falta de respeito.

Tags:

Gostou, compartilhe:

Comentários (2)

  1. Denise Giusti -

    Concordo plenamente, isso é falta de respeito e também de educação. Na academia de ginástica que frequento, existem pessoas que chegam a fazer uma rodinha em plena aula de hidro, nas piscina, e batem papo como se tivessem em um barzinho. Inacreditável, pagam a academia para conversar na água, pos, não acredito que consigam fazer os exercícios corretamente.

  2. Hugo Giustgi -

    É isso andré, a falta de educação das pessoas nos tempos de hoje tem me deixado bastante triste! Esse país esta de pernas pro ar!!!

Deixe o seu comentário!