André Giusti - foto: Luana Lleras
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Festa de Aniversário

Outro dia publiquei aqui uma crônica sobre uma festa de aniversário. Leitor do blog, o servidor público aposentado Mauro de Albuquerque Madeira enviou texto sobre o aniversário de uma das netas. Na realidade, a festinha e a história da menina ocupam apenas algumas linhas no início. Logo em seguida, vem uma bela reflexão sobre as [...]

Outro dia publiquei aqui uma crônica sobre uma festa de aniversário. Leitor do blog, o servidor público aposentado Mauro de Albuquerque Madeira enviou texto sobre o aniversário de uma das netas. Na realidade, a festinha e a história da menina ocupam apenas algumas linhas no início. Logo em seguida, vem uma bela reflexão sobre as lições de vida e felicidade que as crianças aplicam em nós, adultos. Confiram.

 

Por Mauro de Albuquerque Madeira

Hoje Helena faz cinco anos. Ontem foi a festinha de aniversário, no playground do prédio de Raquel, com direito a pula-pula e mágico, que fez a alegria de crianças e adultos, com seus coelhinhos e pombas saídos da cartola. No meu tempo de criança não havia disso, éramos sete, família pobre e descuidada desses encantamentos infantis. Imagino que as crianças de hoje devem crescer com mais autoconfiança e auto-estima diante da vida.

Helena nasceu prematura de sete meses, estávamos em Porto Alegre assistindo ao casamento de Vinicius e Sibele. De Gramado eu e Teresa iríamos dar um giro pela região vinícola do Rio Grande do Sul, quando recebemos telefonema sobre o nascimento prematuro da lourinha Helena. Por sorte Raquel e André tinham voltado dois dias antes e a bichinha nasceu em Brasília. Uma prematura quarenta dias na incubadeira iria complicar as coisas lá no sul.

Mas Helena foi valente e suportou bem o isolamento naquele receptáculo de vidro, um berço que substitui o útero largado antes do tempo. Hoje ela é uma criança linda, viva, inteligente, branquinha como uma branca de neve, no meio das irmãzinhas igualmente lindas e fofas.

As sete netas são um jardim humano, numa escada de oito anos aos dois, de Gabriela a Carolina, como um escorrega festivo da vida, que, em dias de festa, vira um pula-pula, em que a infância se deleita no auge do prazer de brincar, a coisa mais deliciosa da vida.

Brincar é o supra-sumo do viver, os adultos também acham, quando jogam bola ou totó, viajam ou dançam. Trabalhar é o intervalo de obrigações que medeiam o prazer lúdico de não ter obrigações. E fico pensando que agora a excessiva competição do futebol das Copas estraga o mero prazer do jogo, que acaba virando uma estratégia rígida de vencer a qualquer custo, mesmo sem gols e poucos dribles.

Para as crianças o fundamental é brincar, pois a vida não tem objetivos, embora os adultos a estraguem lhe metendo tarefas, deveres, horários, lucros, mais valia, frustrações. A correria das crianças num playground é um esvoaçar de vestidos e blusas, bolas e balões, sapatos e meias, como a dizer que tudo seria mais fácil se ninguém ficasse adulto, sério, competidor, depredador. O reino da imaginação, da fantasia mede um metro de altura e a gente tem de se agachar para beliscar a bochecha, penetrar no brilho dos olhos da inocência, da beleza pura, da essência lúdica que é o viver infantil.

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Comentários (2)

  1. Gianna -

    Leio esta bela crônica no mesmo dia em que a notícia de um mal sucedido parto arrasa a vida de uma moradora da Ceilândia.
    O bebê, se sobreviver, ficará com sequelas mentais que o impedirão de brincar e pular como Helena.
    Não quero estragar o clima de pureza que a crônica irradia e que enche o coração de todos os leitores, mas sim torcer para que nossos governantes tenham a decência de procurar resolver os graves problemas da saúde pública e que todos os bebês possam celebrar seus aniversários tão felizes quanto Helelna.
    Felicidades!

  2. Denise Giusti -

    Parabéns ao Sr. Mauro pela crônica, uma beleza, texto rico e de uma pureza, bom para nossas almas!

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