André Giusti - foto: Luana Lleras
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Livros da Minha Vida 7 – O Encontro Marcado

Quando eu li O Encontro Marcado pela primeira vez, eu tinha apenas 15 anos. Reli-o outra vez aos 17 e uma terceira, já adulto, com 20 e tantos, o que me provou que, na primeira leitura, eu não tinha maturidade suficiente para entender o principal romance de Fernando Sabino e um dos mais importantes da [...]

O Encontro Marcado

Quando eu li O Encontro Marcado pela primeira vez, eu tinha apenas 15 anos.

Reli-o outra vez aos 17 e uma terceira, já adulto, com 20 e tantos, o que me provou que, na primeira leitura, eu não tinha maturidade suficiente para entender o principal romance de Fernando Sabino e um dos mais importantes da literatura brasileira no século 20.

Mas por incrível que pareça, a primeira vez que devorei a história angustiada de Eduardo Marciano foi a mais marcante para mim.

Eduardo é o próprio Fernando na juventude e isso nunca foi segredo, do mesmo modo que a plataforma dos outros personagens, amigos de Eduardo, são Hélio Pellegrino, Oto Lara Resende e Paulo Mendes Campos, amigos da vida toda do autor.

Certo trecho do livro fala sobre as derrotas, que a vida é feita delas, bem mais, muito mais do que as vitórias. Um desses personagens – não lembro agora qual – é categórico ao dar a garantia a Eduardo Marciano: “Na vida, perdemos sempre”.

Aquilo calou fundo em mim, pois à época eu vivia, pelo que me lembro, a primeira das minhas decepções amorosas, e aos 15 anos elas são sempre maiores do que realmente são. E o livro se tornou eterno para mim por este e por outro motivo: assim como Eduardo Marciano, eu era candidato a escritor, e toda aquela agrura do personagem, em seu embate com a literatura, já fazia parte também de mim, embora eu sequer soubesse, e muito menos entendesse.

Nos últimos meses, procurei sem sucesso, folheando o livro, esse trecho especificamente, para reproduzi-lo aqui no blog e retomar novamente essa seção, chamada Livros da Minha Vida. Até parece que ele se perdeu nas páginas amareladas pelo tempo.

Mas se não reencontrei essa parte do livro, não há problema. Sua mensagem ficou na minha memória feito marca de canivete em tronco de árvore, até porque após demissões, divórcio e mortes a comprovei ao logo da vida: perdemos sempre, em todos os campos, em todas as idades, e mesmo que não saibamos exatamente porque, seguimos sempre tentando recomeçar.
*
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Comentários (7)

  1. André Giusti Autor do post -

    Belissimo depoimento, Sônia, obrigado pela participação.

  2. Sônia Lara -

    Fala André! Cara, até me emocionei agora. Meu “Encontro Marcado” chega a estar despedaçado de tanto que foi lido. Por conta dele, tenho uma coleção de “Sabinos” em casa e cheguei a parar dentro da casa do escritor, que me recebeu muito bem com seu jeito mineiro de ser quieto. De lá saí com vários autógrafos (eu tinha 20 anos na época, estava na faculdade) e uma felicidade que não pode ser descrita. Tempos em que um escritor era celebridade, para mim, um ser quase intangível.
    Ele ainda me mandou cartão de Natal, na época, mas infelizmente, minha imaturidade, talvez, não tenha me permitido virar uma correspondente sua.
    Em sua morte, senti como se perdesse alguém da família, um grande amigo, talvez parte da adolescência.
    Eduardo Marciano, sem dúvida, fui eu, foi você e tantos outros.
    A dedicatória no meu Encontro: “A Sônia, este permanente Encontro Marcado com o seu amigo, muito afetuosamente, Fernando Sabino. 29/11/88″

  3. Denise Giusti -

    Esse livro também fez parte de minha juventude, embora não lembre muito o seu conteúdo, afinal minha memória não é tão boa, infelizmente.

    Concordo plenamente com a Ana Maria, na vida perdemos e ganhamos também. Lembro que quando meu pai voltou ao plano espiritual, dois meses antes nascia a minha segunda sobrinha chamada Maria Beatriz, seu nome traduz felicidade, e foi esse ser que nos deu ânimo para continuar em frente. E de alguma forma alegria para toda a família. Então André, não ganhamos também?

  4. André Giusti Autor do post -

    Obrigado, Ana Maria, pela participação.

  5. André Giusti Autor do post -

    Obrigado, Rachel, pela participação em meu blog.

  6. Rachel -

    Incrível como o mesmo livro nos causa um “espanto” em diferentes épocas de nossas vidas.

  7. Ana Maria -

    O livro é realmente fantástico, as perdas durante a nossa vida também são inevitáveis e acontecem mesmo em todos os campos e em todas as idades. Só não concordo com uma coisa: não perdemos sempre, ganhamos também, filhos, amigos, momentos espetaculares, experiências novas, lembranças, aprendizado…

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