André Giusti - foto: Luana Lleras
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Machado de Assis explica a matraca

Releio O Alienista, um dos mais famosos contos de Machado de Assis, e me detenho algum tempo em um detalhe que passou despercebido na primeira leitura, há anos. É a explicação do bruxo do Cosme Velho do que seja matraca. Ao ler sua descrição, concebe-se como perfeito o significado que a palavra possui na atualidade. [...]

Releio O Alienista, um dos mais famosos contos de Machado de Assis, e me detenho algum tempo em um detalhe que passou despercebido na primeira leitura, há anos.

É a explicação do bruxo do Cosme Velho do que seja matraca. Ao ler sua descrição, concebe-se como perfeito o significado que a palavra possui na atualidade.

Como no Brasil colônia não havia imprensa, algumas formas rudimentares davam ao povo a satisfação do que acontecia na sociedade.

Uma delas era a matraca, instrumento que, pela descrição de Machado, fazia, em linguagem contemporânea, um esporro do cão.

Quem tinha algo a comunicar à sociedade – qualquer fato, nascimento, morte – contratava um sujeito, que parava no meio dos povoados de então e começava a tocar a matraca. O barulh0 atraía o povo e a mensagem era dada. Com a maestria de quem foi o maior escritor brasileiro de todos os tempos, e um dos maiores do mundo, Machado de Assis escreve que “O sistema tinha inconvenientes para a paz pública”. A partir do atual significado do vocábulo, é de se imaginar o quanto.

Portanto, se você não conhecia esta história, agora, quando seu sua chefe chefa mulher marido namorada namorado colega de trabalho desandar a encher seus ouvidos com a língua sem freio, contenha-se, e desvie sua ânsia de lhe apertar o pescoço para pensar na genialidade de Machado de Assis.

Fonte www.memorialdoimigrante.org.br

Fonte www.memorialdoimigrante.org.br

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