André Giusti - foto: Luana Lleras
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Festa de separação

Viver parece ser mesmo colecionar absurdos. Os que vemos, os que ouvimos. Contam-me que agora é moda casais darem festas para anunciar que estão se separando. Convidam parentes, amigos e espécies intermediárias e bancam o regabofe para comunicar que não suportam mais olhar um na cara do outro. Há comida boa, bebida cara e música [...]

Viver parece ser mesmo colecionar absurdos. Os que vemos, os que ouvimos. Contam-me que agora é moda casais darem festas para anunciar que estão se separando. Convidam parentes, amigos e espécies intermediárias e bancam o regabofe para comunicar que não suportam mais olhar um na cara do outro. Há comida boa, bebida cara e música alta, tudo igual à primeira festa, alguns anos antes, quando os dois achavam que dava pra encarar a barra de viver juntos. Se for convidado para uma dessas, curta a noite e pare de achar que separação é momento de se recolher e digerir a frustação pelos planos que não deram certo.

Certamente no mundo das oportunidades de mercado, alguém já se apresenta como agente, organizador, promotor ou que outro nome tenha, da sua festa de separação. Ora, separação pode ser um segmento da chamada indústria do casamento. Se ela fatura com a ida do casal ao altar, por que não ampliar a participação no negócio e lucrar também quando os dois resolvem ir ao juiz assinar a papelada do divórcio? Os convidados serão os mesmos do casamento?  No convite, vocês querem que ponhamos os motivos – ou o motivo principal – da separação? Por falar em convite, que tal uma foto dos dois juntos, mas rasgada ao meio? Pode-se pensar em um pacote promocional para duas festas: a do casório e a da separação, essa última com prazo máximo de dois anos para ser organizada, senão perde a validade e aí será um novo orçamento.

Quem me conta a novidade, diz que conhece alguém que já foi a uma festa de separação. Lá pelas tantas, o homem e a mulher começaram a brigar na frente dos convidados, picuínhas e feridas de anos foram colocadas sem cerimônia no tanque daquela lavanderia matrimonial com bufet e orquestra. Desaforos tomaram também a direção dos sogros e cunhados. Parou a música, garçons pararam de servir, a comida esfriava nas mesas. Quando os ânimos se acalmaram, o constrangimento sufocava o ambiente, e assim como o casamento, a festa também parou por ali. Quem foi convidado, saiu com a certeza de que aqueles dois estavam mesmo fazendo a coisa certa.

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Comentários (3)

  1. Raquel Madeira -

    é a eterna vontade de mostrar para os outros o que a gente “pode”. A festa de separação nada mais é do que o reflexo da nossa sociedade extremamente materialista, vazia e consumista.

  2. HUGO GIUSTI -

    Sem comentário!!!!!!!!!

  3. Denise Giusti -

    Bem ridículo! Será ficção? Nunca havia ouvido falar>

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