André Giusti - foto: Luana Lleras
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Espantos e absurdos possíveis

Espantos para Uso Diário, livro de contos do escritor paranaense Mário Baggio, publicado ano passado pela Editora Coralina, bem poderia se chamar Absurdos para Uso Diário. Estaria bem batizado. É que os espantos de Baggio parecem absurdos, deliciosos absurdos a debochar do mundo atual, do pais atual. Mas não é deboche sem propósito. É de [...]

Livro Baggio

Espantos para Uso Diário, livro de contos do escritor paranaense Mário Baggio, publicado ano passado pela Editora Coralina, bem poderia se chamar Absurdos para Uso Diário.

Estaria bem batizado.

É que os espantos de Baggio parecem absurdos, deliciosos absurdos a debochar do mundo atual, do pais atual.

Mas não é deboche sem propósito.

É de denúncia em boa parte dos casos.

Baggio cria fatos delirantes e desse modo, bastante original, trata, por exemplo, da violência doméstica, falando do homem ciumento que arranca os olhos, as pernas e os braços da mulher para que ninguém a tome dele.

Acaba perdendo-a para um circo que a quer como atração bizarra.

Em outro momento, a esposa exemplar coloca os filhos no forno (ligado) para ter em sossego um jantar romântico com o marido.

Mas, calma.

Em tempo de tanta aflição e angústia, o livro de Baggio traz também – e em boa quantidade – lirismo e doçura, como em dois belíssimos contos: Elizete e a Vitrola e Solidão para Uso Diário, uma variação do título da coletânea.

Portanto, para fazer passar mais rápido a quarentena, recomendo a obra de Mário Baggio com seus espantos e seus absurdos.

O único problema pode ser, quando depararmos com o noticiário, chegarmos à conclusão de que as histórias de Baggio nem são tão absurdas assim.

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