Não sei dizer se amo Brasília.
Acho que não.
Em mais de 27 anos morando aqui, o máximo a que me arrisco é: gosto muito de Brasília.
Nisso, há uma certa distância para se dizer te amo.
Mas há um aspecto na cidade que para mim é absolutamente apaixonante, encantador: suas áreas verdes.
Entre as cidades grandes e médias que conheço e das que ouço falar, não há no país uma tão verde, com tanto gramado e árvores que, sendo abrigos de pássaros, garantem o ano inteiro frutas, flores, cores, aromas e, nesses tempos de aquecimento global, o mais importante: sombra (vale lembrar que, infelizmente, isso não se aplica a boa parte das satélites do Distrito Federal).

Conheço gente mais velha que esteve por aqui na década de setenta, quando Brasília era um purgatório de barro, poeira e concreto. Certamente não imaginam que atualmente, dependendo da quadra, especialmente as quatrocentos da Asa Norte, vive-se com a impressão de que se mora num parque ou num bosque. Isso é impagável, nenhuma cidade no Brasil oferece isso, é o maior patrimônio do lugar que abriga o poder central, patrimônio mais valioso que boa parte, ou mesmo a maioria, das pessoas que vivem aqui.
Essa é a capital do país em que as pessoas moram, uma cidade de coração verde, cheiro de manga e canto de bem-te-vi.
Naquela de palácios arrojados, escândalos sucessivos e coração de concreto ninguém mora.
Felizmente.

