
Comecei a escrever na virada dos treze para os quatorze anos.
Devido à rusticidade de meus primeiros poemas, é mais apropriado dizer que eu “rascunhava coisas” nos cadernos.
Intuitivamente, no entanto, eu sabia que estava aprendendo a escrever.
Nada mais verdadeiro: eu aprendi a escrever escrevendo.
Os poetas, contistas, cronistas e romancistas que lia naqueles primeiros anos (muitos ainda leio) foram responsáveis pela primeira forja do autor que sou hoje, quarenta e três anos depois.
Naqueles tempos não havia (ou ao menos não se falava) oficina literária ou oficina de criação.
Nossas oficinas eram escrever e ler, ler e escrever.
Não tenho o que falar das oficinas, até porque nunca fiz nenhuma, mas me chama a atenção a quantidade delas sendo oferecidas nas redes sociais. Parece cursinho para concurso público.
Não conheço praticamente nenhum dos ministrantes (desculpa o substantivo esquisito, mas muitos dizem que vão “ministrar” uma oficina). O que escreveram? O que escrevem? O que publicaram? Por onde publicaram? E, também, que livros leram? Que autores fazem parte de sua formação de leitores?

Outro dia, não sei quem em uma rede social chamava a atenção para uma certa pasteurização na maneira de escrever de alguns autores contemporâneos, de como alguns livros se assemelham, parecendo repetir uma estrutura erguida e mantida por equações e fórmulas vestidas de literatura.
E aí sinto dizer a quem anda por aí anunciando oficina literária, ou de criação, que literatura não é para ser igual.
É justamente para ser diferente e fazer a diferença no mundo.

Nada contra esses cursos, mas fico imaginando a reação que um Grande Sertão provocaria em certos mestres…