André Giusti - foto: Luana Lleras
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Formas simplistas

Minha mulher me mostra a notícia de que o atacante argentino Messi gastou US$ 3 milhões para dar um helicóptero de presente ao técnico Maradona. Indignada, questiona se ele não poderia investir o mesmo dinheiro em uma instituição de pesquisa que procurasse, por exemplo, a cura da Aids. Enquanto ela apresenta seus argumentos, para mim [...]

Minha mulher me mostra a notícia de que o atacante argentino Messi gastou US$ 3 milhões para dar um helicóptero de presente ao técnico Maradona. Indignada, questiona se ele não poderia investir o mesmo dinheiro em uma instituição de pesquisa que procurasse, por exemplo, a cura da Aids.

Enquanto ela apresenta seus argumentos, para mim mesmo vou lembrando do combate à fome, de programas que poderiam, com esse dinheiro, livrar jovens carentes das chamadas situações de risco. Lembro também da miséria na África, de outras mazelas das nossas Américas pobres, entre elas a do próprio Messi.

Recordamos os médicos que, hospitais públicos do terceiro mundo afora, abrem cabeças e delas retiram coágulos mortais, recebendo salários indignos para tamanha responsabilidade, mas que são o retrato, em cifras, das condições de trabalho. Isso sem falar nos muitos professores que formaram aquele cidadão para que ele pudesse abrir cabeças.

As colocações de minha mulher podem ser simplórias, simplistas, mas tornam-se irrefutáveis porque estão sustentadas pelo pilar do bom senso. Haverá os que dirão que o dinheiro é dele, ele gasta como quiser, e assim farão com quem se confunda simplismo com o conformismo de que o mundo é assim mesmo e não vale se preocupar se as coisas não são justas como deveriam ser. Pretensamente mais embasados, os lógicos não irão muito além de explicar que o milionário mercado da bola concede licença às extravagâncias.

A mim, a todos, cabe escolher a forma simplista como quer ver o mundo de hoje. Se a romântica e até ingênua de minha mulher, ou as que, anestesiadas, aceitam como normal a inversão de valores que coroa a injustiça.

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Comentário (1)

  1. Denise Giusti -

    Compartilho da mesma maneira de ver as coisas da sua mulher. Não preciso muito ir tão longe, em meu próprio ambiente de trabalho convivo com situações que me revolto de ver as injustiças e chego à conclusão que a chaga de tudo isso simplesmente se chama egoísmo! Para que pensar no próximo, não sei como essas pessoas conseguem dormir direito com milhões sem ter o básico para viver!

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